Este livro junta algumas crónicas curtas de Miguel Esteves Cardoso, ao jeito de outras que já aqui falámos anteriormente. Estão "arrumadas" de acordo com temáticas muito claras e, para mim, mais humanas do que nunca.

Vê-se que foram escritas numa fase muito emocional, onde o ponto alto é a relação com a mulher, sobrevivente de um cancro. Este homem tem a capacidade de pôr em palavras as coisas simples que normalmente se complicam na nossa cabeça. São como sentimentos descodificados e dá gosto "ler a vida" assim.

Não é um livro aconselhado a quem procura um fio condutor - não é uma história com princípio, meio e fim - há que estar preparado para histórias muito curtas, que às vezes não passam de um relato de um episódio fugidio da vida do autor, ou da explicação pormenorizada de algo concreto que o incomoda. O que é comum a todas, é que parece que as conseguimos "vestir" que nem uma luva. Todos já demos aqueles passeios que sabem por uma vida, ou ficámos presos num momento em que embasbacamos a olhar para a pessoa amada, ou que ficamos pasmados com a inteligência de um gato, ou simplesmente temos uma refeição que vai ficar para a história. E tudo isto mora no livro.

São como fotografias fogazes e poéticas de uma vida como a nossa, escritas por um dos autores que mais conhecimento tem da nossa língua e que melhor uso lhe dá.

Amores e Saudades de Um Português Arreliado
De: Miguel Esteves Cardoso
Ano: 2014
Editora: Porto Editora
Páginas: 328

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Porque os livros expandem o melhor de nós, dão-nos ferramentas para crescer, abrem-nos as portas de novos mundos e conhecimento sem fim, que não ocupa (mesmo) lugar.

Ilustração de Medi Belortaja.

Chama-se "Back to Hogwarts" e não é por acaso, já que no mês que vem é o "Back to School" e os alunos precisam de roupa nova...

É uma linha de roupa e acessórios inspirada na saga do Harry Potter e tem tshirts, casacos, camisas, e acessórios como malas e carteiras. E, não sendo fã do feiticeiro, até acho piada a algumas destas peças.

Por casa 10 dólares em compras é oferecida uma refeição à Feeding America, por isso há ainda mais razões para se encher de estilo.

Via Hypeness







Um jovem vestido de negro e esfomeado bate à porta de uma família turca em Hamburgo - mãe e filho acabam por acolher em sua casa este indivíduo misterioso, pouco falador e cheio de segredos. Apesar das suas tentativas de lhe arrancar de onde e como veio, só muito aos poucos foram conseguindo saber os horrores pelos quais passou.

Diz chamar-se Issa e cedo Annabel, uma advogada idealista especializada em direitos humanos, se ocupa do seu caso, que se afigura muito complicado. Ter chegado a Hamburgo por meios ilegais, ter origem chechena e ser filho de um opressor general russo não ajuda a amenizar a ideia que os espiões de três nações que estão de olho nele elaboraram.

Tendo-se tornado num homem procurado, acaba por pôr em perigo todos os que se mostraram disponíveis para o ajudar. No entanto, este homem tem um objectivo, que passa por dar um uso nobre ao dinheiro do seu falecido pai, obtido por meios muito negros. Uma tentativa de redenção, na qual entra em cena o banqueiro Tommy Brue. Juntas, estas pessoas vão tentar encontrar uma solução para deixar este foragido a salvo.

A história demorou a entranhar - as diferentes perspectivas, contadas à vez, deixaram-me um pouco perdida na leitura, mas conforme o desenrolar dos acontecimentos fui ficando colada. John Le Carré é afinal mestre na espionagem, e também em deixar-nos o bichinho e em fazê-lo crescer. É uma mistura de política, suspense, espionagem com uma grande dose de humanidade. O que faz deste livro uma leitura recomendada.

O livro deu origem a um filme com o mesmo nome, em 2014. Ainda não vi, mas fiquei com muita vontade de ver. Com o falecido Philip Seymour Hoffman, Willem Dafoe e Rachel McAdams.

Um Homem Muito Procurado
De: John Le Carré
Ano: 2008
Editora: Dom Quixote
Páginas: 368

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Um táxi percorre as ruas de Lisboa, como tantos outros. Mas este é especial. Este conta-nos as vidas de por quem lá passa, em especial a vida do seu condutor, Manuel. Pela voz do veículo com curiosidade aguçada, ficamos a par das amarguras de Manuel, da sua família, e dos dramas e pressas de quem repousa o corpo por momentos no banco traseiro, entre um ponto A e um ponto B na cidade de Lisboa.

Ter um táxi como narrador pode parecer estranho, mas garanto que a autora, repleta de mestria, nem por um momento nos provoca essa estranheza. É um relato natural, como se fosse uma conversa entre amigos. O carro observa os bairros, os transeuntes, os moradores à janela, os frequentadores das esplanadas e se ele sabe, nós sabemos também. É um relatar que aceitamos rapidamente e que nos dá sede de saber mais.

E é assim que conhecemos Manuel e que nos sentimos imediatamente ligados a ele, e isso não é por acaso. Todos conhecemos um Manuel, nem que seja de ouvir falar. O taxista bonacheirão, adepto do Benfica e muito tradicional nas suas opiniões. Seguimo-lo enquanto faz os seus trabalhos habituais que incluem levar Daisy, a stripper, ao bar onde dança (a melhor parte do dia), e que deixa, preocupada, o seu filho sozinho no apartamento; ou transportar Olinda, a empregada de uma família rica encarregue de ir buscar à escola os fedelhos mimados dos patrões enquanto os seus próprios filhos a esperam noutro continente.

Manuel tem opiniões muito vincadas, uma maneira de ver as coisas bastante nacionalista e tradicional. Mas tudo muda num dia em que um evento inesperado acontece e toma conta de si. Sem conseguir pensar noutra coisa, dá-se a oportunidade de mudar os seus padrões e, inesperadamente, Manuel vai aceitá-la. Assistimos à sua mudança, e aprendemos que, afinal, burro velho aprende línguas.

Não estava à espera de gostar tanto deste livro. Numa linguagem simples mas surpreendente e original, chega-nos o âmago de uma alma que podia estar perdida, mas na qual a humanidade acaba por vencer. É uma visão muito positiva das coisas, mas nem por isso irreal. E a esperança acaba por tomar também conta de nós que, principalmente depois de ler, acreditamos um pouco mais nas pessoas. E estas pessoas são-nos tão próximas, tão reconhecíveis, tão reais, que a esperança é mais palpável que nunca. Foi o primeiro livro que li da Filipa Fonseca Silva, mas não será concerteza o último.

Amanhece na Cidade
De: Filipa Fonseca Silva
Ano: 2017
Editora: Bertrand
Páginas: 176

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Os livros e o conhecimento não nos trazem popularidade e pessoas à nossa volta, mas trazem-nos coisas muito mais preciosas, incluindo o auto-conhecimento. E, mais uma vez, mais vale sós que mal acompanhados ;)



Os Iron Maiden lançaram em 1995 o álbum The X Factor, do qual faz parte a música "Lord of the Flies", baseada no livro com o mesmo nome de William Golding. É um dos meus livros preferidos e já o li umas quantas vezes (ver review aqui). Quem não o leu, deve fazê-lo rapidamente.

O livro, sobre um grupo de miúdos que se vê numa ilha deserta após um desastre aéreo, conta como o que parece um cenário paradisíaco se transforma num inferno à medida que a sociedade se espelha naquele grupo de rapazes de forma bastante gráfica.

A letra da música reflecte isso muito bem, falando de extensos perigos e da falta de um código moral que provoca emoções díspares quando se luta pela sobrevivência. Não sou fã de Iron Maiden, mas até gosto desta música e da guitarrada. Aqui ficam elas, a letra e a música.


Lord of The Flies, Iron Maiden

I don't care for this world anymore
I just want to live my own fantasy
Faith has brought me to these shores
What was meant to be is now happening

I've found that I like this living in danger
Living on the edge it feels... it makes me feel as one
Who cares now what's right or wrong it's reality
Killing so we survive wherever we may roam
Wherever we may hide we've got to get away

I don't want existence to end
We must prepare ourselves for the elements
I just want to feel like we're strong
We don't need a code of morality

I like all the mixed emotion and anger
It brings out the animal the power you can feel
And feeling so high on this much adrenalin
Excited but scary to believe what we've become

Saints and sinners
Something within us
We are lord of the flies

Saints and sinners
Something willing us
To be lord of the flies 


Não vou para a praia sem o meu livro, isso é certo. Mas se me esquecesse dele (Deus me livre!) preferia estar numa praia com biblioteca para poder matar o bichinho da leitura.

O site NiT fez um apanhado das praias que vão ter bibliotecas de Verão instaladas em praias de Norte a Sul do país, e totalmente grátis, e nós gostamos disso!

Para consultar aqui.


O livro conta cinco histórias passadas em tempos diferentes, entre 1960 e 1999. Duas das histórias são mais longas e três mais curtas, mas todas têm alguns denominadores comuns - os mais óbvios são algumas das personagens que vão passando de uma história para outra, criando um elo de ligação que não é assim tão trivial e pode demorar algum tempo a entender.

A história maior, e para mim, a mais significativa é a primeira. Bobby Garfield tem 11 anos, é órfão de pai e vive com a mãe, uma mulher amargurada e eternamente casmurra e difícil de lidar. A sua vida muda quando Ted, um velho homem com muita experiência de vida, com muito para ensinar e partilhar, se muda para o mesmo bloco de apartamentos.

Vai iniciar-se uma história de amizade entre um adulto e uma criança, mas que não será pacífica. Vai ser perturbada pelas inseguranças e amarguras da mãe contra os homens no geral e porque Ted está a ser perseguido por uma entidade maligna que não se sabe bem de onde vem, mas que representa um perigo real que Bobby, incrédulo no início, vai fazer tudo ao seu alcance para impedir.

Esta primeira história tem muito de fantasia - principalmente pelos perseguidores de Ted, seres completamente únicos saídos da mente de Stephen King - mas também tem muitos ingredientes capazes de agradar a qualquer um - as maravilhas e problemas da infância, a atribulada relação parental, o sentimento de amizade que não olha à idade, o arrependimento, companheirismo ou o medo crescente são apenas alguns.

As outras histórias, apesar de interessantes, não me vou alongar sobre elas porque não me tocaram especialmente. Tendo em comum a Guerra do Vietmane e muitos pormenores históricos e sociais relevantes, considero que se demoram muito tempo numa prosa sem sumo que custa a encontrar direção.

Uma coisa em comum em todas as histórias é o livro "O Deus das Moscas", de William Golding. Uma obra-prima que é obviamente adorada por Stephen King, que o homenageia de uma forma fantástica, encontrando momentos muito especiais para fazer referências, e arranjou formas também menos óbvias de o fazer ao longo de todo o livro.

Há um filme protagonizado por Anthony Hopkins baseado no livro, mas nunca o vi. Tenho a ideia de que será unicamente focado nas relações interpessoais da primeira história, mas sem poder avaliar fica a vontade de ver. Um livro bem diferente do estilo habitual de Stephen King.

Corações na Atlântida
De: Stephen King
Ano: 2001
Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 640

A nossa pontuação: ★★★☆☆

Num mudo cheio de pressões sociais a palavra Liderança surge como uma âncora de esperança para o desenvolvimento pessoal. Liderar na vida pessoal e sermos os condutores da nossa vida são fatores essenciais para se ser feliz, principalmente porque parece ser muito mais fácil ser menos e fazer menos do que dar o melhor de nós todos os dias.

Robin Sharma em "O Líder Sem Título" fala-nos do processo de melhoria de Blake, um funcionário de livraria, frustrado com a sua vida e desesperado com os fantasmas de uma vida militar que o quebrou. Blake conhece Tommy, uma alma sábia, que o vai conduzir ao longo de uma aventura com vários intervenientes mas um só objetivo: como nos tornarmos líderes da nossa vida, sem para isso precisarmos de um título?

Ser o melhor profissional que se pode ser, a melhor pessoa que se consegue ser, dar sempre 100% de nós em tudo o que fazemos, com uma entrega e dedicação em direção ao sucesso, são tarefas desafiantes. Será Blake capaz de libertar o seu espírito de tal forma a que a sua excelência pessoal brilhe mais forte?

Este é também um livro sobre humildade: não importa o que fazemos, todos nós temos uma função no mundo e podemos ser plenos em qualquer coisa que decidamos fazer e isso trará infinitas possibilidades. Com os seus ensinamentos, Robin Sharma desenvolve um plano de crescimento pessoal ( com etapas, siglas interessantes e exercícios fáceis) que permite ao leitor espelhar a viagem de Blake em direção ao seu próprio crescimento.

Um livro simples, à moda do autor, mas capaz de mudar vidas. Se está à procura de um incentivo para ser uma pessoa mais completa e mais dona de si e das suas escolhas, então esta é uma leitura mais do que recomendada.


O Líder Sem Título
De: Robin Sharma
Ano: 2010
Editora: Lua de Papel
Páginas:192

A nossa pontuação: ★★★★☆

Disponível no site Wook onde podem adquirir o livro com 20% de desconto.

A biblioteca de Cincinnati, EUA, tem às suas portas esta fantástica fonte composta por livros feitos em cerâmica. De acordo com a biblioteca, a fonte representa o livre curso de ideias e pensamentos através da palavra escrita. Uma bonita homenagem que também enche a vista.


200 anos se passaram desde a morte de Jane Austen e em jeito de homenagem a escritora vai ter o seu rosto e uma das suas personagens nas notas de 10 Libras. A partir de 14 de setembro, a autora de, por exemplo, Orgulho e Preconceito, uma das obras mais importantes de sempre, vai ser lembrada desta forma e também numa nova moeda de 2 Libras.

Jane Austen torna-se assim na primeira autora a ter a ser homenageada desta forma. No entanto, há uma curiosidade caricata e que está a levantar alguma polémica. Foi incluída uma citação de Orgulho e Preconceito: "I declare after all there is no enjoyment like reading!" - à partida uma boa frase para ser colocada. Só que no livro é proferida por uma personagem que odeia ler, e que apenas o diz para se aproximar de Mr. Darcy...

Independentemente disso é uma óptima homenagem pelo Banco de Inglaterra.

Via The Guardian


Ann tem 16 anos e é a única sobrevivente de uma guerra nuclear que destruiu vidas humanas e devastou o território. Inexplicavelmente, o vale onde Ann morava com a família manteve o ar e a terra limpas e livres de radiação. Ela viu a sua família sair em busca de algo novo e a nunca mais voltar.

Sem pensar que voltaria a ver outra pessoa novamente, e depois de tanto tempo a viver sozinha com a sua horta e os seus animais, Ann vê ao longe sinais de uma fogueira, que se vai aproximando dia após dia. Fica dividida entre a alegria de ver outro ser humano e o medo de este não vir por bem. E é com esse espírito que se esconde e observa o homem que chega vestindo um fato de protecção e com uma botija de ar e um atrelado a reboque.

Quando se sente segura, dá início a um processo de conhecimento mútuo, e apesar de o estranho ser reservado e não querer contar muito da sua vida, Ann acaba por agradecer a sua presença e a fazer planos para o futuro que partilharão. No entanto, nada é assim tão simples, e uma relação que começa por ser fraternal dá lugar à animosidade e à desconfiança.

Vi o filme baseado neste livro há uns tempos, e gostei bastante. A questão é que não têm nada em comum, à excepção da premissa inicial - uma guerra nuclear que destruiu tudo e todos. No livro, Ann é uma adolescente. No filme, é uma mulher feita interpretada por Margot Robbie. Com uma idade mais aproximada do seu visitante, a relação é mais romântica. E, mais importante do que tudo, no filme há dois visitantes, interpretados por Chris Pine e Chiwetel Ejiofor, o que muda todo o enredo drasticamente.

Para além disso, só ao ler o livro percebi o significado do título original - "Z for Zachariah", que não vou desmistificar e esperar que leiam. No filme tinha ficado a leste quanto a este ponto. De qualquer modo, a leitura e o filme valem igualmente a pena. É uma história misteriosa, um thriller diferente do habitual. No livro, a voz da ação é um pouco mais adolescente, visto a protagonista o ser, o que lhe dá um sentido diferente, mas não menos bom. Por fim, quero só mencionar que o livro tem mais de 40 anos, coisa que só descobri depois de ler, e fiquei maravilhada com a visão futurista apresentada na altura.


Os Últimos na Terra
De: Robert C. O'Brien
Ano: 1974
Páginas: 168
Editora: Editorial Presença

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

Os Estados Unidos têm, pela primeira vez, uma mulher à frente do país. E é neste cenário, que podia ser o actual, que se desenrola este thriller. Numa visita à Noruega, à partida um país seguro e pacífico, a Presidente Helen Lardahl Bentley simplesmente desaparece do quarto de hotel onde permaneceu.

Sem qualquer rasto, sem imaginarem como a mulher mais importante do mundo simplesmente se desvaneceu sem deixar rasto numa suíte vigiada, com vários relatos confusos de avistamentos por parte de testemunhas, as autoridades estão completamente desorientadas. Esta premissa por si só é interessante o suficiente para compor um livro aceitável. Mas não é o caso. Foi uma desilusão. Explicando.

É simplesmente uma seca. Tudo demora imenso tempo a acontecer. As descrições das situações, das personagens, dos cenários, são longas, desconexas, pouco interessantes e em nada contribuem para o desenrolar da história. A linguagem usada é um bocado fria, os diálogos são irreais, enfim, em resumo, não sei como aguentei até mais de metade do livro. Estava à espera que melhores páginas viessem. Só que não.

Esta autora norueguesa é bastante aclamada no género thriller e talvez lhe dê outra oportunidade noutro livro, mas este para mim foi uma má experiência. Não considero que seja uma ideia difícil de levar para a frente, simplesmente as cartas não foram bem jogadas.


A Senhora Presidente
De: Anne Holt
Páginas: 296
Ano: 2011
Editora: Contraponto

A nossa pontuação: ★★☆☆☆
Disponível no site Fnac

Esta é, possivelmente, a canção mais cantada e com a letra mais reconhecível logo depois do hino nacional. Já ouvi chamarem-lhe de tudo : "Anel de rubi", "Mesmo sabendo que não gostavas", "Não se ama alguém que não ouve a mesma canção", "Aquela do Rui Veloso que fala do Tivoli"...

Primeiro, não é do Tivoli, é do Rivoli (Lisboetas, malandrecos, a quererem ficar com a música para eles)... Segundo, a música chama-se "A Paixão (segundo Nicolau da Viola)", mas certo certo é que bastam uns acordes de harmónica para a loucura se instalar e todos, jovens e menos jovens, começarem a cantar como se lhes escapasse o coração pela boca.

Já tive o prazer de ver o Rui tocar ao vivo umas quatro vezes e chamo-lhe Rui porque já são tantos os anos em que as músicas dele me falam "áialma" que o Rui é como se fosse família. Vem dos tempos das cassetes e do walkman colorido da Sony, e ainda hoje toca no meu smartphone chinês, sempre para me animar o espírito enquanto o afoga na candura delicodoce desta sua música. 

Podem dizer que a letra não é das mais complexas, que as rimas são simples, e que parece um poema de um adolescente, mas não é exactamente dessa pureza juvenil que nascem as melhores memórias e as mais belas histórias de amor? E não deve um poema falar ao coração com essa mesma pureza e beleza?

Digam-me, há lá coisa melhor do que o casamento da lírica com a composição entre o Carlos Tê e o Rui Veloso? Pelo menos no mundo da música, não sei se há. Não sei mesmo.

Ora vamos lá, soltem os pulmões e.... bem, esta dispensa letra. Messsssmooooooooo sabeeendo que não gostavas, empenheeeeiiii o meu aneeeel de ruuubiiiiii... 


Esta é a sequela do The Shining. Dan Torrance, o miúdo que viveu horrores no hotel Overlook, é agora um adulto atormentado pela sua capacidade especial, o tal "brilho", e decidiu afogá-lo e adormecê-lo na bebida. Devido a estes abusos, tomou muitas decisões que o corroem por dentro.

À deriva e sem rumo, acaba por conhecer pessoas que o levam a querer mudar de vida e a assentar. E é nessa fase da sua vida que aparece Abra, uma menina que tem "o brilho" mais intenso que ele já sentiu. À medida que vai crescendo, e apesar dos quilómetros entre eles, vão comunicando telepaticamente, criando uma amizade fora do comum.

E é quando Abra é uma adolescente e precisa da ajuda de Dan que finalmente se conhecem pessoalmente. Só duas pessoas com "o brilho" se podem entender e ambos sabem o que é lidar com a incompreensão. Abra conta a Dan sobre uma comunidade que lhe quer fazer mal, um grupo de pessoas, não necessariamente humanas, que querem alimentar-se do brilho dela para continuar a viver.

Abra e Dan vão fazer de tudo para os impedir, assim como algumas pessoas à sua volta que acabam por confiar neles e nas suas capacidades, levando a uma grande odisseia em nome da sobrevivência dos bons da fita.

Normalmente, afasto-me a sete pés destes temas paranormais. Mas, sendo o meu querido Stephen King, e uma sequela de um dos meus livros preferidos, dei a oportunidade e não me arrependi. Está tão cheio de suspense e tão bem construído que segui o livro a arfar por mais uma página. Tem mistério, e aquela capacidade única de nos deixar agarrados à história e às fantásticas personagens, super bem caracterizadas e que nos inspiram tantos sentimentos. Viciante.

Doutor Sono
De: Stephen King
Ano: 2013
Editora: Bertrand
Páginas: 584

A nossa pontuação:  ★★★★☆
Disponível no site Wook.



Livro da pesada
As mais de 500 páginas desta odisseia tornam este livro um elegível para esta categoria... Ideal para: dar uma marretada na cabeça dos que duvidam das suas próprias capacidades!
Mostrem-lhes esta imagem 😋 Vai uma linguiça filosofal?



Livros que dão origem a filmes há aos pontapés; já casos de filmes que inspiram livros são mais raros. Mas é este o caso. O livro "Alien - O 8º Passageiro" é baseado no argumento original do filme.

Quase todos já viram o filme, é daqueles clássicos imperdíveis e que vão ficar para sempre na história do cinema. Escuso de contar a história. O que posso dizer é que, ainda assim, vale a pena ler o livro. Mesmo tendo visto o filme tantas vezes, não deixou de ser super emocionante. E percebemos melhor os sentimentos que atravessam os personagens, os seus medos e desconfianças. Sabemos o que lhes passa pela cabeça sem a necessidade da vocalização ou expressão física.

E é muito mais completo. Provavelmente cortaram muitas cenas do filme para não ficar demasiado longo, porque há situações bastante significativas no livro que não constam na película. Depois de ter terminado a leitura, revi o filme e, pela primeira vez nestas décadas de Alien, senti que faltava qualquer coisa.

É uma adaptação notável de Alan Dean Foster, sem dúvida.

Alien - O 8º Passageiro
De: Alan Dean Foster
Ano: 1979
Editora: Publicações Europa-América
Páginas: 200

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

Robin Sharma é um dos autores motivacionais mais influentes e mais lidos da actualidade. É dono de um dom único para ir de encontro às necessidades mais prementes dos seus leitores e possibilitar a todos estratégias simples de desenvolvimento pessoal.

É o autor de um dos mais conhecidos livros do mercado do Coaching "O Monge que Vendeu o Seu Ferrari" e tem sido mestre para muitas pessoas que procuram mudar de vida: emprego, relações amorosas, conflitos internos. Hoje falamos da obra "O Santo, o Surfista e a Executiva", que nos leva pelos caminhos da excelência pessoal através da história de Jack Valentine, um jovem de carreira promissora que sofre um acidente de viação que vai mudar a sua vida.

Jack, como muitos de nós, quer resposta às dúvidas mais comuns na sociedade actual: como posso ser mais feliz, dar mais aos outros, ser mais pleno e mais verdadeiro? Estas respostas vão ser acordadas dentro de si por três mestres que vão partilhar com Jack o caminho para Si Mesmo e, consequentemente, para a Felicidade.

Será Jack capaz de vencer os seus medos e a sua desconfiança natural e embarcar numa viagem inesperada pelo mundo? Terá ele coragem para enfrentar os desafios e mudar de vida e, acima de tudo, de pensamento e atitude?... E nós, seremos capazes?

"O Santo, o Surfista e a Executiva", um livro de aprendizagem essencial para quem quer crescer por dentro de tal forma que a sua vida exterior seja um reflexo da magnificência da interior.


O Santo, o Surfista e a Executiva
De: Robin Sharma
Ano: 2014
Editora: 11 x 17
Páginas:272

A nossa pontuação: ★★★★☆

Disponível no site Wook onde podem ler uma pequena amostra do livro.





Quem trabalha ou já trabalhou num escritório já sentiu o que é odiar alguém que temos de ver todos os dias; ou assistiu a comportamentos insólitos, bisbilhotice elevada ao cubo, e muito mais. Este livro é um relato exaustivo de alguns dias passados numa agência de publicidade, que, ainda por cima, está a passar por maus momentos e vê os despedimentos tornarem-se também assunto do dia.

Facadinhas nas costas, empregados obcecados pelo trabalho e outros obcecados com as pausas, muitas conversas na copa, técnicas para parecer que se está cheio de trabalho, colaboradores enraivecidos e com desejos de vingança, romances sórdidos no escritório, tudo isto e mais se passa neste livro, que já foi comparado com a série The Office.

Tem partes muito divertidas e faz soltar umas gargalhadas, especialmente a quem, como eu, trabalha em escritório e sente empatia com as várias situações e se consegue ver na pele de alguns personagens.

A narrativa não segue uma situação ou enredo específico, estando "all over the place" todo o tempo, e talvez seja a parte mais negativa. É um livro longo e que descreve todas as situações muito ao pormenor, e quando não existe uma linha de pensamento e seguimento na narrativa pode aborrecer um pouquinho. Mas gostei!

Então Chegámos ao Fim
De: Joshua Ferris
Ano: 2007
Editora: Casa das Letras
Páginas: 360

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
A primeira história do urso Paddington foi escrita em 1958. E o seu autor, Michael Bond, que faleceu há poucos dias, escreveu praticamente até ao fim da vida, tendo lançado a última aventura do adorável urso em Abril último.

Michael Bond partiu aos 91 anos, e deixou com ele uma das personagens mais acarinhadas de sempre que até teve adaptação cinematográfica há poucos anos. O urso natural do Peru e que adora marmelada é um exemplo de entusiasmo e optimismo que marcou várias gerações.

Que descanse em paz.


Acalmem-se corações ansiosos, sosseguem almas inquietas! A nova temporada de Game of Thrones estreia já no próximo mês, dia 17, no canal Syfy.

Depois de tanta espera finalmente o Inverno mais desejado está prestes a entrar-nos pelo ecrã com a sua neve de intrigas e tempestades de personagens sanguinárias. Como este blog tem a sua componente de serviço público, cabe-nos informar que quem perdeu um ou outro episódio das últimas temporadas não precisa mais de entrar em modo auto-punitivo: todas, repito, TODAS as temporadas completas vão ser emitidas no canal Syfy de 11 a 16 de Julho.

Preparem as pipocas, vai ser uma maratona épica! E para quem nunca viu a série, bem... está na hora de corrigir isso!*



*Aviso! Caso não procedam à correcção: não nos responsabilizamos se forem perseguidos mortalmente por white walkers ou se forem condenados a casar com a Cersei ou se forem comidos pelos dragões enquanto a Daenerys pega fogo às vossas coisas. Fica o aviso. 
Com esta opção, nunca se está mal acompanhado...


Ah pois é... esta até já me calhou. Ficarem indignados por eu pegar num livro, e depois não tiram os olhos dos telemóveis! Que lata! Mais valia pegarem em livros também...





Ora aqui está um clássico intemporal imperdível. O livro, lançado em 1842, conta a história de Júlia em várias fases da sua vida. Está dividido em seis partes, cada uma correspondendo a uma idade e fase desta mulher que carrega em si um peso enorme do início ao fim.

Contrariando os conselhos do pai, casa com o homem errado
Ainda era uma jovem quando se apaixonou pelo coronel Vitor D´Aiglemont. Contra todos os avisos do pai, que tentou por todos os meios dissuadi-la de o fazer, acabou por casar com ele, e não demorou muito até dar razão ao progenitor. Viu-se presa num casamento sem cor com um homem de integridade duvidosa que não fazia o mínimo esforço para compreender a mulher.

Um jovem inglês misterioso aparece na sua vida
A um certo momento, um jovem inglês aparece na vida de Júlia, que fica lisonjeada por aquilo que parece ser um interesse romântico por ela, mas nada ela pode fazer, afundando-se num sentimento de obrigação e lealdade perante o marido. Infeliz, prossegue a sua vida até o inglês aparecer de novo, desta vez tornando-se um amigo da família e, como tal, mais perto do coração de Júlia.

A vida de Júlia prossegue com um grande peso
Os anos vão passando, Júlia e o marido vão-se evitando, mudam várias vezes de local devido às exigências da guerra, e até acabam por ter filhos. Mas vivendo vidas cada vez mais separadas, Júlia apaixona-se novamente por outro homem, mas uma grande desgraça vai bater-lhe à porta, atirando-a ainda mais para o abismo e nada parece fazê-la conseguir sorrir de novo. Vemos as décadas passar por esta mulher à medida que os filhos vão crescendo e algumas pessoas à sua volta vão desaparecendo.

Gosto destas histórias trágicas e que retratam tempos bem diferentes daqueles que vivemos. Aqui, principalmente, quando a mulher era abalada pela infelicidade mas escolheu uma vida recatada, calma e serena, aceitando a sua depressão, fazendo esta já parte da sua personalidade. As descrições, tanto dos vários cenários, das casas, das roupas, e também, claro, dos sentimentos, são de um realismo fantástico e raro. A narrativa é densa mas nunca baixa o ritmo, pelo que não se torna cansativa.

A nota final tem de ser dirigida ao foro psicológico desta personagem feminina, numa abordagem rara em que esta é vítima mas ao mesmo tempo a culpada da sua depressão. Punindo-se a ela primeiro, e aos que a rodeiam depois, carrega uma aura de mártir desnecessária que nem a sua beleza consegue esconder.

A Mulher de Trinta Anos
De: Honoré de Balzac
Ano: 1842
Editora: Difel
Páginas: 180

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

O Centro Nacional de Cultura abraça mais uma edição do projecto Disquiet, que traz ao nosso país cerca de 90 escritores norte-americanos que, durante 15 dias, vão participar numa Universidade de Verão onde os autores vão ter "um contacto tão abrangente quanto possível com diferentes aspetos da cultura portuguesa, destacando naturalmente o literário, dando-lhes assim a oportunidade de conviver com escritores e poetas lusófonos de diversas gerações, instituições ligadas à cultura portuguesa, etc.”, segundo o CNC.

Esta iniciativa fantástica conta também com autores portugueses convidados como José Luís Peixoto e Gonçalo M. Tavares e pretende aproximar as culturas, possibilitando aos visitantes a oportunidade de criar laços e desenvolver conhecimentos que serão uma mais-valia evidente para a criação literária.

Saibam mais sobre o Disquiet 2017 no site oficial do CNC e aproveitem para conhecer melhor os escritores e formadores convidados, os eventos paralelos e o programa completo de dia 25 de Junho a 07 de Julho. Visitem também o site oficial do Disquiet que é puramente brilhante. 


Esta publicação nasce do amor que sinto por esta música e como uma homenagem ao autor Manuel Alegre que, finalmente, depois de décadas a cantar a liberdade nos seus versos foi honrado com o Prémio Camões. Parabéns ao poeta, aqui cantado na voz de Carlos do Carmo. Eterno.

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarras nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

Eu cá não acredito em coincidências :P



Livros nunca são suficientes, pá!


É ou não é? :)

Ele pode ter feito cocó no sapato... mas quem é que consegue ficar zangado com esta carinha linda? Este livro reúne cartas do cão Doggie para os seus donos que o adoram, a desculparem-se pelas asneiras que fazem. Foi escrito pelo comediante Jeremy Greenberg e contém 50 cartas acompanhadas com fotos que, apesar da estranheza, aposto que são super amorosas!

Disponível na Amazon.



João Melo, escritor e jornalista angolano, oferece-nos neste livro uma série de pequenas histórias que têm como protagonistas homens comuns, que à partida não teriam nada de assinalável para serem os actores principais de história alguma.

Mas acontece que é na normalidade que se escondem segredos de várias ordens, e é-nos mostrado, por A mais B, que cada um deles, assim como cada um de nós, somos merecedores da atenção. São-nos revelados pormenores das suas vidas com muito humor negro, descrições super cómicas e situações inusitadas que revelam estes seres, à partida, envoltos em normalidade. O nome do livro advém da primeira história do livro, sobre o homem que não tira o palito da boca, esse protagonista que mais tarde ou mais cedo todos encontramos na nossa vida, que nos causa um misto de repugnância e curiosidade...

A escrita é muito assertiva mas cheia de estilos; bastante explicativa, perfeccionista e requintada, explorando vários temas pertinentes e eternamente actuais, em especial na realidade Angolana - a família, o dinheiro, o racismo, a prostituição ou a indecência. Nem Portugal escapa às críticas, sendo mencionado mais do que uma vez...

Um livro para descobrir de alma aberta, mascarado como uma brincadeira, mas que denuncia e incomoda na sua ironia permanente.

O Homem Que Não Tira o Palito da Boca
De: João Melo
Ano: 2009
Editora: Caminho
Páginas: 176

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Poderia ser mais uma das pessoas a parabenizar o Salvador (e sou). Poderia ser mais uma das pessoas a dizer que esta música da Luísa é uma bela homenagem à simplicidade harmoniosa da nossa língua (e sou). Poderia até ser mais umas das pessoas a agradecer a ambos o facto de terem sacudido o glitter plastificado e a maquilhagem esborratada do Festival da Canção e criado uma música que vale por si, sem artifícios (e sou). Mas prefiro apenas ser uma das pessoas que fica calada a ouvir, porque a música, quando é assim, vale por si e tem voz própria, sem necessitar de advogados outros que a sua natural e indiscutível qualidade.

Deixo um suspiro de alívio e um "Graças a Deus! Ainda há poetas e trovadores em Portugal." Cantemos:
Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez, devagarinho, possas voltar a aprender.

Se o teu coração não quiser ceder 
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois.


Eu avisei que sofria de esquizofrenia literária. Isto dito, em seguimento desta publicação, hoje venho falar de mais um livro que marcou a minha juventude : "A Metamorfose" de Franz Kafka

Como qualquer boa adolescente amante de literatura, sem borbulhas ou óculos, mas transtornada com as questões do Ser, tive a minha fase existencialista. Assoberbada de hormonas e nos meandros do auto-conhecimento dediquei meses à leitura dos mais variados títulos de Camus a Malraux e embrenhei-me nos fantasmas Kafkianos como que bêbada de vontade de sentir o Nada em pleno. 

Foi neste inebriamento que se destacou o "A Metamorfose". Caminhei lado a lado com Gregor Samsa, no absurdo da sua dor e solidão, página a página, sofregamente e ansiosamente à espera de respostas: como um insecto? Porquê uma maçã? De onde vem esta aceitação bolorenta do monstruoso?

Lembro distintamente, como se fosse hoje,  a náusea que me acompanhou durante esta leitura. Um insecto porque é insignificante, tão repugnante aos outros que repugna o próprio; uma maçã, talvez por representar o conhecimento, como quando nos vemos ao espelho e à nossa fealdade (a do Homem) de tal forma que esse conhecimento se impregna como erva daninha no espírito; aceitação, talvez porque nada mais resta do que estar conformado com a solidão, a exclusão... afinal, de que outra forma sobreviveríamos à crueldade humana e à alienação inevitável da sua natureza?

As obras de Kafka são como uma chapada, ou melhor, um murro no estômago. Nelas se vê o Humano nú, fragmentado, disperso em pensamentos e acontecimentos que parecem perder na lógica o que ganham em verdade. O absurdo é um recurso natural nos livros de Franz, as personagens e enredo afogam-nos desde as primeiras palavras num estado de estranheza que nunca mais nos larga:

"Metamorfose", Paula Rego
"Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de insecto."

Assim começa o livro. Sem introdução colorida nem floreados descritivos, apenas assim. Uma obra marcante, inquietamente simples na escrita, mas uma leitura humanamente complexa nas questões que desperta. Para sempre na memória.

Mais sobre o livro na Wook.