Já sabemos que os livros para colorir estão na moda... Faltava colmatar uma lacuna neste meio e os arquitectos Jen e Mira acabaram com ela - criaram um livro para colorir inspirado em pénis.

Os dois acham que se pintar uma mandala, por exemplo, alivia o stress, um pénis também o faz e acrescenta ainda uma componente divertida. Olhando para os exemplos, gosto bastante do humor e do tipo de desenho - sou o tipo de pessoa que pintaria isto. Uma potencial cliente para pipis.

Conheçam melhor a história deste arrojado livro aqui.




Nesta fotogaleria, o National Geographic sugere-nos 14 bibliotecas fantásticas espalhadas pelo mundo inteiro. São todas arrebatadoras. Algumas são mundialmente conhecidas, outras foram belas surpresas para mim, tal como esta em baixo que escolhi para representar este post.

É a primeira biblioteca de Muyinga, construída pelas pessoas da comunidade, feita com terra, argila e eucaliptos. Um projecto simples na estrutura mas fenomenal - a cultura erguida pelas próprias mãos.

Ver artigo aqui.


Totalmente! :D


E por isso não resisti a partilhar :)


 

O meu gato não consegue resistir a morder as lombadas dos livros...principalmente os livros que eu estou a ler. Atenção! Morde com os caninos! O conhecimento deve ser ameaçador para ele... é um devorador de livros. Mais alguém tem em casa um bichano assim?

Estante-robô na Taipei International Book Exhibition de 2015. Parece-me uma óptima ideia para a secção juvenil de uma biblioteca... ou para a mansão de alguém! Agora se é prática, não me parece ;)


Jacob tem 16 anos e cresceu a ouvir histórias mirabolantes do avô - tão mirabolantes que nunca acreditou totalmente nelas. O avô Portman contava coisas sobre a sua própria adolescência numa ilha distante habitada por crianças peculariares com talentos, no mínimo, diferentes. Tinha até fotografias antigas que o provavam, mas o neto achava que eram manipuladas e ninguém da família levava o senhor a sério.

Isto até ao dia em que a desgraça bateu à porta, e a morte levou o avô de Jacob de forma misteriosa e macabra. Jacob assistiu, com os seus próprios olhos, a algo que o avô o tinha alertado mas que ele nunca acreditou. As suas últimas palavras, sussurradas no momento da morte, fizeram com que o neto se sentisse culpado e a querer tirar os nabos da púcara em relação à história de vida do avô.

Completamente transtornado por aquilo que viu, Jacob viu os seus pais preocupados e a insistirem que consultasse um psiquiatra. Assim foi, e a conselho deste, viajou com o pai até à tal ilha distante que teria servido de casa ao avô. Tinha o objectivo de procurar aquele lar que o acolheu quando era jovem, e talvez encontrar alguma daquelas crianças peculiares, já crescida, que lhe lançasse algumas luzes sobre a vida do avô.

E assim se inicia uma aventura surreal, com muito de fantasia, mas também de suspense e mistério. É um livro para todas as idades, mas como não sou fã destas histórias de adolescentes aconselho a leitura aos mais novos. No entanto, admito que é uma leitura muito cativante para o género.

Uma das partes melhores do livro são as dezenas de fotografias vintage que o acompanham, de crianças com algum talento especial, ou de locais com estranhas características. Só quando cheguei ao fim do livro fiquei a saber que aquelas fotografias são mesmo reais, não manipuladas, o que alterou a minha percepção da narrativa.

Este livro deu origem a um filme, realizado por Tim Burton, em 2016, protagonizado por Eva Green. Nunca tive pachorra de ver porque a fantasia não é de todo o meu género, mas fiquei com uma certa vontade depois de ler o livro.

O Lar da Senhora Peregrine Para Crianças Peculiares
De:  Ransom Riggs
Ano: 2011
Editora: Bertrand
Páginas: 344

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Esqueçam as buzinadelas, as vozes alteradas, as travagens, as sirenes, a televisão, as aceleradelas... Estes seriam os únicos sons de um dia perfeito!


Um casal de Nova Iorque remodelou a sua casa para atender às suas grandes paixões - gatos e livros. Os felinos têm agora longas passarelas para se exibirem, passagens secretas e pequenos recantos só para eles.

Os livros também têm protagonismo, com estantes especiais criadas pelo proprietário, que é artista. Quem me dera um dia poder ter o meu recanto personalizado para os meus livros e para os meus gatos :)





Eu não sou fã do feiticeiro... mas imagino que os seguidores de Harry Potter vão gostar e chorar por mais! 😃


Hoje, um dos meus escritores favoritos faz 46 anos. Parabéns ao Valter Hugo Mãe, e que nos continue a agraciar com as palavras mais belas e sábias, espalhando a graciosidade da língua portuguesa por aí. O livro "O Filho de Mil Homens" há-de ficar sempre no meu coração como o primeiro livro que me fez chorar.

Adolf Hitler acorda em 2011, nas ruas de Berlim. Não sabe o que se passa - não está no seu bunker, não reconhece ninguém. Vê pessoas vestidas de modo estranho nas ruas com um aparelho encostado ao ouvido. Vê carros, mas mais pequenos e feios do que aquilo que está habituado. Os céus estão livres, não há ruínas, as ruas estão limpas. E, pior do que tudo, os turcos em todo o lado.

O que é feito dos soldados? Dos seus companheiros? Das trincheiras? De Eva Braun? Adolf sente-se completamente perdido, mas acaba por conhecer pessoas que o vão ajudar... Não é todos os dias que um homem igualzinho ao Hitler deambula pelas ruas no uniforme oficial do seu tempo. Tomam-no por um actor, e aí começa uma nova etapa da sua vida.

Com um discurso assertivo, com conhecimentos históricos inigualáveis, com um modo de ser autoritário e com os seus extremos ideais que todos conhecemos, o Sr. Hitler surpreendeu todos por ser igual... ao Hitler. E por mais que ele insistisse que era o próprio, só fez com que o levassem mais a sério como actor.

Este é um livro que gerou muita polémica, porque já se sabe que "há coisas com que não se brinca". Mas a sátira existe há demasiado tempo para estarmos agora com mariquices. E esta é uma sátira excelente, com um humor negro fantástico, extremamente divertida. Da minha parte só peca por algumas descrições políticas mais longas do que o desejado - de resto, é uma história fabulosa que me arrancou algumas gargalhadas.

É ao mesmo tempo uma forte crítica - ao jornalismo, aos alemães que permitiram que o nazismo proliferasse, à sociedade de consumo, à vida moderna - é uma ode ao entretenimento para ler com a mente aberta. Ah, e faz parte do Plano Nacional de Leitura (muito bem!).

Ele Está de Volta
De: Timur Vermes
Ano: 2012
Editora: Lua de Papel
Páginas: 304

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.


Há muito, muito tempo atrás, no Japão, por altura da guerra, um grupo de crianças que apanhava cogumelos na montanha perdeu os sentidos. Todas as crianças caíram prostradas perante o pânico da professora. Todas acabaram por vir a si passado algum tempo, menos um rapaz, Tanaka. Depois de um grande período em coma, Tanaka acabou por acordar do transe sem qualquer memória. Tinha desaprendido até de ler. Não sabia quem era. E nunca mais foi o mesmo, ficando com dificuldades de aprendizagem para o resto da vida, mas passou a conseguir falar com gatos...

Nos dias de hoje, um jovem de 15 anos foge de casa e de uma vida familiar confusa e exasperante. Sem rumo definido, quis o destino que Kafka encontrasse um local mágico que teve o condão de conseguir fazer com que se sentisse em casa. No entanto, não foi uma jornada curta nem pacífica, mas permitiu dar-lhe um rumo e conhecer as pessoas mais importantes da sua vida.

Estas histórias são-nos contadas em paralelo com muitas mais, todas confluindo para vários pontos em comum que formam uma história principal de uma beleza extraordinária, repleta de significados em todo o lado. Com uma espiritualidade palpável tornada completamente credível pela mão de Murakami, este livro desperta um outro lado de nós com as profundas ligações à alma, à natureza, aos animais e à musica que caracterizam o autor.

É um livro cheio de coincidências que nos fazem pensar, metáforas que nos fazem questionar, factos que aprendemos, diálogos fantásticos, situações surreais, num grande e viciante volume que acaba por parecer curto. Murakami está na linha da frente dos meus autores favoritos.

"Que viva como se estivesse já morto: não terá mais nada a temer"

Kafka à Beira-Mar
De: Haruki Murakami
Ano: 2002
Editora: BIS
Páginas: 592

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Li pela primeira vez este livro há cerca de 7 anos. Na altura revolucionou a minha maneira de pensar e compreender as escolhas que fazemos enquanto consumidores e como essas escolhas afetam a nossa qualidade de vida e o meio ambiente.

Duane Elgin é um autor e orador americano conhecido pelos seus estudos e intervenções ativistas onde aborda o tema da simplicidade como modelo para um estilo de vida mais equilibrado, sustentável e consciente. Em "Voluntary Simplicity", cujo titulo acrescenta "Toward a Way of Life That Is Outwardly Simple, Inwardly Rich",  Elgin clarifica e desmistifica o conceito de vida simples, comprovando através de estudos e uma vasta lista de referências que escolher uma vida menos complexa não é sinónimo de pobreza ou restrição, mas sim de conexão com o que é realmente importante : as relações humanas e a natureza.

Através da exposição dos mais vários testemunhos de pessoas das mais diversas profissões, graus académicos e motivações, Elgin fala de simplicidade com a simplicidade que ela exige, optando por educar por exemplo os leitores que pretendem mudar de vida e escapar às teias do consumismo, optando por uma alimentação e um comportamento mais adaptado às reais necessidades do Ser Humano. Precisaremos de tanta coisa para ser felizes ou estaremos apenas a tentar preencher as nossas vidas de barulho e coisas para esconder os buracos que uma sociedade fragmentada causa?

Numa altura em que as notícias parecem atoladas de desastres ambientais e em que o Irma está a devastar cidades, já para não falar de todos os incêndios, vagas de calor mortíferas e secas históricas, este livro não poderia ser uma leitura mais obrigatória.

Há que ter em conta que esta obra foi escrita em 1981, altura em que a incredulidade em relação às consequências ambientais das nossas escolhas era mais forte do que a previsão fatalista de um mundo onde o clima passaria a ser o nosso maior inimigo. Li em 2010 a edição que fora revista em 1993, ainda longe deste mega boom da internet que faz com que estejamos em Portugal a ler sobre um tsunami a milhares de quilómetros de distância. É, por isso, impressionante (e triste) perceber que ignorámos alertas durante mais de 30 anos...

Nunca é tarde demais para mudar. Ler este livro pode ser o primeiro passo.

Voluntary Simplicity
De: Duane Elgin
Ano: 1981 ( revisto em 1993)
Editora: Harper ( edição 2010)
Páginas: 380

A nossa pontuação: ★★★★☆

Disponível no site Wook na versão portuguesa e na Amazon na versão original .








Aquela sensação que nos preenche quando começamos a ler o livro do vizinho no comboio, no metro, no autocarro... O pior é quando estamos a ler a contracapa do livro da pessoa sentada à nossa frente e não conseguimos acabar a leitura porque a pessoa, entretanto... pronto...sai.*









*e não vale a pena dizer que "parece mal" ler o livro alheio, ás vezes é algo inconsciente. Afinal de contas, o meu nome é Naturalmente Cusca, certo? Está bem, já sei que pior mesmo é sentir a respiração de alguém que está a ler o nosso livro, como que um suspiro constante no nosso pescoço nu e num qualquer meio de transporte de Lisboa, mas fica a dica: se não gostam arranjem um carro que assim já não vos ando a ler os livros no Metro. Tenho dito. Pimbas!

Coleman Silk é um homem inteligente, reitor da universidade e respeitado no seu meio, até que um mal entendido faz com que seja acusado de racismo. Aí, todo o respeito e admiração que tinha construído desvaneceram-se num ápice. Amargurado, Coleman fala com um escritor para que a sua história possa ser contada, e é através da voz deste que nos chega o relato da sua vida.

Saltamos entre vários tempos, conhecendo Coleman desde que era um adolescente que gostava de praticar boxe, a sua família, os seus gostos, mas mais importante do que tudo, aprendemos que este homem, que viveu como branco a maior parte da sua vida, é negro. Saiu-lhe na lotaria que tivesse a pele clara e declarou-se como branco para poder fazer tudo o que os negros não podiam - por exemplo, alistar-se na Marinha ou escolher a sua própria universidade. Foi um logro que o fez afastar-se da família, renegando as suas origens e escondeu-o de toda a gente, passando a vida com este segredo às costas.

Agora que é um ex-reitor na casa dos 70 e que conheceu uma mulher muito mais nova que carrega uma bagagem ainda maior do que a dele e que o fez renascer, sentimos a empatia por este homem que se escolheu a si próprio, sempre, em qualquer circunstância, num acto egoísta mas que, quando nos é apresentado ao longo do livro, nos comove.

Philip Roth tem um tipo de escrita único, que não é fácil, mas que se tivermos atenção tem algo de belo e mágico. É uma linguagem erudita mas com uma simplicidade surpreendente, características raras e que me fazem questionar como é que este homem ainda não foi agraciado com o Nobel (entre muitos outros prémios, tem um Pulitzer).

Este livro deu origem a um filme em 2003, com Anthony Hopkins e Nicole Kidman nos principais papéis. Vi há muito tempo, lembro-me de gostar, mas tenho de o rever agora à luz do livro.

A Mancha Humana
De: Philip Roth
Ano: 2000
Editora: Dom Quixote
Páginas: 380

Disponível no site Wook.
A nossa pontuação: ★★★★☆

Já diz o ditado que de santo e louco todos temos um pouco e neste pequeno conto novelesco (chamemos assim na dificuldade de melhor definir) esse ditado ganha uma nova tonalidade e uma reforçada confirmação.

"O Alienista" tem como principal protagonista o Dr. Simão Bacamarte, psiquiatra para quem a ciência é uma religião. O Dr. Simão é um homem de honra e valores morais irrefutáveis que decide criar um asilo em Itaguaí para abrigar todos quantos revelassem sinais de loucura podendo assim estudar cada caso profundamente e procurar a cura adequada para cada insanidade. Pelo bem da sociedade e da pesquisa cientifica, claro!

Surge no entanto uma questão: se todos temos um tanto de loucura, seremos todos loucos ou fará esse pedaço de loucura parte da nossa sanidade mental? E é neste limiar que se desenvolve este livro. Machado de Assis faz uma análise com iguais doses de sátira, ironia e seriedade à sociedade da sua época e é impressionante como se pode transportar um texto do século XIX e o mesmo ser tão adequado aos dias de hoje tanto para os cidadãos como para as organizações politicas.

Representará o Dr. Simão Bacamarte o modelo perfeito de sanidade mental, com o seu olho clínico, como que um anjo da guarda da razão e da ciência? Ou será ele mais louco que todos no extremismo da sua ciência empírica? É isso que vamos descobrir neste livro "O Alienista" ao mesmo tempo que revemos nas suas personagens tantos dos nossos comportamentos e julgamentos.

Leitura recomendada pelo plano Ler+ e um clássico imperdível que faz parte da coleção Ler Faz Bem da revista Visão da qual já falámos aqui.


O Alienista
De: Machado de Assis
Ano: 1882
Edição: Visão Ler Faz Bem

A nossa pontuação: ★★★★★
Disponível também no site Wook.




Destas festas, claro ;)


Este livro junta algumas crónicas curtas de Miguel Esteves Cardoso, ao jeito de outras que já aqui falámos anteriormente. Estão "arrumadas" de acordo com temáticas muito claras e, para mim, mais humanas do que nunca.

Vê-se que foram escritas numa fase muito emocional, onde o ponto alto é a relação com a mulher, sobrevivente de um cancro. Este homem tem a capacidade de pôr em palavras as coisas simples que normalmente se complicam na nossa cabeça. São como sentimentos descodificados e dá gosto "ler a vida" assim.

Não é um livro aconselhado a quem procura um fio condutor - não é uma história com princípio, meio e fim - há que estar preparado para histórias muito curtas, que às vezes não passam de um relato de um episódio fugidio da vida do autor, ou da explicação pormenorizada de algo concreto que o incomoda. O que é comum a todas, é que parece que as conseguimos "vestir" que nem uma luva. Todos já demos aqueles passeios que sabem por uma vida, ou ficámos presos num momento em que embasbacamos a olhar para a pessoa amada, ou que ficamos pasmados com a inteligência de um gato, ou simplesmente temos uma refeição que vai ficar para a história. E tudo isto mora no livro.

São como fotografias fogazes e poéticas de uma vida como a nossa, escritas por um dos autores que mais conhecimento tem da nossa língua e que melhor uso lhe dá.

Amores e Saudades de Um Português Arreliado
De: Miguel Esteves Cardoso
Ano: 2014
Editora: Porto Editora
Páginas: 328

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Porque os livros expandem o melhor de nós, dão-nos ferramentas para crescer, abrem-nos as portas de novos mundos e conhecimento sem fim, que não ocupa (mesmo) lugar.

Ilustração de Medi Belortaja.

Chama-se "Back to Hogwarts" e não é por acaso, já que no mês que vem é o "Back to School" e os alunos precisam de roupa nova...

É uma linha de roupa e acessórios inspirada na saga do Harry Potter e tem tshirts, casacos, camisas, e acessórios como malas e carteiras. E, não sendo fã do feiticeiro, até acho piada a algumas destas peças.

Por casa 10 dólares em compras é oferecida uma refeição à Feeding America, por isso há ainda mais razões para se encher de estilo.

Via Hypeness







Um jovem vestido de negro e esfomeado bate à porta de uma família turca em Hamburgo - mãe e filho acabam por acolher em sua casa este indivíduo misterioso, pouco falador e cheio de segredos. Apesar das suas tentativas de lhe arrancar de onde e como veio, só muito aos poucos foram conseguindo saber os horrores pelos quais passou.

Diz chamar-se Issa e cedo Annabel, uma advogada idealista especializada em direitos humanos, se ocupa do seu caso, que se afigura muito complicado. Ter chegado a Hamburgo por meios ilegais, ter origem chechena e ser filho de um opressor general russo não ajuda a amenizar a ideia que os espiões de três nações que estão de olho nele elaboraram.

Tendo-se tornado num homem procurado, acaba por pôr em perigo todos os que se mostraram disponíveis para o ajudar. No entanto, este homem tem um objectivo, que passa por dar um uso nobre ao dinheiro do seu falecido pai, obtido por meios muito negros. Uma tentativa de redenção, na qual entra em cena o banqueiro Tommy Brue. Juntas, estas pessoas vão tentar encontrar uma solução para deixar este foragido a salvo.

A história demorou a entranhar - as diferentes perspectivas, contadas à vez, deixaram-me um pouco perdida na leitura, mas conforme o desenrolar dos acontecimentos fui ficando colada. John Le Carré é afinal mestre na espionagem, e também em deixar-nos o bichinho e em fazê-lo crescer. É uma mistura de política, suspense, espionagem com uma grande dose de humanidade. O que faz deste livro uma leitura recomendada.

O livro deu origem a um filme com o mesmo nome, em 2014. Ainda não vi, mas fiquei com muita vontade de ver. Com o falecido Philip Seymour Hoffman, Willem Dafoe e Rachel McAdams.

Um Homem Muito Procurado
De: John Le Carré
Ano: 2008
Editora: Dom Quixote
Páginas: 368

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Um táxi percorre as ruas de Lisboa, como tantos outros. Mas este é especial. Este conta-nos as vidas de por quem lá passa, em especial a vida do seu condutor, Manuel. Pela voz do veículo com curiosidade aguçada, ficamos a par das amarguras de Manuel, da sua família, e dos dramas e pressas de quem repousa o corpo por momentos no banco traseiro, entre um ponto A e um ponto B na cidade de Lisboa.

Ter um táxi como narrador pode parecer estranho, mas garanto que a autora, repleta de mestria, nem por um momento nos provoca essa estranheza. É um relato natural, como se fosse uma conversa entre amigos. O carro observa os bairros, os transeuntes, os moradores à janela, os frequentadores das esplanadas e se ele sabe, nós sabemos também. É um relatar que aceitamos rapidamente e que nos dá sede de saber mais.

E é assim que conhecemos Manuel e que nos sentimos imediatamente ligados a ele, e isso não é por acaso. Todos conhecemos um Manuel, nem que seja de ouvir falar. O taxista bonacheirão, adepto do Benfica e muito tradicional nas suas opiniões. Seguimo-lo enquanto faz os seus trabalhos habituais que incluem levar Daisy, a stripper, ao bar onde dança (a melhor parte do dia), e que deixa, preocupada, o seu filho sozinho no apartamento; ou transportar Olinda, a empregada de uma família rica encarregue de ir buscar à escola os fedelhos mimados dos patrões enquanto os seus próprios filhos a esperam noutro continente.

Manuel tem opiniões muito vincadas, uma maneira de ver as coisas bastante nacionalista e tradicional. Mas tudo muda num dia em que um evento inesperado acontece e toma conta de si. Sem conseguir pensar noutra coisa, dá-se a oportunidade de mudar os seus padrões e, inesperadamente, Manuel vai aceitá-la. Assistimos à sua mudança, e aprendemos que, afinal, burro velho aprende línguas.

Não estava à espera de gostar tanto deste livro. Numa linguagem simples mas surpreendente e original, chega-nos o âmago de uma alma que podia estar perdida, mas na qual a humanidade acaba por vencer. É uma visão muito positiva das coisas, mas nem por isso irreal. E a esperança acaba por tomar também conta de nós que, principalmente depois de ler, acreditamos um pouco mais nas pessoas. E estas pessoas são-nos tão próximas, tão reconhecíveis, tão reais, que a esperança é mais palpável que nunca. Foi o primeiro livro que li da Filipa Fonseca Silva, mas não será concerteza o último.

Amanhece na Cidade
De: Filipa Fonseca Silva
Ano: 2017
Editora: Bertrand
Páginas: 176

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Os livros e o conhecimento não nos trazem popularidade e pessoas à nossa volta, mas trazem-nos coisas muito mais preciosas, incluindo o auto-conhecimento. E, mais uma vez, mais vale sós que mal acompanhados ;)



Os Iron Maiden lançaram em 1995 o álbum The X Factor, do qual faz parte a música "Lord of the Flies", baseada no livro com o mesmo nome de William Golding. É um dos meus livros preferidos e já o li umas quantas vezes (ver review aqui). Quem não o leu, deve fazê-lo rapidamente.

O livro, sobre um grupo de miúdos que se vê numa ilha deserta após um desastre aéreo, conta como o que parece um cenário paradisíaco se transforma num inferno à medida que a sociedade se espelha naquele grupo de rapazes de forma bastante gráfica.

A letra da música reflecte isso muito bem, falando de extensos perigos e da falta de um código moral que provoca emoções díspares quando se luta pela sobrevivência. Não sou fã de Iron Maiden, mas até gosto desta música e da guitarrada. Aqui ficam elas, a letra e a música.


Lord of The Flies, Iron Maiden

I don't care for this world anymore
I just want to live my own fantasy
Faith has brought me to these shores
What was meant to be is now happening

I've found that I like this living in danger
Living on the edge it feels... it makes me feel as one
Who cares now what's right or wrong it's reality
Killing so we survive wherever we may roam
Wherever we may hide we've got to get away

I don't want existence to end
We must prepare ourselves for the elements
I just want to feel like we're strong
We don't need a code of morality

I like all the mixed emotion and anger
It brings out the animal the power you can feel
And feeling so high on this much adrenalin
Excited but scary to believe what we've become

Saints and sinners
Something within us
We are lord of the flies

Saints and sinners
Something willing us
To be lord of the flies 


Não vou para a praia sem o meu livro, isso é certo. Mas se me esquecesse dele (Deus me livre!) preferia estar numa praia com biblioteca para poder matar o bichinho da leitura.

O site NiT fez um apanhado das praias que vão ter bibliotecas de Verão instaladas em praias de Norte a Sul do país, e totalmente grátis, e nós gostamos disso!

Para consultar aqui.


O livro conta cinco histórias passadas em tempos diferentes, entre 1960 e 1999. Duas das histórias são mais longas e três mais curtas, mas todas têm alguns denominadores comuns - os mais óbvios são algumas das personagens que vão passando de uma história para outra, criando um elo de ligação que não é assim tão trivial e pode demorar algum tempo a entender.

A história maior, e para mim, a mais significativa é a primeira. Bobby Garfield tem 11 anos, é órfão de pai e vive com a mãe, uma mulher amargurada e eternamente casmurra e difícil de lidar. A sua vida muda quando Ted, um velho homem com muita experiência de vida, com muito para ensinar e partilhar, se muda para o mesmo bloco de apartamentos.

Vai iniciar-se uma história de amizade entre um adulto e uma criança, mas que não será pacífica. Vai ser perturbada pelas inseguranças e amarguras da mãe contra os homens no geral e porque Ted está a ser perseguido por uma entidade maligna que não se sabe bem de onde vem, mas que representa um perigo real que Bobby, incrédulo no início, vai fazer tudo ao seu alcance para impedir.

Esta primeira história tem muito de fantasia - principalmente pelos perseguidores de Ted, seres completamente únicos saídos da mente de Stephen King - mas também tem muitos ingredientes capazes de agradar a qualquer um - as maravilhas e problemas da infância, a atribulada relação parental, o sentimento de amizade que não olha à idade, o arrependimento, companheirismo ou o medo crescente são apenas alguns.

As outras histórias, apesar de interessantes, não me vou alongar sobre elas porque não me tocaram especialmente. Tendo em comum a Guerra do Vietmane e muitos pormenores históricos e sociais relevantes, considero que se demoram muito tempo numa prosa sem sumo que custa a encontrar direção.

Uma coisa em comum em todas as histórias é o livro "O Deus das Moscas", de William Golding. Uma obra-prima que é obviamente adorada por Stephen King, que o homenageia de uma forma fantástica, encontrando momentos muito especiais para fazer referências, e arranjou formas também menos óbvias de o fazer ao longo de todo o livro.

Há um filme protagonizado por Anthony Hopkins baseado no livro, mas nunca o vi. Tenho a ideia de que será unicamente focado nas relações interpessoais da primeira história, mas sem poder avaliar fica a vontade de ver. Um livro bem diferente do estilo habitual de Stephen King.

Corações na Atlântida
De: Stephen King
Ano: 2001
Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 640

A nossa pontuação: ★★★☆☆

Num mudo cheio de pressões sociais a palavra Liderança surge como uma âncora de esperança para o desenvolvimento pessoal. Liderar na vida pessoal e sermos os condutores da nossa vida são fatores essenciais para se ser feliz, principalmente porque parece ser muito mais fácil ser menos e fazer menos do que dar o melhor de nós todos os dias.

Robin Sharma em "O Líder Sem Título" fala-nos do processo de melhoria de Blake, um funcionário de livraria, frustrado com a sua vida e desesperado com os fantasmas de uma vida militar que o quebrou. Blake conhece Tommy, uma alma sábia, que o vai conduzir ao longo de uma aventura com vários intervenientes mas um só objetivo: como nos tornarmos líderes da nossa vida, sem para isso precisarmos de um título?

Ser o melhor profissional que se pode ser, a melhor pessoa que se consegue ser, dar sempre 100% de nós em tudo o que fazemos, com uma entrega e dedicação em direção ao sucesso, são tarefas desafiantes. Será Blake capaz de libertar o seu espírito de tal forma a que a sua excelência pessoal brilhe mais forte?

Este é também um livro sobre humildade: não importa o que fazemos, todos nós temos uma função no mundo e podemos ser plenos em qualquer coisa que decidamos fazer e isso trará infinitas possibilidades. Com os seus ensinamentos, Robin Sharma desenvolve um plano de crescimento pessoal ( com etapas, siglas interessantes e exercícios fáceis) que permite ao leitor espelhar a viagem de Blake em direção ao seu próprio crescimento.

Um livro simples, à moda do autor, mas capaz de mudar vidas. Se está à procura de um incentivo para ser uma pessoa mais completa e mais dona de si e das suas escolhas, então esta é uma leitura mais do que recomendada.


O Líder Sem Título
De: Robin Sharma
Ano: 2010
Editora: Lua de Papel
Páginas:192

A nossa pontuação: ★★★★☆

Disponível no site Wook onde podem adquirir o livro com 20% de desconto.

A biblioteca de Cincinnati, EUA, tem às suas portas esta fantástica fonte composta por livros feitos em cerâmica. De acordo com a biblioteca, a fonte representa o livre curso de ideias e pensamentos através da palavra escrita. Uma bonita homenagem que também enche a vista.


200 anos se passaram desde a morte de Jane Austen e em jeito de homenagem a escritora vai ter o seu rosto e uma das suas personagens nas notas de 10 Libras. A partir de 14 de setembro, a autora de, por exemplo, Orgulho e Preconceito, uma das obras mais importantes de sempre, vai ser lembrada desta forma e também numa nova moeda de 2 Libras.

Jane Austen torna-se assim na primeira autora a ter a ser homenageada desta forma. No entanto, há uma curiosidade caricata e que está a levantar alguma polémica. Foi incluída uma citação de Orgulho e Preconceito: "I declare after all there is no enjoyment like reading!" - à partida uma boa frase para ser colocada. Só que no livro é proferida por uma personagem que odeia ler, e que apenas o diz para se aproximar de Mr. Darcy...

Independentemente disso é uma óptima homenagem pelo Banco de Inglaterra.

Via The Guardian