Hoje é dia 25 de abril, um dia que ontem, hoje e amanhã carregará um significado ímpar na nossa história. Estamos aqui, hoje, a fazer o que fazemos, a dizer o que queremos, a ler o que queremos, graças a um grupo de pessoas que nesse dia, e não só, deram o golpe para a liberdade.

E porque há heróis "indirectos" e menos óbvios, a sugestão de hoje vai para o livro "Capitãs de Abril", centrado nas mulheres dos militares da revolução. Elas foram lutadoras sem balas, com um papel importantíssimo nos bastidores que vale a pena conhecer.


Um alento, um amigo, um professor, um companheiro... os livros merecem ser celebrados e hoje é o dia deles e, portanto, também o nosso. Essa luz que nos ilumina na escuridão e nos torna mais ricos mesmo sem tostão. Feliz dia do livro!



A história passa-se entre 1930 e 1958, embarcando portanto uma fase horrível da história mundial. A personagem principal é um rapaz de 9 anos, judeu, e a trama começa por ser contada na sua perspectiva, na Alemanha. A sua família, composta pelos pais, irmã e avó, vivia bem, até começar a segregação dos judeus. Aí, começa uma aventura "desnecessária", uma luta pela sobrevivência e por encontrar um lugar onde fosse garantido que continuassem vivos, coisa cada vez mais difícil.

O rapaz encontrou consolo num pombo ferido que o acompanhou enquanto pôde. Com ele desabafava e encontrava um aconchego que lhe foi falhando em tudo o mais. Mas o avançar dos acontecimentos, os campos de concentração, a fome, a doença, a morte, pairaram sobre tudo e mudaram a vida de todos.

Outro aspecto explorado neste livro e que é mais raro observar é a exploração das mulheres para a prostituição. Mulheres que foram desprovidas da sua vontade e do seu corpo, que viram queimadas as suas entranhas para não terem filhos, e que foram postas como carne num talho para o alívio imediato dos actores de uma guerra sem sentido.

Outra parte importante da narrativa é o nosso país. A autora, que vive cá há muitos anos (e que se naturalizou portuguesa), concentrou-se também no facto de Portugal ter sido um país neutro onde muitos, mesmo muitos, encontraram refúgio e graças à caridade e à boa vontade dos portugueses e de comunidades judias conseguiram sobreviver para contar as suas tristes histórias. Fomos um país muito importante, pequeno em tamanho para tanta gente, mas mesmo assim chegou para tudo - para albergar, dar amor, responder a pedidos desesperados, ajudar com tudo o que foi possível. E eu questiono-me o que foi feito desse povo, que hoje é desconfiado e crítico até à ponta dos cabelos, mas que no passado foi responsável por dar esperança e vida a milhares de pessoas que pensavam que estava tudo acabado para elas. Enfim, tudo isto é triste, tudo isto é fado. Gostei muito do livro e recomendo.

O Rapaz e o Pombo
De: Cristina Norton
Ano: 2016
Editora: Oficina do Livro
Páginas: 272

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
"I Could Pee on This: And Other Poems by Cats" é um livro muito estranho, com poemas como se fossem saídos directamente da mente de um felino.

Com fotos dos gatos dos autores, outros poemas são, por exemplo, "This Is My Chair" ou "Some of My Best Friends Are Dogs", e todos os donos de gatos vão-se identificar, e rir, com estes pensamentos.

Disponível na Amazon.


Foi com imensa curiosidade que peguei neste livro do falecido músico e autor, que muito admiro nos talentos musicais mas desconhecia a sua escrita de ficção.

Escrito nos anos 60, é uma amostra significativa do experiencialismo na literatura e é uma autêntica trip. O protagonista é obcecado com a cultura nativo-americana Mohawk, especialmente com a santa Kateri Tekakwitha, de quem vai contando a mirabolante e chocante história, intercalada com a sua própria.

A sua mulher, também nativo-americana, havia cometido suicídio, e são as saudades da sua pele escura e da sua forma de estar diferente que vão sendo o mote para uma escrita que tem tanto de estranha como de sentimental. Ele e o seu melhor amigo, F., recordam esta mulher, Edith, e estas conversas vão revelando que F. e Edith eram afinal muito mais que amigos. À medida que as revelações vão tomando proporções gigantes, os dois amigos também se vão embrenhando cada vez mais numa relação homosexual e muito conspurcada, pode-se dizer que bastante doentia.

É um livro difícil. Porque não há uma linha temporal segura para seguir, porque as histórias e os tempos se vão misturando, porque há páginas lá pelo meio que são só devaneios imensos e longos, sem pontuação e sem linhas de raciocínio. Por um lado, é revelador saber o que a mente de Leonard Cohen criou antes de se tornar músico. Por outro, é simplesmente assustador. Leiam, se quiserem uma viagem estranha, mas estejam preparados.

Vencidos da Vida
De: Leonard Cohen
Ano: 1966
Editora: Alfaguara Portugal
Páginas: 296

A nossa pontuação: ★★☆☆☆
Disponivel no site Wook.


Como descrever este conto em apenas uma palavra? Não dá, mas duas bastam: nostalgia e solidão.

Em "A Balada do Café Triste", a escritora Carson McCullers conta-nos a história de uma mulher forte, em corpo e em espírito, Miss Amélia, do seu primo corcunda Lymon e de um rufia condenado de seu nome Marvin Macy.

Numa terra norte-americana solitária e esquecida, perdida no tempo e sem muito que fazer, vão se cruzando histórias de várias personagens com as três principais. Um sentimento de tédio peganhento pode descrever a cidade, até à inesperada chegada do primo anão de Miss Amélia, que com as suas maledicências tem tanto de caricato como de entusiasmante : uma novidade numa terra estagnada onde nada acontece.

Desta relação imprevista entre um corcunda anão, Lymon, e a gigante impetuosa que é Miss Amélia, nasce um café onde todos os habitantes do lugarejo vão para conviver. Este café vai ser o palco onde se desenrola o quotidiano na sua calma e tranquilidade, até à chegada de Marvin Macy, ex-marido de Amélia e um ex-presidiário perigoso.

Miss Amélia nutre um ódio profundo por Macy, mas apesar de ser uma mulher reservada e isolada, no seu coração começa a nascer um estranho amor pelo anão corcunda. Este amor vai ser ameaçado pela presença de Macy e o inesperado acontece... Como se irão relacionar estas personagens, donas de personalidades controversas e intensas?

Uma escrita simples e crua, uma história onde as personagens agem para fugir da solidão, procurando entretenimento nas discussões e brigas entre os seus habitantes.
Dá que pensar...Talvez hoje em dia não seja esta terra assim tão diferente de uma qualquer terra deste mundo, pois a verdade é que parece que se buscam muito mais a desgraça e a desventura, do que a paz e a felicidade.

Serão as nossas notícias, as nossas redes sociais, a nossa imprensa, como o café de Miss Amélia, um palco para a má-língua? Estaremos nós tão entediados que não procuramos mais que guerras e desavenças? Espero que não.


A Balada do Café Triste
De:
Carson McCullers
Ano: 2003 - Coleção Biblioteca Escritores Estrangeiros da Atualidade
Editora: Planeta DeAgostini
A nossa pontuação: ★★★★☆

Mais sobre este livro no site Wook.pt

Também não sei... ajudam a escolher? 😀


Um ex-polícia, Matthew Scudder, que de vez em quando faz umas investigações por conta própria é o protagonista deste policial. A acção passa-se 9 anos depois de uma série de crimes que aconteceram, cujas vítimas foram unicamente mulheres, todas atacadas com um picador de gelo. O assassino foi finalmente apanhado e confessou os crimes, mas diz que não foi o autor de um deles.

O pai dessa vítima quer paz e acima de tudo que o verdadeiro responsável, caso não seja o confessor dos outros crimes similares, seja apanhado, e perante a inactividade da polícia, contacta Matthew para investigar. Este acaba por aceitar, embora o rasto dos acontecimentos esteja bastante frio após quase uma década.

Mesmo assim, o faro de Matthew Scudder vai levá-lo a falar com pessoas que nunca foram escutadas e a fazer pressões, levantando véus sobre o passado que fará com que muita gente fique incomodada.

Esta personagem é recorrente nos livros do autor e este foi o primeiro livro que li dele. Adquiri-o no Jumbo por 3€ e valeu bem a pena. É um policial decente com muito mistério e bem estruturado. Matthew Scudder é também uma personagem que vale a pena conhecer e continuar a explorar. A linguagem é simples mas o autor consegue perpetuar o suspense, condição essencial neste tipo de livros.

Uma Punhalada no Escuro
De: Lawrence Block
Ano: 1981
Editora: Cotovia
Páginas: 184

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
... vocês não são assim, pois não? 😝


Comecei na dúvida - nunca tinha lido nada deste autor e o começo do livro aconteceu a toda a velocidade. A personagem principal é um detective privado, que se auto-intitula de "o melhor do mundo", e na parte inicial da trama Mário França de seu nome recebeu uma montanha de casos para resolver. Uma carga tão grande que se tornou algo inacreditável, mas, claro, dei a oportunidade ao autor de se desvencilhar da bicuda situação.

A visita do Papa a Portugal e a ameaça subjacente de um ataque terrorista; mortes misteriosas de padres; a ameaça de morte à rainha da música pop; resolver um conflito de ciganos; e encontrar um rasto perdido do tempo da Segunda Guerra Mundial parecem demais para um homem só, mas o que é certo é que com os conhecimentos de Mário França tudo se resolverá (pelo menos é o que toda a gente acredita, especialmente ele próprio).

Tudo se passa na cidade do Porto mas os casos vão levar o detective a largos passeios fora do território nacional. O que é certo é que sentimos o Porto, a sua gente, as casas, as portinholas, o mercado, as tascas, a ribeira, a luz, o rio, o que nos alegra o passeio por este livro e contribui ainda mais para melhorar a narrativa. Os "assistentes" de Mário França são personagens tão peculiares que só por elas vale a pena ler este livro.

Surpreendentemente, um bom policial "made in Portugal" que me fez ficar muito curiosa para ler mais livros do autor.

Dai-lhes, Senhor, O Eterno Repouso
De: Miguel Miranda
Ano: 2010
Editora: Marca D'água
Páginas: 264

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Vou ter de colocar o título completo deste livro estranho aqui porque é incrivelmente extenso:

How to Talk to Your Cat About Gun Safety: And Abstinence, Drugs, Satanism, and Other Dangers That Threaten Their Nine Lives


Sim, leram bem, é isso tudo. O vosso gato vai durar 100 anos com este guia para que ele consiga poupar todas as suas nove vidas. Nunca se sabe quando o animal se pode perder nas ruas amargas da dependência das drogas, ou ficar preso nas malhas do satanismo.

Esta preciosidade está à venda na Amazon. Comprem já e salvem os gatos por esse mundo fora! E tem um gato fofinho na capa, é sempre um plus.


É com o Japão antigo como cenário que o mais recente romance de Valter Hugo Mãe nos arrebata. Através da sua linguagem característica, apresenta-nos a Itaro, artesão, à sua irmã cega de quem tem tomado conta e à criada que os acompanha e que tem sido mais do que uma mãe.

Na vizinhança, o oleiro Saburo tem a Itaro uma raiva intrínseca e algo inexplicável, que é mútua. Depois da morte da mulher do oleiro, este guarda-se num negrume dentro de si, mas o ódio a Itaro nunca morre.

Itaro, que se coloca acima do vizinho e do mundo, vai tomar decisões que lhe vão valer o desprezo dos seus pares, mas vai participar numa lição de vida única, e essa parte do livro é a minha preferida. É arrebatadora e cheia de revelações interiores, daquelas que podemos facilmente adaptar a cada uma das nossas vidas. É um dos 'poderes' de Valter Hugo Mãe, aqui bem exposto.

De resto, a paisagem e a natureza chegam-nos descritas numa perfeição palpável, e as personagens que vão aparecendo têm algo de sagrado e intocável. Não considero a obra-prima do autor (essa para mim ainda é "O Filho de Mil Homens"), mas é fantástico, e vê-se que é escrito com muito amor por um povo, por um tempo e por um país que nos é distante, mas que nos fica tão próximo depois desta leitura.

Homens Imprudentemente Poéticos
De: Valter Hugo Mãe
Ano: 2016
Editora: Porto Editora
Páginas: 216

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Não é lindo? 😀


A fotógrafa Katherine Elena criou uma sessão fotográfica para um casamento inspirada na Guerra dos Tronos. Os livros de George R. R. Martin e a série deram o mote para um cenário fantástico, onde não faltou um "lobo", vestidos lindíssimos e uma decoração à medida.

Quem acompanha a série sabe que na saga os casamentos não correm muito bem, mas que dá umas fotos engraçadas para um casal fã, lá isso dá.

Via Buzzfeed.



E nem importa onde está o livro, mesmo que esteja nas nossas mãos os gatos arranjam maneira de se deitarem em cima dele. Nem que para isso tenham de trepar pelos nossos braços... Fofos, mas traquinas!

Esta é "uma história de amor", assim se descreve este pequeno conto sobre um gato e uma andorinha. Um amor impossível entre dois animais que encarnam, em muito do seu amor, o que nós temos de mais humano: a nossa fé no impossível quando amamos alguém mais do que a nós mesmos.

Jorge Amado escreveu esta bela história para o seu filho, João Jorge, quem sabe se para o ensinar desde criança a amar, amar acima de tudo, sem olhar a quem, e sempre em pleno; se para nos ensinar a nós, leitores, que nunca se é demasiado velho para acreditar no amor.

O livro chega-nos ilustrado por Carybé, pintor que nos transporta com a inocência colorida dos seus traços como que num embalo, brindando o leitor com cores que transmitem emoções e imagens que adoçam a leitura.

O Gato Malhado é um bicho rezingão, com humores irritáveis e temido por todos. A Andorinha Sinhá, fiel à sua espécie, tem a curiosidade e a altivez natural de quem é livre de voar por aí. Entre estes dois nasce uma amizade profunda e um amor improvável.

Condenados pelo julgamento alheio, donos de um amor que ninguém aprova ou compreende, Gato e Andorinha vão lutar, mas será que o amor vai vencer?

Uma fábula fantástica e uma leitura recomendada para todos. Numa época cheia de virtualidades e cinismos, sabe bem ler um livro que se manteve pelas décadas como uma homenagem à pureza, mesmo quando o resto do mundo parece estar num jogo contra a felicidade.


Não importa como termina a nossa história, amar por amar deve bastar para que essa história seja memoravelmente eterna e aqui, neste pequeno conto, amar é mais que bastante.


O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá
De: Jorge Amado
Ano: 1978 (1ª Edição) 2010 ( Edição pela BIS)
Editora: BIS
A nossa pontuação: ★★★★☆


Disponível no site Wook  e com 10% desconto neste momento.
Depois de ter lido, e gostado, de O Cego de Sevilha, voltei a ler o mesmo autor, num livro que continua a acompanhar as investigações de Javier Falcón.

Neste, acontece um homicídio seguido de suicídio num bairro respeitável de Sevilha, mas contornos duvidosos rodeiam o acontecimento. Será que se tudo se passou como parece ou é um encobrimento de algo com contornos muito maiores?

Jávier Falcon está encarregue da investigação, e as suas perguntas e persistência vão irritar muita gente e despoletar mais acontecimentos macabros naquele bairro sevilhano. Mortes, mentiras e muitos outros temas, como loucura, fama e pedofilia, são abordados e tidos em conta na investigação.

Um livro misterioso com uma trama que dá muitas voltas, que nos deixa colados e a querer saber o que acontece de seguida. Peca um pouco pela quantidade muito grande de personagens que tornam a acção algo confusa e que por vezes obrigam a uma segunda leitura. Este autor também tem o hábito de ser muito geográfico, expandido-se em pormenores desse tipo, tornando a leitura mais longa e densa. No entanto, gostei, é um bom policial.

As Mãos Desaparecidas
De: Robert Wilson
Ano: 2006
Editora: Dom Quixote
Páginas: 448

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.




É das melhores coisas :)


Esteva ao ponto de fechar devido a problemas financeiros, causa comum que está a deixar de portas fechadas muitas livrarias, mas não foi o que aconteceu. José Pinho, dono da Ler Devagar, apaixonou-se pela livraria Ferin, que considera a mais bela de Lisboa, em especial depois de vislumbrar duas fabulosas salas abobadadas na cave, que faziam parte de um antigo convento, que não estavam abertas ao público.

Esta parte será reservada para livros raros e antigos, e a oferta no andar de cima será um misto entre edições portuguesas e estrangeiras, já que a localização turística na Rua Nova do Almada proporcionará muitas visitas de viajantes internacionais. Muitas mais acções irão ter lugar, incluindo declamações de poesia, música ou teatro.

Uma vida nova, e bem-vinda, para a segunda livraria mais antiga de Lisboa.

Via Rádio Renascença.


...É assim que resolvo.😁


Fernando Ribeiro não é só o líder dos Moonspell, um dos maiores estandartes musicais em Portugal e fora de portas, como também é um "bicho das letras" como nós, completamente viciado na leitura e, ele próprio, autor.

Pelas suas mãos, e juntamente com Pedro Vindeirinho (Rastilho) e o o designer João Diogo Pereira acabou de nascer o projecto Alma Mater Books que promete lançar dois livros este ano e muitos mais nos vindouros. As expectativas estão altas, o desafio está lançado, e agora vamos aguardar os lançamentos, sob o nome da música mais icónica da banda de Fernando Ribeiro.



Este livro chegou até mim através da coleção da Visão que já antes aqui referimos e como uma agradável surpresa. Nesta pequena narrativa conta-se a história de Buck, um cão cruzado de São Bernardo com Collie, com grande porte e ainda maior esperteza, que vive calma e ordeiramente numa quinta californiana.

Certo dia a sua vida muda drasticamente e a sua força será grandemente testada. Traído e contra vontade é levado para longe e obrigado a trabalhar a puxar trenós na neve do Canadá. Sujeito a violência e condições extremas, Buck encontra em si o apelo selvagem dos animais, dos lobos e da natureza e assim supera as adversidades ganhando em força e espírito o que antes tinha perdido em conforto e adormecimento da fera.

Mais tarde, Buck é salvo da morte certa por Thornton,  um homem que vai conquistar o coração indomável do feroz cão. Mas será este novo amor, nascido da sobrevivência, mais forte do que o uivo de liberdade que ecoa pela floresta?

"O Apelo da Selva" é um fantástico livro que serve de homenagem à nobreza dos animais no seu estado selvagem, ao mesmo tempo que exemplifica em Buck a luta entre a civilização adormecida e o selvagem de onde todos somos originários. Quem ganhará esta luta, o conforto apego do doméstico ou a ferocidade do primitivo?


Emocionante, intenso, e uma leitura para todos.

O Apelo da Selva
De: Jack London
Ano: 1903 (1ª Publicação) 2014 (Última edição)

A nossa pontuação: ★★★★☆


Disponível no site Wook . Mais sobre este título da coleção da Visão "Ler Faz Bem" no site do projecto.

Peguei neste livro da biblioteca olhando para o apelido - Murakami - pensando no outro, e só depois vi que se tratava de outro autor. Trouxe-o, curiosa, e ainda bem.

Esta é a história de Kenji, um jovem japonês que ganha a vida como guia nocturno em Tóquio, especialmente focado no negócio sexual. Procurado por muitos estrangeiros, desta vez calha-lhe em "sorte" o americano Frank. E as aspas pretendem mesmo dar outro sentido, porque sorte foi mesmo o que não teve.

Cedo percebeu que algo não batia certo em Frank - qualquer coisa na sua expressão, na maneira de falar, que o deixou de pé atrás. Mas foi tentando colocar essa sensação em segundo plano enquanto lhe mostrava os bares de engate, os melhores motéis e locais imperdíveis na noite ardente da cidade.

Na segunda noite como guia do americano, Kenji já não consegue pensar noutra coisa - aquele feeling de que o americano tem segredos sujos escondidos torna-se evidente conforme pequenas coisas vão acontecendo e coincidências deixam de o ser. E tudo o resto é uma corrida de acontecimentos tenebrosos que vão culminar num cenário impensável, demasiado perverso e inesperado para se resumir e, sobretudo, spoilar.

É um thriller muito bem conseguido, dos melhores que li nos últimos tempos, daqueles que não nos deixam respirar. Isto, associado ao tipo de escrita característico dos japoneses e a um certo nível de gore, tornam-no num livro único e diferente, não aconselhado a cardíacos e a mentes mais sensíveis. É também um retrato do isolamento e solidão típicos do Oriente, numa sociedade conspurcada.

Na Sopa de Miso
De: Ryu Murakami
Ano: 2006
Editora: Casa das Letras
Páginas: 202

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
E devolva os livros à biblioteca 😜


Este bichano amalucado chega-nos pelas mãos de Theodor Geisel, provavelmente este nome não vos diz muito porque o autor ficou mais conhecido por escrever com a assinatura de Dr. Seuss, o mestre dos livros infantis. Este livro virou filme (e não virou bem, muitos dirão) e tinha como gato o actor Mike Myers.

Caso queiram adquirir este pequeno livro, cheio de humor e de fantástico, está disponível no site Wook.pt





Um velho jornalista que celebra 90 anos é o nosso narrador. Ele conta-nos aspectos curiosos da sua vida, dando especial ênfase ao facto de nunca ter tido relações sexuais que não fossem a pagar. Passou uma vida inteira numa casa vazia e com os bolsos também, por pagar inúmeras vezes pelo amor.

Decide brindar-se, com esta idade, com uma rapariga virgem. Telefona assim a Rosa Cabarcas, velha meretriz do seu tempo, perguntando por uma. E é assim que uma rapariga a quem nunca conhece o nome mas que baptiza de Delgadina entra na sua vida. Habitua-se a ela, à sua forma de dormir, o seu corpo presente ao seu lado, e pela primeira vez, quase centenário, conhece o amor, e começa a sentir na pele o que será morrer-se de amor. Aos 90 anos, sente a falta de alguém, da respiração de alguém, conta os dias para a ver novamente e entra em pânico se isso não acontece.

Com uma linguagem e ideias poéticas, o Nobel Gabriel García Márquez tem aqui um dos seus romances mais marcantes, acompanhado de uma certa melancolia, não fossem estas putas tão tristes... Um livro curto mas fantástico e impactante, sobre a solidão, diversas formas de companheirismo, e o amor, que pode aparecer até ao fim da vida - não tem data de validade.

Memória das Minhas Putas Tristes
De: Gabriel García Márquez
Ano: 2004
Editora: Dom Quixote
Páginas: 107

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

Na verdade, o título completo deste útil livro é: "How to Survive a Garden Gnome Attack: Defend Yourself When the Lawn Warriors Strike (And They Will)". Eles podem parecer inofensivos, mas um dia os gnomos de jardim vão atacar, e este livro ensina-o a estar preparado...

Um guia essencial especialmente para quem tem moradias. Tranquem as portas, eles andam aí...

Disponível na Amazon!


"O Filho" é um livro imenso, tanto em tamanho, como na densidade da história, na quantidade de personagens, enfim, não é um livro ligeiro nem fácil, com um enredo extenso e com muitas ramificações.

A história segue cinco gerações da família McCullough desde o início do séc. XIX até ao presente, com ênfase na explosão do petróleo no séc. XX. A narrativa é feita alternadamente por três membros da família, em especial Eli, que acompanhamos desde o momento em que era um adolescente que viu a sua família ser morta por índios e que foi por estes raptado, até se tornar numa personagem importante a quem todos chamam Coronel.

Um épico do Oeste americano, que na minha opinião peca pelo excesso de acontecimentos e de personagens que, embora muito bem construídas e com fortes backgrounds, tornam a leitura confusa.

Gostei do facto de ser um livro cru e sem artifícios, narrando alguns episódios mais violentos sem censura e com bastante intensidade. Fiquei com curiosidade para ler o livro mais aclamado do autor, Phillip Meyer, "American Rust", e para ver a série baseada no livro, "The Son", com Pierce Brosnan como protagonista - vai estrear em abril no AMC.



O Filho
De: Philipp Meyer
Ano: 2013
Editora: Bertrand
Páginas: 640

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.



Sentes o vento?
Traz liberdade, com as folhas e a flores.
Já se vão os tempos espartilhados
Em que a tua voz se perdia na rouquidão de outras.

Sabes...Sempre que passas
Erguem-se sombras de braços que lutaram,
Terras que foram cultivadas,
Para que tu, e as tuas, sejam sempre mais.

Solta o teu cabelo, mulher,
Nele transportas os suores dos dias,
Mas também o calor de criar,
Como um ninho cheio de Futuro.

Solta o teu cabelo, mulher,
Sê Grande e Maior,
Sê livre de Ser
Porque este tempo é teu.

Por isso, solta o teu cabelo.
Que ele te caia pelos ombros,
Esvoace no vento livre,
E leve a tua voz mais além,
A outras de cabelo preso,
Para que o soltem também
E para sempre.


Feliz Dia da Mulher



Identifico-me com o sentimento! 🙂


Este fantástico e popular livro foi escrito em 1949 e fala sobre um futuro distópico que se passa no ano de 1984. Tudo é tão surreal e tão assustador, tão imaginativo e perturbador, que se tornou um clássico incontornável e um exemplo para todas as gerações.

A trama é narrada do ponto de vista de Winston Smith, que, ao nos contar a sua vida, nos vai dando conta de uma realidade política e social completamente anormais, quando comparadas à forma de vida que hoje conhecemos, mas ao mesmo tempo com aproximações tão correctas ao que se passa nos dias de hoje que mete medo. Ele conta-nos como as pessoas vivem oprimidas, sem autorização para pensarem por si, terem opinião, ou sequer nutrir sentimentos por algo ou alguém. Não se pode ler ou ver nada que não seja feito pelo Partido, casar por amor, passear sozinho, escrever, enfim, tudo o que tomamos como uma liberdade óbvia é, neste livro, uma forma de opressão.

Até a língua é constantemente renovada para que dê menos azo a interpretações livres; a prole, classe baixa, é mantida na ignorância para que não seja capaz de pensar em grupo; são difundidos diariamente os Dois Minutos do Ódio, onde tem de ser manifestado o ódio que se sente a quem vá contra o regime, aos inimigos de guerra, ou a quem não adore o Grande Irmão, que tudo sabe, tudo vê e observa e tudo controla.

Este livro é isto e muito mais e é aconselhado a absolutamente toda a gente. É impressionante e marcante. George Orwell é especialista em apresentar este tipo de realidades alternativas e a narrativa é genial, agilizada por acontecimentos marcantes a toda a hora, sem no entanto apressar a trama. Pode-se dizer que está dividido em três partes - a constatação da realidade por parte do narrador, a negação dessa realidade e a respectiva consequência. É surpreendente a cada virar de página.

1984
De: George Orwell
Ano: 1949
Editora: Antígona
Página: 314

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.


Há livros que não lembram ao menino Jesus, e assim nasce uma nova categoria de livros estranhos. O primeiro livro apresentado é justamente acerca desse menino e chama-se "Dancing with Jesus: Featuring a Host of Miraculous Moves".

Basicamente, o livro ensina a dançar como se nenhum discípulo estivesse a ver. Algumas das danças incluídas são: Water Walk, Temptation Tango, Judas Hustle, e The Apostolic Conga. Promissor!

Compre já o seu fabuloso exemplar na Amazon 😆



A maravilha da literatura é que a há para todos os gostos e todas as idades. Numa certa idade, em que as Austen e as Brontë ainda soam a romance demais para um coração juvenil, alguns livros marcam uma geração.

O meu gosto literário sempre foi muito eclético, para não dizer mesmo epilético, tendo em conta que tanto dava por mim a ler Kafka como a ler o "O Alquimista" (tem que se ler para se criticar!). Isto dito, um dos livros que marcou a minha juventude, pela sua leveza e pela sua ironia, ao mesmo tempo que abordava questões sensíveis sobre os desafios de se ser adolescente, foi o "O Diário Secreto de Adrian Mole aos 13 anos e 3/4".

A verdade é que o Adrian é um rapaz, certo, mas no entanto a sua cabeça de génio tresloucado, com as suas crises existênciais borbulhentas, iam de encontro ao meu sentido de humor juvenil. Nunca tendo sido uma rapariga muito de "raparigar", as aventuras deste adolescente com a sua namorada, os seus pais, os seus rivais, encantaram-me.

O Adrian era um intelectual e um solitário. Sue Townsend, a autora, criou uma personagem com a qual qualquer jovem se consegue identificar, com os seus desejos e ambições de pertencer a um grupo, de fazer parte de algo, de ser alguém, ao mesmo tempo sem perder o seu individualismo especial. No entanto, Sue não se fica apenas pela adolescência de Adrian, vai criar também todo um percurso de vida da personagem até aos seus 40 anos, noutros livros, e até à morte da autora.

É um livro que se recomenda a leitura tanto para os jovens como para os pais. A verdade é que um bom livro serve como um diálogo secreto entre gerações, e este pequeno livro tem bastante para dizer em qualquer que seja a idade do leitor.

Saibam mais sobre o Adrian na Wook.


Uma grande verdade... e hoje em dia, com tantas reviravoltas e tantas correrias, é um enorme privilégio poder usufruir da companhia de um bom livro e de um gato peludinho e ronronante. 
A Novel Tea criou uma linha de latas de chá em forma de livros que são divinais! Para além dos pormenores fantásticos e do acabamento impecável, que causam um belo efeito, os títulos destes "livros" são trocadilhos muito bem conseguidos.

Estão em inglês mas decerto percebem a ideia. Alguns exemplos: Oliver Lemon Twist, Don Quixotea, War and Peach ou Pride and Peppermint são alguns dos temas e sabores lançados.

Uma ideia bem gira, para oferecer ou para ter em qualquer cozinha... ou estante.

Via mentalfloss