200 anos se passaram desde a morte de Jane Austen e em jeito de homenagem a escritora vai ter o seu rosto e uma das suas personagens nas notas de 10 Libras. A partir de 14 de setembro, a autora de, por exemplo, Orgulho e Preconceito, uma das obras mais importantes de sempre, vai ser lembrada desta forma e também numa nova moeda de 2 Libras.

Jane Austen torna-se assim na primeira autora a ter a ser homenageada desta forma. No entanto, há uma curiosidade caricata e que está a levantar alguma polémica. Foi incluída uma citação de Orgulho e Preconceito: "I declare after all there is no enjoyment like reading!" - à partida uma boa frase para ser colocada. Só que no livro é proferida por uma personagem que odeia ler, e que apenas o diz para se aproximar de Mr. Darcy...

Independentemente disso é uma óptima homenagem pelo Banco de Inglaterra.

Via The Guardian


Ann tem 16 anos e é a única sobrevivente de uma guerra nuclear que destruiu vidas humanas e devastou o território. Inexplicavelmente, o vale onde Ann morava com a família manteve o ar e a terra limpas e livres de radiação. Ela viu a sua família sair em busca de algo novo e a nunca mais voltar.

Sem pensar que voltaria a ver outra pessoa novamente, e depois de tanto tempo a viver sozinha com a sua horta e os seus animais, Ann vê ao longe sinais de uma fogueira, que se vai aproximando dia após dia. Fica dividida entre a alegria de ver outro ser humano e o medo de este não vir por bem. E é com esse espírito que se esconde e observa o homem que chega vestindo um fato de protecção e com uma botija de ar e um atrelado a reboque.

Quando se sente segura, dá início a um processo de conhecimento mútuo, e apesar de o estranho ser reservado e não querer contar muito da sua vida, Ann acaba por agradecer a sua presença e a fazer planos para o futuro que partilharão. No entanto, nada é assim tão simples, e uma relação que começa por ser fraternal dá lugar à animosidade e à desconfiança.

Vi o filme baseado neste livro há uns tempos, e gostei bastante. A questão é que não têm nada em comum, à excepção da premissa inicial - uma guerra nuclear que destruiu tudo e todos. No livro, Ann é uma adolescente. No filme, é uma mulher feita interpretada por Margot Robbie. Com uma idade mais aproximada do seu visitante, a relação é mais romântica. E, mais importante do que tudo, no filme há dois visitantes, interpretados por Chris Pine e Chiwetel Ejiofor, o que muda todo o enredo drasticamente.

Para além disso, só ao ler o livro percebi o significado do título original - "Z for Zachariah", que não vou desmistificar e esperar que leiam. No filme tinha ficado a leste quanto a este ponto. De qualquer modo, a leitura e o filme valem igualmente a pena. É uma história misteriosa, um thriller diferente do habitual. No livro, a voz da ação é um pouco mais adolescente, visto a protagonista o ser, o que lhe dá um sentido diferente, mas não menos bom. Por fim, quero só mencionar que o livro tem mais de 40 anos, coisa que só descobri depois de ler, e fiquei maravilhada com a visão futurista apresentada na altura.


Os Últimos na Terra
De: Robert C. O'Brien
Ano: 1974
Páginas: 168
Editora: Editorial Presença

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

Os Estados Unidos têm, pela primeira vez, uma mulher à frente do país. E é neste cenário, que podia ser o actual, que se desenrola este thriller. Numa visita à Noruega, à partida um país seguro e pacífico, a Presidente Helen Lardahl Bentley simplesmente desaparece do quarto de hotel onde permaneceu.

Sem qualquer rasto, sem imaginarem como a mulher mais importante do mundo simplesmente se desvaneceu sem deixar rasto numa suíte vigiada, com vários relatos confusos de avistamentos por parte de testemunhas, as autoridades estão completamente desorientadas. Esta premissa por si só é interessante o suficiente para compor um livro aceitável. Mas não é o caso. Foi uma desilusão. Explicando.

É simplesmente uma seca. Tudo demora imenso tempo a acontecer. As descrições das situações, das personagens, dos cenários, são longas, desconexas, pouco interessantes e em nada contribuem para o desenrolar da história. A linguagem usada é um bocado fria, os diálogos são irreais, enfim, em resumo, não sei como aguentei até mais de metade do livro. Estava à espera que melhores páginas viessem. Só que não.

Esta autora norueguesa é bastante aclamada no género thriller e talvez lhe dê outra oportunidade noutro livro, mas este para mim foi uma má experiência. Não considero que seja uma ideia difícil de levar para a frente, simplesmente as cartas não foram bem jogadas.


A Senhora Presidente
De: Anne Holt
Páginas: 296
Ano: 2011
Editora: Contraponto

A nossa pontuação: ★★☆☆☆
Disponível no site Fnac

Esta é, possivelmente, a canção mais cantada e com a letra mais reconhecível logo depois do hino nacional. Já ouvi chamarem-lhe de tudo : "Anel de rubi", "Mesmo sabendo que não gostavas", "Não se ama alguém que não ouve a mesma canção", "Aquela do Rui Veloso que fala do Tivoli"...

Primeiro, não é do Tivoli, é do Rivoli (Lisboetas, malandrecos, a quererem ficar com a música para eles)... Segundo, a música chama-se "A Paixão (segundo Nicolau da Viola)", mas certo certo é que bastam uns acordes de harmónica para a loucura se instalar e todos, jovens e menos jovens, começarem a cantar como se lhes escapasse o coração pela boca.

Já tive o prazer de ver o Rui tocar ao vivo umas quatro vezes e chamo-lhe Rui porque já são tantos os anos em que as músicas dele me falam "áialma" que o Rui é como se fosse família. Vem dos tempos das cassetes e do walkman colorido da Sony, e ainda hoje toca no meu smartphone chinês, sempre para me animar o espírito enquanto o afoga na candura delicodoce desta sua música. 

Podem dizer que a letra não é das mais complexas, que as rimas são simples, e que parece um poema de um adolescente, mas não é exactamente dessa pureza juvenil que nascem as melhores memórias e as mais belas histórias de amor? E não deve um poema falar ao coração com essa mesma pureza e beleza?

Digam-me, há lá coisa melhor do que o casamento da lírica com a composição entre o Carlos Tê e o Rui Veloso? Pelo menos no mundo da música, não sei se há. Não sei mesmo.

Ora vamos lá, soltem os pulmões e.... bem, esta dispensa letra. Messsssmooooooooo sabeeendo que não gostavas, empenheeeeiiii o meu aneeeel de ruuubiiiiii... 


Esta é a sequela do The Shining. Dan Torrance, o miúdo que viveu horrores no hotel Overlook, é agora um adulto atormentado pela sua capacidade especial, o tal "brilho", e decidiu afogá-lo e adormecê-lo na bebida. Devido a estes abusos, tomou muitas decisões que o corroem por dentro.

À deriva e sem rumo, acaba por conhecer pessoas que o levam a querer mudar de vida e a assentar. E é nessa fase da sua vida que aparece Abra, uma menina que tem "o brilho" mais intenso que ele já sentiu. À medida que vai crescendo, e apesar dos quilómetros entre eles, vão comunicando telepaticamente, criando uma amizade fora do comum.

E é quando Abra é uma adolescente e precisa da ajuda de Dan que finalmente se conhecem pessoalmente. Só duas pessoas com "o brilho" se podem entender e ambos sabem o que é lidar com a incompreensão. Abra conta a Dan sobre uma comunidade que lhe quer fazer mal, um grupo de pessoas, não necessariamente humanas, que querem alimentar-se do brilho dela para continuar a viver.

Abra e Dan vão fazer de tudo para os impedir, assim como algumas pessoas à sua volta que acabam por confiar neles e nas suas capacidades, levando a uma grande odisseia em nome da sobrevivência dos bons da fita.

Normalmente, afasto-me a sete pés destes temas paranormais. Mas, sendo o meu querido Stephen King, e uma sequela de um dos meus livros preferidos, dei a oportunidade e não me arrependi. Está tão cheio de suspense e tão bem construído que segui o livro a arfar por mais uma página. Tem mistério, e aquela capacidade única de nos deixar agarrados à história e às fantásticas personagens, super bem caracterizadas e que nos inspiram tantos sentimentos. Viciante.

Doutor Sono
De: Stephen King
Ano: 2013
Editora: Bertrand
Páginas: 584

A nossa pontuação:  ★★★★☆
Disponível no site Wook.



Livro da pesada
As mais de 500 páginas desta odisseia tornam este livro um elegível para esta categoria... Ideal para: dar uma marretada na cabeça dos que duvidam das suas próprias capacidades!
Mostrem-lhes esta imagem 😋 Vai uma linguiça filosofal?



Livros que dão origem a filmes há aos pontapés; já casos de filmes que inspiram livros são mais raros. Mas é este o caso. O livro "Alien - O 8º Passageiro" é baseado no argumento original do filme.

Quase todos já viram o filme, é daqueles clássicos imperdíveis e que vão ficar para sempre na história do cinema. Escuso de contar a história. O que posso dizer é que, ainda assim, vale a pena ler o livro. Mesmo tendo visto o filme tantas vezes, não deixou de ser super emocionante. E percebemos melhor os sentimentos que atravessam os personagens, os seus medos e desconfianças. Sabemos o que lhes passa pela cabeça sem a necessidade da vocalização ou expressão física.

E é muito mais completo. Provavelmente cortaram muitas cenas do filme para não ficar demasiado longo, porque há situações bastante significativas no livro que não constam na película. Depois de ter terminado a leitura, revi o filme e, pela primeira vez nestas décadas de Alien, senti que faltava qualquer coisa.

É uma adaptação notável de Alan Dean Foster, sem dúvida.

Alien - O 8º Passageiro
De: Alan Dean Foster
Ano: 1979
Editora: Publicações Europa-América
Páginas: 200

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

Robin Sharma é um dos autores motivacionais mais influentes e mais lidos da actualidade. É dono de um dom único para ir de encontro às necessidades mais prementes dos seus leitores e possibilitar a todos estratégias simples de desenvolvimento pessoal.

É o autor de um dos mais conhecidos livros do mercado do Coaching "O Monge que Vendeu o Seu Ferrari" e tem sido mestre para muitas pessoas que procuram mudar de vida: emprego, relações amorosas, conflitos internos. Hoje falamos da obra "O Santo, o Surfista e a Executiva", que nos leva pelos caminhos da excelência pessoal através da história de Jack Valentine, um jovem de carreira promissora que sofre um acidente de viação que vai mudar a sua vida.

Jack, como muitos de nós, quer resposta às dúvidas mais comuns na sociedade actual: como posso ser mais feliz, dar mais aos outros, ser mais pleno e mais verdadeiro? Estas respostas vão ser acordadas dentro de si por três mestres que vão partilhar com Jack o caminho para Si Mesmo e, consequentemente, para a Felicidade.

Será Jack capaz de vencer os seus medos e a sua desconfiança natural e embarcar numa viagem inesperada pelo mundo? Terá ele coragem para enfrentar os desafios e mudar de vida e, acima de tudo, de pensamento e atitude?... E nós, seremos capazes?

"O Santo, o Surfista e a Executiva", um livro de aprendizagem essencial para quem quer crescer por dentro de tal forma que a sua vida exterior seja um reflexo da magnificência da interior.


O Santo, o Surfista e a Executiva
De: Robin Sharma
Ano: 2014
Editora: 11 x 17
Páginas:272

A nossa pontuação: ★★★★☆

Disponível no site Wook onde podem ler uma pequena amostra do livro.





Quem trabalha ou já trabalhou num escritório já sentiu o que é odiar alguém que temos de ver todos os dias; ou assistiu a comportamentos insólitos, bisbilhotice elevada ao cubo, e muito mais. Este livro é um relato exaustivo de alguns dias passados numa agência de publicidade, que, ainda por cima, está a passar por maus momentos e vê os despedimentos tornarem-se também assunto do dia.

Facadinhas nas costas, empregados obcecados pelo trabalho e outros obcecados com as pausas, muitas conversas na copa, técnicas para parecer que se está cheio de trabalho, colaboradores enraivecidos e com desejos de vingança, romances sórdidos no escritório, tudo isto e mais se passa neste livro, que já foi comparado com a série The Office.

Tem partes muito divertidas e faz soltar umas gargalhadas, especialmente a quem, como eu, trabalha em escritório e sente empatia com as várias situações e se consegue ver na pele de alguns personagens.

A narrativa não segue uma situação ou enredo específico, estando "all over the place" todo o tempo, e talvez seja a parte mais negativa. É um livro longo e que descreve todas as situações muito ao pormenor, e quando não existe uma linha de pensamento e seguimento na narrativa pode aborrecer um pouquinho. Mas gostei!

Então Chegámos ao Fim
De: Joshua Ferris
Ano: 2007
Editora: Casa das Letras
Páginas: 360

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
A primeira história do urso Paddington foi escrita em 1958. E o seu autor, Michael Bond, que faleceu há poucos dias, escreveu praticamente até ao fim da vida, tendo lançado a última aventura do adorável urso em Abril último.

Michael Bond partiu aos 91 anos, e deixou com ele uma das personagens mais acarinhadas de sempre que até teve adaptação cinematográfica há poucos anos. O urso natural do Peru e que adora marmelada é um exemplo de entusiasmo e optimismo que marcou várias gerações.

Que descanse em paz.