Destas festas, claro ;)


Este livro junta algumas crónicas curtas de Miguel Esteves Cardoso, ao jeito de outras que já aqui falámos anteriormente. Estão "arrumadas" de acordo com temáticas muito claras e, para mim, mais humanas do que nunca.

Vê-se que foram escritas numa fase muito emocional, onde o ponto alto é a relação com a mulher, sobrevivente de um cancro. Este homem tem a capacidade de pôr em palavras as coisas simples que normalmente se complicam na nossa cabeça. São como sentimentos descodificados e dá gosto "ler a vida" assim.

Não é um livro aconselhado a quem procura um fio condutor - não é uma história com princípio, meio e fim - há que estar preparado para histórias muito curtas, que às vezes não passam de um relato de um episódio fugidio da vida do autor, ou da explicação pormenorizada de algo concreto que o incomoda. O que é comum a todas, é que parece que as conseguimos "vestir" que nem uma luva. Todos já demos aqueles passeios que sabem por uma vida, ou ficámos presos num momento em que embasbacamos a olhar para a pessoa amada, ou que ficamos pasmados com a inteligência de um gato, ou simplesmente temos uma refeição que vai ficar para a história. E tudo isto mora no livro.

São como fotografias fogazes e poéticas de uma vida como a nossa, escritas por um dos autores que mais conhecimento tem da nossa língua e que melhor uso lhe dá.

Amores e Saudades de Um Português Arreliado
De: Miguel Esteves Cardoso
Ano: 2014
Editora: Porto Editora
Páginas: 328

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Porque os livros expandem o melhor de nós, dão-nos ferramentas para crescer, abrem-nos as portas de novos mundos e conhecimento sem fim, que não ocupa (mesmo) lugar.

Ilustração de Medi Belortaja.

Chama-se "Back to Hogwarts" e não é por acaso, já que no mês que vem é o "Back to School" e os alunos precisam de roupa nova...

É uma linha de roupa e acessórios inspirada na saga do Harry Potter e tem tshirts, casacos, camisas, e acessórios como malas e carteiras. E, não sendo fã do feiticeiro, até acho piada a algumas destas peças.

Por casa 10 dólares em compras é oferecida uma refeição à Feeding America, por isso há ainda mais razões para se encher de estilo.

Via Hypeness







Um jovem vestido de negro e esfomeado bate à porta de uma família turca em Hamburgo - mãe e filho acabam por acolher em sua casa este indivíduo misterioso, pouco falador e cheio de segredos. Apesar das suas tentativas de lhe arrancar de onde e como veio, só muito aos poucos foram conseguindo saber os horrores pelos quais passou.

Diz chamar-se Issa e cedo Annabel, uma advogada idealista especializada em direitos humanos, se ocupa do seu caso, que se afigura muito complicado. Ter chegado a Hamburgo por meios ilegais, ter origem chechena e ser filho de um opressor general russo não ajuda a amenizar a ideia que os espiões de três nações que estão de olho nele elaboraram.

Tendo-se tornado num homem procurado, acaba por pôr em perigo todos os que se mostraram disponíveis para o ajudar. No entanto, este homem tem um objectivo, que passa por dar um uso nobre ao dinheiro do seu falecido pai, obtido por meios muito negros. Uma tentativa de redenção, na qual entra em cena o banqueiro Tommy Brue. Juntas, estas pessoas vão tentar encontrar uma solução para deixar este foragido a salvo.

A história demorou a entranhar - as diferentes perspectivas, contadas à vez, deixaram-me um pouco perdida na leitura, mas conforme o desenrolar dos acontecimentos fui ficando colada. John Le Carré é afinal mestre na espionagem, e também em deixar-nos o bichinho e em fazê-lo crescer. É uma mistura de política, suspense, espionagem com uma grande dose de humanidade. O que faz deste livro uma leitura recomendada.

O livro deu origem a um filme com o mesmo nome, em 2014. Ainda não vi, mas fiquei com muita vontade de ver. Com o falecido Philip Seymour Hoffman, Willem Dafoe e Rachel McAdams.

Um Homem Muito Procurado
De: John Le Carré
Ano: 2008
Editora: Dom Quixote
Páginas: 368

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Um táxi percorre as ruas de Lisboa, como tantos outros. Mas este é especial. Este conta-nos as vidas de por quem lá passa, em especial a vida do seu condutor, Manuel. Pela voz do veículo com curiosidade aguçada, ficamos a par das amarguras de Manuel, da sua família, e dos dramas e pressas de quem repousa o corpo por momentos no banco traseiro, entre um ponto A e um ponto B na cidade de Lisboa.

Ter um táxi como narrador pode parecer estranho, mas garanto que a autora, repleta de mestria, nem por um momento nos provoca essa estranheza. É um relato natural, como se fosse uma conversa entre amigos. O carro observa os bairros, os transeuntes, os moradores à janela, os frequentadores das esplanadas e se ele sabe, nós sabemos também. É um relatar que aceitamos rapidamente e que nos dá sede de saber mais.

E é assim que conhecemos Manuel e que nos sentimos imediatamente ligados a ele, e isso não é por acaso. Todos conhecemos um Manuel, nem que seja de ouvir falar. O taxista bonacheirão, adepto do Benfica e muito tradicional nas suas opiniões. Seguimo-lo enquanto faz os seus trabalhos habituais que incluem levar Daisy, a stripper, ao bar onde dança (a melhor parte do dia), e que deixa, preocupada, o seu filho sozinho no apartamento; ou transportar Olinda, a empregada de uma família rica encarregue de ir buscar à escola os fedelhos mimados dos patrões enquanto os seus próprios filhos a esperam noutro continente.

Manuel tem opiniões muito vincadas, uma maneira de ver as coisas bastante nacionalista e tradicional. Mas tudo muda num dia em que um evento inesperado acontece e toma conta de si. Sem conseguir pensar noutra coisa, dá-se a oportunidade de mudar os seus padrões e, inesperadamente, Manuel vai aceitá-la. Assistimos à sua mudança, e aprendemos que, afinal, burro velho aprende línguas.

Não estava à espera de gostar tanto deste livro. Numa linguagem simples mas surpreendente e original, chega-nos o âmago de uma alma que podia estar perdida, mas na qual a humanidade acaba por vencer. É uma visão muito positiva das coisas, mas nem por isso irreal. E a esperança acaba por tomar também conta de nós que, principalmente depois de ler, acreditamos um pouco mais nas pessoas. E estas pessoas são-nos tão próximas, tão reconhecíveis, tão reais, que a esperança é mais palpável que nunca. Foi o primeiro livro que li da Filipa Fonseca Silva, mas não será concerteza o último.

Amanhece na Cidade
De: Filipa Fonseca Silva
Ano: 2017
Editora: Bertrand
Páginas: 176

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Os livros e o conhecimento não nos trazem popularidade e pessoas à nossa volta, mas trazem-nos coisas muito mais preciosas, incluindo o auto-conhecimento. E, mais uma vez, mais vale sós que mal acompanhados ;)



Os Iron Maiden lançaram em 1995 o álbum The X Factor, do qual faz parte a música "Lord of the Flies", baseada no livro com o mesmo nome de William Golding. É um dos meus livros preferidos e já o li umas quantas vezes (ver review aqui). Quem não o leu, deve fazê-lo rapidamente.

O livro, sobre um grupo de miúdos que se vê numa ilha deserta após um desastre aéreo, conta como o que parece um cenário paradisíaco se transforma num inferno à medida que a sociedade se espelha naquele grupo de rapazes de forma bastante gráfica.

A letra da música reflecte isso muito bem, falando de extensos perigos e da falta de um código moral que provoca emoções díspares quando se luta pela sobrevivência. Não sou fã de Iron Maiden, mas até gosto desta música e da guitarrada. Aqui ficam elas, a letra e a música.


Lord of The Flies, Iron Maiden

I don't care for this world anymore
I just want to live my own fantasy
Faith has brought me to these shores
What was meant to be is now happening

I've found that I like this living in danger
Living on the edge it feels... it makes me feel as one
Who cares now what's right or wrong it's reality
Killing so we survive wherever we may roam
Wherever we may hide we've got to get away

I don't want existence to end
We must prepare ourselves for the elements
I just want to feel like we're strong
We don't need a code of morality

I like all the mixed emotion and anger
It brings out the animal the power you can feel
And feeling so high on this much adrenalin
Excited but scary to believe what we've become

Saints and sinners
Something within us
We are lord of the flies

Saints and sinners
Something willing us
To be lord of the flies 


Não vou para a praia sem o meu livro, isso é certo. Mas se me esquecesse dele (Deus me livre!) preferia estar numa praia com biblioteca para poder matar o bichinho da leitura.

O site NiT fez um apanhado das praias que vão ter bibliotecas de Verão instaladas em praias de Norte a Sul do país, e totalmente grátis, e nós gostamos disso!

Para consultar aqui.


O livro conta cinco histórias passadas em tempos diferentes, entre 1960 e 1999. Duas das histórias são mais longas e três mais curtas, mas todas têm alguns denominadores comuns - os mais óbvios são algumas das personagens que vão passando de uma história para outra, criando um elo de ligação que não é assim tão trivial e pode demorar algum tempo a entender.

A história maior, e para mim, a mais significativa é a primeira. Bobby Garfield tem 11 anos, é órfão de pai e vive com a mãe, uma mulher amargurada e eternamente casmurra e difícil de lidar. A sua vida muda quando Ted, um velho homem com muita experiência de vida, com muito para ensinar e partilhar, se muda para o mesmo bloco de apartamentos.

Vai iniciar-se uma história de amizade entre um adulto e uma criança, mas que não será pacífica. Vai ser perturbada pelas inseguranças e amarguras da mãe contra os homens no geral e porque Ted está a ser perseguido por uma entidade maligna que não se sabe bem de onde vem, mas que representa um perigo real que Bobby, incrédulo no início, vai fazer tudo ao seu alcance para impedir.

Esta primeira história tem muito de fantasia - principalmente pelos perseguidores de Ted, seres completamente únicos saídos da mente de Stephen King - mas também tem muitos ingredientes capazes de agradar a qualquer um - as maravilhas e problemas da infância, a atribulada relação parental, o sentimento de amizade que não olha à idade, o arrependimento, companheirismo ou o medo crescente são apenas alguns.

As outras histórias, apesar de interessantes, não me vou alongar sobre elas porque não me tocaram especialmente. Tendo em comum a Guerra do Vietmane e muitos pormenores históricos e sociais relevantes, considero que se demoram muito tempo numa prosa sem sumo que custa a encontrar direção.

Uma coisa em comum em todas as histórias é o livro "O Deus das Moscas", de William Golding. Uma obra-prima que é obviamente adorada por Stephen King, que o homenageia de uma forma fantástica, encontrando momentos muito especiais para fazer referências, e arranjou formas também menos óbvias de o fazer ao longo de todo o livro.

Há um filme protagonizado por Anthony Hopkins baseado no livro, mas nunca o vi. Tenho a ideia de que será unicamente focado nas relações interpessoais da primeira história, mas sem poder avaliar fica a vontade de ver. Um livro bem diferente do estilo habitual de Stephen King.

Corações na Atlântida
De: Stephen King
Ano: 2001
Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 640

A nossa pontuação: ★★★☆☆