Corações na Atlântida - Stephen King

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O livro conta cinco histórias passadas em tempos diferentes, entre 1960 e 1999. Duas das histórias são mais longas e três mais curtas, mas todas têm alguns denominadores comuns - os mais óbvios são algumas das personagens que vão passando de uma história para outra, criando um elo de ligação que não é assim tão trivial e pode demorar algum tempo a entender.

A história maior, e para mim, a mais significativa é a primeira. Bobby Garfield tem 11 anos, é órfão de pai e vive com a mãe, uma mulher amargurada e eternamente casmurra e difícil de lidar. A sua vida muda quando Ted, um velho homem com muita experiência de vida, com muito para ensinar e partilhar, se muda para o mesmo bloco de apartamentos.

Vai iniciar-se uma história de amizade entre um adulto e uma criança, mas que não será pacífica. Vai ser perturbada pelas inseguranças e amarguras da mãe contra os homens no geral e porque Ted está a ser perseguido por uma entidade maligna que não se sabe bem de onde vem, mas que representa um perigo real que Bobby, incrédulo no início, vai fazer tudo ao seu alcance para impedir.

Esta primeira história tem muito de fantasia - principalmente pelos perseguidores de Ted, seres completamente únicos saídos da mente de Stephen King - mas também tem muitos ingredientes capazes de agradar a qualquer um - as maravilhas e problemas da infância, a atribulada relação parental, o sentimento de amizade que não olha à idade, o arrependimento, companheirismo ou o medo crescente são apenas alguns.

As outras histórias, apesar de interessantes, não me vou alongar sobre elas porque não me tocaram especialmente. Tendo em comum a Guerra do Vietmane e muitos pormenores históricos e sociais relevantes, considero que se demoram muito tempo numa prosa sem sumo que custa a encontrar direção.

Uma coisa em comum em todas as histórias é o livro "O Deus das Moscas", de William Golding. Uma obra-prima que é obviamente adorada por Stephen King, que o homenageia de uma forma fantástica, encontrando momentos muito especiais para fazer referências, e arranjou formas também menos óbvias de o fazer ao longo de todo o livro.

Há um filme protagonizado por Anthony Hopkins baseado no livro, mas nunca o vi. Tenho a ideia de que será unicamente focado nas relações interpessoais da primeira história, mas sem poder avaliar fica a vontade de ver. Um livro bem diferente do estilo habitual de Stephen King.

Corações na Atlântida
De: Stephen King
Ano: 2001
Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 640

A nossa pontuação: ★★★☆☆

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