Em abril fez 2 anos que o escritor colombiano faleceu. As suas obras estão agora disponíveis online, totalmente grátis e em 36 idiomas. O site chama-se La Gaboteca, em homenagem à alcunha pela qual era carinhosamente chamado, 'Gabo'.
Nesta biblioteca digital estão disponíveis obras completas, traduções do autor, livros publicados sobre ele e uma secção sobre a vida e as viagens de Gabriel García Márquez, divididas em várias categorias - romance, poesia, prólogos, ensaios e muito mais. São muitos milhares de materiais do autor, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1982.
No portal podemos ler: "A obra do nosso querido Gabo é património de todos os colombianos. A melhor maneira de honrar a sua memória é conhecendo os seus livros, que estarão sempre à disposição de todos os que queiram se aproximar deles". Esta mensagem é algo comovente, e só temos de lhes agradecer porque isto é realmente um tesouro tremendo e inigualável, importante para nós que já o idolatramos e para as gerações vindouras, seguramente. Obrigada, Colômbia!
O senhor Linh viu a sua aldeia ser devastada e queimada pela guerra. Apenas ele e a sua neta conseguiram sobreviver, e sem mais nem menos vê-se a bordo de um barco como refugiado, partindo para uma terra desconhecida.
Lá chegados, tudo é diferente. O senhor Linh não conhece os barulhos da cidade, não compreende as suas artérias, a dimensão de tudo o que vê. Não sabe a língua, não conhece os cheiros, mas o pior são as pessoas. Elas caminham em passo acelerado sem ver nada à volta e o senhor Linh não compreende o que será assim tão importante que as faça quase correr, sozinhas numa multidão. Mas não se importa. Está ali pela neta, por ela aguentará tudo.
Um dia, um homem aproxima-se dele num banco de jardim e mete conversa. Depois da desconfiança inicial, descobre que apesar de não perceber uma palavra do que ele diz, que a voz lhe é agradável e lhe transmite um conforto há muito desaparecido. E o homem também gosta da companhia do senhor Linh. Passam a encontrar-se todos os dias no mesmo sítio e inicia-se uma estranha amizade, onde dois homens que não percebem nada do que o outro diz partilham palavras estranhas, gestos e fumo de cigarros de mentol.
É um livro pequenino, quase como um conto, mas a sua beleza é tão grande que ultrapassa a dimensão das páginas. É uma história de sobrevivência, de pura amizade, de companheirismo, de partilha e de amor. Mostra o que um homem pode aguentar pela família e as loucuras que está disposto a fazer por outro ser. Sentimos o que é ser-se quase um alienígena noutro planeta, ser olhado de lado e fazerem pouco de nós. Conhecemos a realidade do exílio, um tema tão actual.
Escrito com uma elegância soberba, é um hino à solidão do Homem quando nunca está sozinho. É o percurso obsessivo de um velho para alcançar a salvação. É uma alma despedaçada que se vai colando e partindo outra vez. O final é comovente, tão comovente que dói.
A Neta do Senhor Linh De: Philippe Claudel Ano: 2005 Editora: Edições Asa
Há músicas que têm letras tão belas como verdadeiros poemas, que poderiam viver separadas das músicas que as acompanham. São letras exemplares na sua forma, na mensagem, na estrutura, na profundidade, ou seja o que for que nos toque especialmente. E para celebrar essas letras, iniciamos aqui a rúbrica "canções-poema" onde vos vamos deixar algumas que nos tocam de uma forma ou de outra.
Hoje a sugestão vai para o tema "Morte ao Sol" dos portugueses GNR. Faz parte do álbum "Valsa dos Detectives", e foi lançado corria o ano de 1989. Engraçado como ouço esta música desde antes de ir para a escola (o meu pai é mega fã) e nunca me fartei. Uma das razões tem de ser esta letra de uma melancolia negra que caminha para a escuridão. Deixo-vos um pedaço:
"Felizmente que a noite sai, ainda bem que há névoa por aí. Estou contente se a luz se esvai e uma sombra invade este lugar.
Se o amanhã perdido for, metamorfose de horror.
As trevas não vão demorar, estou contente se a luz se esvai. Se o céu se fecha sobre nós, desprende-se-me uma voz rouca.
Se o amanhã perdido for, overdose de pavor.
Directa sim, eu declaro morte ao Sol. Directa não, e a quem o apoiar. Aí vêm a luz..."
Nós, que somos super fãs de gatos, de leituras e escrita, ficamos todas derretidas quando vemos acessórios como estes que vos mostramos, inspirados em gatos. Que coisas mais fofas!
Entre canetas, lápis, cadernos, estojos ou marcadores, o difícil é escolher e por isso o melhor é levar tudo...
Gosto especialmente destes pequenos post-it, que ternura!
José Maria de Eça de Queirós nasceu para me inebriar.
O seu estilo natural e descritivo soa-me a música. A capacidade de criar imagens pormenorizadas através de descrições elaboradas, funciona como um projector no meu pensamento: como um filme que me passa frente aos olhos em cada página.
"Os Maias" surge aqui como uma releitura de uma obra por tantos mal amada (como tantas o são apenas por fazerem parte do rol de leituras escolares obrigatórias), mas que me acompanhou na adolescência em que me dediquei a estudar as personagens e passagens deste fantástico livro.
O amor de Carlos e de Maria Eduarda, a ironia de Ega, o fatalismo, o humor, a intriga, a novela e a sátira social, faz de "Os Maias" um dos marcos literários mais importantes da nossa cultura.
É fascinante ler esta obra, aos olhos da actualidade, e ver como tanto do que lá se descreve sobre a sociedade de então se adequa ainda tão bem à nossa contemporaneidade.
Agora enchem-nos os dias os download, os like e os lol, mas já então a língua dos gentlemans e dos shake-hands povoava os diálogos, como um marco do socialmente apto e superior. Já então havia crise, nos costumes e nas bolsas, e parece que hoje pouco mudou em ambos os casos. Agora procuramos o amor em presságios, neste livro os presságios o amaldiçoam.
Uma obra soberba que deveria, no meu entender, ser mais amada e admirada, lida e relida. Intemporal.
Estamos em 1951, em plena guerra da Coreia. Marcus Messner é um jovem judeu de Newark, filho de um talhante kosher. Assim que Marcus começou o seu percurso na universidade perto de casa, o pai transformou-se numa pessoa que ele não conhecia - ficou demasiado obcecado com o bem-estar do filho, colocou-lhe várias proibições, cometeu alguns actos de loucura e toda a família ficou prejudicada por esta súbita e inexplicável mudança.
Sentindo-se pressionado e determinado a obter a paz necessária para continuar a ser um estudante exemplar, Marcus toma então a decisão de deixar os seus pais em Newark e frequentar outra universidade mais longe. Só que não estava preparado para o que ia enfrentar. Marcus só queria estudar e ser o melhor para seguir para a guerra com uma alta patente, mas conhece pessoas que lhe vão mexer com os nervos, que o vão surpreender, desiludir, que o vão colocar nas situações mais inesperadas.
Depara-se com um mundo diferente daquilo que esperava, onde as falsas aparências imperam, onde a hipocrisia manda e onde a liberdade é um conceito relativo. Aprende que o direito à privacidade, a camaradagem, a amizade, são voláteis, frágeis, enganadores.
Este curto livro, que foge à temática habitual de Philip Roth, oferece-nos uma complexa densidade humana e social, e aborda com mestria temas como religião ou política. O jovem Marcus é uma personagem fantástica e assistir à sua evolução é um prazer. Vemos a ira apoderar-se dele e o inconformismo a subir-lhe à garganta. Assistimos a sua revolta contra um sistema governado por mentes tacanhas. Percebemos e sentimos também, com ele, a constatação que o mundo é um lugar estranho, e as pessoas ainda mais. Descobrimos-lhe a indignação no âmago. Este livro é uma pérola surpreendente, até ao fim.
Indignação De: Philip Roth Ano: 2008 Editora: Dom Quixote A nossa pontuação: ★★★★☆
A escritora Meredith McCardle é tão fã de Harry Potter que pintou a primeira página da saga numa parede da sua casa. Na fotografia que partilhou no Instagram disse, brincando, que o fez por ser uma grande nerd.
A autora explicou passo a passo o processo e deixou alguns conselhos valiosos para quem quiser seguir-lhe o exemplo. Podem vê-los aqui. É uma óptima ideia, o look final é fantástico, e é uma homenagem muito especial aos livros que nos tocaram profundamente, que nos influenciaram e marcaram o nosso crescimento. Uma forma de os ter connosco, ainda mais perto.
Existe um canal do Youtbe, o Hydraulic Press Channel, onde pessoas se divertem a esmigalhar ou a fazer explodir coisas com uma prensa hidráulica. Sim, isto existe! Há passatempos mesmo estranhos, mas os moços não incomodam ninguém e os vídeos são um fenómeno de popularidade. Este que vos vou mostrar, por exemplo, tem quase 4 milhões de visualizações!
Acontece que a poderosa máquina foi vencida... por um livro. O exemplar de Suomi Englanti Suomi, um dicionário, ofereceu uma resistência espectacular e a primeira tentativa saiu gorada. Até mandou as câmaras ao chão. A força das palavras é assim... não tem limites!
Mike Dow é um famoso psicoterapeuta americano com um dom: o de explicar, de forma simples e directa, os efeitos nefastos de alguns hábitos que temos, ao mesmo tempo que educa, de forma prática, ensinando estratégias para os mudar.
Neste livro aborda o tema do brain fog : um estado de confusão mental, um nevoeiro cognitivo, que afecta, segundo estudos, mais de 80% da população americana. Há quem dê o nome de ansiedade, outros dirão depressão, alguns referem até demência, mas seja qual for o nome ou o grau, a realidade é que vivemos numa sociedade em que a saúde mental é um desafio ao qual não podemos ficar indiferentes.
Apesar deste livro abordar estudos maioritariamente feitos nos U.S. of A., pode perfeitamente adequar-se ao nosso pequeno país à beira-mar plantado: aponta-se para que um em cada cinco portugueses sofra ou tenha sofrido de perturbações psiquiátricas.
Neste contexto, "The Brain Fog Fix" funciona como um manual para obter uma saúde mental optimizada, criar hábitos mais saudáveis, ser mais feliz, estabelecer relações emocionais mais satisfatórias e aumentar o bem estar geral mental e físico.
O Dr. Mike Dow apresenta um plano de 21 dias em que propõe alterações simples mas eficazes na dieta e no comportamento, disponibilizando um diário de "trabalho" onde podemos escrever e analisar a evolução de vários parâmetros da nossa qualidade de vida.
Já estou a aplicar algumas das dicas : redução de açúcar, diminuição do tempo passado ao computador, substituição de alguns alimentos por outros mais saudáveis, análise comportamental diária, meditação... Acredito que a curto prazo sentirei diferenças, e que a longo prazo não tenho senão a ganhar.
Algumas coisas poderão parecer banais, no entanto, muitas das coisas que sabemos serem melhores, ficam-se pelo saber sem nunca chegar à acção, e isso, devemos mudar.Não basta saber, é preciso fazer.
Um bom livro para quem procura dicas rápidas e fundamentadas para se sentir (e ser) melhor.
Título: The Brain Fog Fix
Autor: Dr. Mike Dow
Editora: Hay House Inc. A nossa pontuação: ★★★★☆
Mais no site Amazon.com e no vídeo abaixo, para conhecerem o autor.