Palavras para quê?

Obrigada por provares que não há impossíveis e que se tu, de todas as pessoas do mundo, tinhas motivos para sorrir e a força da certeza absoluta que tudo é possível , então quem somos nós para duvidar?

Aqui fica uma boa lembrança, como todas as que nos deixou.
Com o humor que lhe era tão especialmente característico e tão inesperado de encontrar em alguém com uma vida tão inevitavelmente séria.

Que todos se recordem do Génio e do Homem.

É ou não é? 😛


"O Velho e o Mar" de Ernest Hemingway é um marco literário inegável. Primeiro, pela sua simplicidade;  segundo pelo simbolismo da sua narrativa. Santiago, o velho e solitário pescador cubano, entra mar (d'alma) a dentro nos nossos corações como que nos relembrando de lutas que ainda estão por vir mas que certa e inevitavelmente virão. 

Esta fantástica obra existe em versão novela gráfica, numa banda desenhada nascida da adaptação livre da obra de Hemingway, pelas mãos de Thierry Murat. Apenas recentemente tive conhecimento desta edição e logo procurei saber mais, acima de tudo porque sempre me nasceu a curiosidade sobre se a forma como imagino as palavras, as imagens literárias, é semelhante à de outras pessoas. Será que sonho as frases de forma diferente? Será que todos vivemos o mesmo filme mental quando lemos uma determinada obra?

Na proximidade do Dia do Pai, esta é uma excelente ideia de oferta: uma forte adaptação visual de uma das obras mais reconhecíveis da literatura mundial. É de aproveitar que a novela gráfica encontra-se em promoção no site Wook.pt e com portes grátis. Com uma obra desta qualidade, não há como falhar na prenda. Imperdível.

Um pouco mais sobre o título nesta notícia do Diário de Notícias.


Rasgo de Sol em tempestades,
é o que tu és.
Raízes de árvore que não cede,
apenas tolda para dar os seus frutos,
é o que tu és.

Se te imaginas fraca,
como se de ti tivessem tirado à força
os filhos, o futuro,
não chores.
És a força dos rios e esses seguem sempre
em frente, no seu caminho,
tal como tu, até ao mar que te espera.

Nesse mar serás peixe, serás alga,
e a espuma das marés.
Serás o sal que seca na pele.
É isso que tu és. 
O sal, o sabor,
a textura de tudo o que é, foi e será.

De ti tudo nasce, em ti nada morre,
nada se esquece, tudo se vinca,
como as noites mal dormidas a tratar dos teus.

Em ti tudo floresce, tudo brota, de ti tudo vem,
és a Mãe, a Filha, a Servente e a Rainha.
És tudo Mulher, por isso nunca te faças nada,
por que sem ti nada será.

Vai.
Agora.
Sê muito,
sê tudo,
sê Mulher.

O Tyrion é um espirituoso no Game of Thrones, mas o actor que lhe dá vida não fica atrás ;)



Bruce Delamitri é um famoso e talentoso realizador de Hollywood, conhecido pelos seus filmes violentos, sádicos, crus e negros. Ele é muito confiante e seguro de si e vai ter de usar toda a sua sapiência e paciência nos constantes ataques de que é vítima, especialmente por parte da comunicação social, que frequentemente o acusa de inspirar a violência.

Quando um casal começa a matar indiscriminadamente pessoas em centros comerciais, logo começam as comparações com os filmes de Bruce e a discussão sobre a violência no cinema vem ao de cima, colocando-o debaixo de fogo. Defendendo que os filmes são um reflexo da sociedade violenta e não o contrário, ele vai gastar o seu latim a tentar explicar a sua visão.

Na noite de entrega dos Óscares, todos os holofotes apontam para Bruce. No entanto, uma noite de festa está prestes a transformar-se em tragédia quando os Assassinos dos Centros Comerciais entram em acção, preparando-se para a carnifina mais mediática das suas carreiras de matança. Entrando numa espiral caótica de uma confusão sem precedentes, a vida de Bruce e dos seus mais próximos está prestes a mudar para sempre.

Adorei este livro. Para além da narrativa fantástica, da história mirabolante e da acção constante, é bastante inovador no modo como é escrito. Por exemplo, a prosa por vezes é entrecortada por partes de um guião, como se a história que estamos a ler fizesse parte de um filme, com descrições sobre o set, os actores ou o ambiente, com pormenores das perspectivas das câmaras, exactamente como se estivessemos a assistir às filmagens. Isto é uma completa lufada de ar fresco no modo de ler.

Para além disso, a crítica à sociedade é uma constante, abrangendo o modo como a comunicação social manda nas nossas vidas e nos influencia e molda. O glamour de Hollywood também é posto à prova, mostrando uma comunidade de aparências e superficialidades. Acima de tudo, o livro explora uma sociedade em que a culpa nunca é de ninguém, em que as responsabilidades são sacudidas por egos cada vez maiores que se preocupam apenas com eles próprios.

Ben Elton é comediante e isso também está patente nas páginas do livro. É violento, sim, mas é muito engraçado. Com um humor negro requintado, irónico, este é um dos livros que mais me entreteve e fez rir, com situações a roçar o ridículo, sem no entanto se desviar assim tanto da realidade.

Popcorn
De: Ben Elton
Ano: 2003
Editora: Livros do Brasil
Páginas: 254

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Paulo Coelho dá-nos um relato da vida de Mata Hari, na primeira pessoa. Dividido em três partes, o livro agarra-nos logo à partida começando com a sua execução, após ter sido condenada à morte por ser considerada uma espia.

A segunda parte é uma carta da própria para o seu advogado e é aqui que se encontra todo o sumo. Ficamos a saber de onde veio, por onde passou, até ter chegado a Paris sem absolutamente nada e como se tornou uma figura importante, uma das mulheres mais desejadas e invejadas da época. Dançarina exótica, amante de homens importantes, na vanguarda da moda, Mata Hari foi seguramente um espírito demasiado livre para a época em que viveu e pagou o preço por isso. Num ambiente tenso que precedeu a primeira guerra mundial, ela lucrou, enfrentou intempéries e, mais do que tudo, fez pela sua própria sobrevivência.

É uma história de vida incrível, de uma mulher incrível. Se ela tivesse vivido nos dias de hoje o seu fim teria sido outro, e a própria sabia isso. Vítima das circunstâncias, apanhada pela sua própria desenvoltura, o seu destino soa a injustiça - decidido por aqueles que não a conseguiam acompanhar e compreender.

A terceira parte é a resposta do advogado (também ele um antigo amante) quando já se sabia que ela ia ser executada. Não é um capítulo tão emotivo e emocionante, é quase burocrático. Pela parte que me toca, não era necessária esta visão. Dá-nos algumas respostas, mas podiam ter sido introduzidas de outra forma.

No geral, gostei bastante do livro. Tenho mixed feelings em relação ao Paulo Coelho, mas até costumo gostar dos seus livros menos fantasiosos e com os pés mais assentes no chão, como é o caso. Escrever sobre uma das mais conhecidas mulheres que marcou o início do século XX é difícil e fácil ao mesmo tempo - a vida dela é do mais interessante que pode haver e há muito material para nos deixar abismados; no entanto, a "arrumação" da informação, a pesquisa, a organização do trabalho, e a voz a usar não são nada fáceis de desencantar, e nisso acho que Paulo Coelho acertou. O livro é também acompanhado de algumas fotografias marcantes.

A Espia
De: Paulo Coelho
Ano: 2016
Editora: Pergaminho
Páginas: 184

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Em Ancara, na Turquia, os homens responsáveis pela recolha do lixo começaram a guardar os livros que por lá encontravam. A ideia era que fossem para uso próprio e das suas famílias, mas a quantidade começou a aumentar e várias pessoas começaram a participar, e com o apoio da Câmara, os livros que estavam destinados a um triste fim têm uma nova vida numa antiga fábrica de tijolos.

À medida que o projecto foi ganhando notoriedade, várias pessoas foram entregando livros aos funcionários da câmara, e a biblioteca, que abriu em setembro, já tem uma colecção com mais de 6.000 livros.

O lugar dos livros não é no lixo - é longe dele. Não compreendo as pessoas que são capazes de os jogar fora. O lixo de uns é o tesouro de outros. Este caso teve um final feliz devido à lucidez e vontade destes funcionários que estão de parabéns. Se tiver livros que já não quer entregue-os na biblioteca municipal mais perto. Mesmo que estejam em mau estado, eles recuperam o melhor que podem e passam a estar disponíveis para outras pessoas, a quem possam inspirar e fazer companhia como já fizeram a si.

Outra hipótese é doar os livros a instituições juvenis, seniores, e outras; e ainda outra, é dá-los a projectos de caridade que façam rifas ou feirinhas para angariar dinheiro. Lembre-se: nada se perde, tudo se transforma!

Notícia aqui.



Ethan foi raptado quando tinha 7 anos. Brincava com o irmão mais novo à frente de casa quando um carro preto com dois homens parou e o levou. 9 anos depois, Ethan finalmente reaparece.

Ficamos a conhecer a sua história - foi criado por uma mulher como se esta fosse a sua mãe, que lhe deu tudo durante anos mas quando não conseguiu suportar financeiramente o "filho" o deixou numa instituição. Passado um ano, Ethan conseguiu fugir de lá e tornou-se um sem-abrigo. Tendo acesso a uma biblioteca devido à bondade do bibliotecário, descobriu-se a si próprio num site de crianças desaparecidas e voltou à sua família, para quem, compreensivelmente, foi tudo um grande choque.

O regresso à família foi tudo menos pacífico. Blake, o seu irmão que o viu entrar no carro, guarda graves ressentimentos por ele. Primeiro, porque não compreende porque é que entrou no carro de estranhos; e segundo, porque a partir do seu desaparecimento é como se ele próprio tivesse deixado de existir. A vida da família passou a girar em torno do desaparecimento de Ethan e Blake sentiu-se diminuído no meio da tragédia.

Gracie é a irmã mais nova que nunca chegou a conhecer e que veio preencher o vazio criado por si. Sendo um completo estranho para ela, a explicação sobre quem é e porque é que apareceu, porque é que vai morar naquela casa, ocupar um lugar à mesa, vai ser uma tremenda adaptação.

A relação com os pais também não vai ser fácil. Todos deixaram de se conhecer e é tudo uma novidade. Ethan passou por muito e os pais não sabem lidar com isso. A sua personalidade de quase adulto está formada e trata-se de acolher um estranho dentro de portas e lidar com os atritos entre irmãos, que se vão tornando cada vez maiores.

Ethan sofre - porque não consegue lidar com toda a atenção da comunicação social e da comunidade; porque, depois de ter vivido nas ruas vai ter de se habituar tanto às paredes que o afligem como às regras de viver em família; e principalmente porque não se consegue lembrar de nada da sua infância. Todos lhe perguntam se ele se lembra disto e daquilo, das idas à gelataria, das aventuras de trenó, das brincadeiras, mas a sua mente está completamente bloqueada. Numa fase inicial, pensa-se que tal se deve ao trauma por que passou, mas vai-se descortinando que é muito mais do que isso, culminando num final surpreendente.

Este livro, apesar de categorizado para um público juvenil, é adequado para todas as idades. Gostei bastante de o ler, tanto pela temática interessante como pela estrutura da narrativa, que tem muito de misteriosa e que nos prende até ao fim. Contado pela voz de Ethan, que é um adolescente, a sua linguagem é simples mas nunca simplista. As partidas da mente, as relações familiares, os traumas, a amizade, são aqui expostos, atingem-nos e não nos deixam indiferentes.

Morto Para Vocês
De: Lisa McMann
Ano: 2010
Editora: Everest
Páginas: 256

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

Em São Paulo, em Vila Mariana, uma faculdade organizou uma biblioteca que está aberta todos os dias, a toda a hora. Não há paredes, vidros ou porteiros - todos são livres de passar por lá e escolher um livro.

A biblioteca comunitária está localizada à entrada da faculdade ESPM e foi inaugurada no passado dia 19 com um concerto tocado pelos alunos para chamar a atenção dos transeuntes. O projecto chama-se "Livro Livre" e não há prazos de devolução, papéis ou inscrições. Já são cerca de 2 mil livros disponíveis através de doações.

Uma óptima ideia organizada por alunos, e por cá apoiamos todos os projectos que espalhem o conhecimento e o amor pelos livros, especialmente os promovidos por aqueles que serão o nosso futuro.