Malena Valcárcel é uma artista espanhola que trabalha com papel de livros velhos. Estes ganham uma nova vida através das suas mãos completamente mágicas, com novas formas de beleza inegável. Aqui ficam alguns trabalhos da artista, e podem consultar aqui o seu portefólio.












Todos temos dias assim... Valham-nos os livros!
Jake Whyte é uma mulher a fugir de um passado turbulento que agora mora sozinha e isolada numa quinta junto a uma pequena comunidade numa ilha britânica. A sua única companhia é o cão, Dog, e as suas ovelhas. Ela é uma mulher forte que não se deixa intimidar por nenhum homem, até começar a ver ameaças em todo o lado. As ovelhas aparecem mortas e estropiadas, começa a ouvir barulhos estranhos e a ver pessoas junto à sua propriedade.
 
Criei altas expectativas ao ler a contracapa deste livro. Parecia um thriller decente com uma história fora do comum. E lá fora do comum é ele, mas demasiado. Tanto, que não consegui seguir ali nenhuma linha de raciocínio sem desviar a atenção para outra coisa qualquer. Não me consegui prender minimamente à narrativa. Quase nunca abandono um livro, mas desta vez teve de ser - à página 60.

A premissa é apelativa mas a autora perde-se numa trama que salta no tempo - não tenho nada contra saltos temporais, mas tem de ser bem feito. Se estivermos constantemente a ficar confusos, tanto no tempo da acção, como na relação dos elementos, ou simplesmente não percebemos o que se está a passar, a leitura começa a ser cansativa e deixa de ser um prazer.

Já vi críticas muito boas e muito más - não existe um consenso na opinião e provavelmente irá agradar a muitos vocês - mas quando, em 60 páginas, a coisa mais interessante que acontece é a morte duma ovelha, começa-se a perder a esperança de que vá tornar-se numa boa leitura. Não convenceu.

Todos os Pássaros do Céu
De: Evie Wyld
Ano: 2013
Editora: Jacarandá
Páginas: 224

A nossa pontuação: ★☆☆☆
Disponível no site Wook.
Paris Gibson tem um programa de rádio nocturno, para onde os ouvintes ligam para conversar um pouco e pedir músicas da sua preferência. Uma noite, Paris recebe o telefone de um ouvinte habitual, mas desta vez ele tem um comportamento estranho e revela que raptou uma rapariga, que mantém cativa.

Sem saber se leva o telefonema a sério ou não (foram muitos malucos a ligar ao longo dos anos), o instinto de Paris diz-lhe que há qualquer coisa na voz de Valentino, como se identifica, de tenebroso e verdadeiro. Como tal, chama a polícia, e aí começa a investigação que compõe o livro.

No telefonema, Valentino diz que irá matar a rapariga, depois de se servir sexualmente dela, após 72 horas, e é com esse prazo em vista que a polícia trabalha em colaboração com Paris (que continuará a receber os telefonemas do raptor nas noites seguintes). Sem saber bem para onde se virar, a polícia terá de desenterrar o passado da locutora e investigar as pessoas que lhe são próximas, o que irá revelar segredos obscuros e baralhar as contas da investigação.

É um daqueles livros que toma um rumo, que nos convence de uma coisa, e que depois nos surpreende com um resultado diferente. O que é bom - ninguém gosta de desfechos demasiado previsíveis - mas considero haver alguma "palha" para "encher chouriços" ao longo de toda a história. No entanto, é um bom policial que nunca baixa o ritmo e que nos deixa curiosos até ao fim. A escrita de Sandra Brown é simples, sem artifícios e sem rodeios.

Uma Voz na Noite
De: Sandra Brown
Ano: 2006
Editora: Quinta Essência
Páginas: 450

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Por vezes dizem que me perdem quando passo por uma livraria... Agora já sabem porquê. Sigam as instruções! E aprendam que não há remédio para isso :P



A trama passa-se na aldeia alentejana de Cousa Vã, paredes meias com Espanha. Manolo é um homem simples cuja vida anda nas bocas das gentes da taberna e nas ruas parcas da aldeia, pois a sua mulher, Maria, desaparece às sextas. O boato de que Manolo é encornado espalha-se mais depressa que a verdade - que o leitor vai descobrindo com prazer.

Manolo e Maria acabam por se tornar um exemplo do que é o amor e de como deve ser a vida a dois. O casal alentejano contra o mundo, ignorando as bocas, explorando novos terrenos, enfrentando com desprezo o pensar dos outros e vivendo experiências de causar inveja sem necessidade de as bradar a toda a gente.

Com a linguagem simples e rude do Alentejo é-nos contada a história deste casal, que se revela bela e ternurenta, e de outros habitantes da aldeia. É o caso de Beto, com a mania que é político influente; ou de Alfredo, que ganha a vida na venda e revenda de artigos de origem duvidosa e que acumula dívidas; Tonho, dono da taberna, e que tarde mas consistentemente desperta para a homosexualidade, ao mesmo tempo que a sua esposa desperta para um sexo portentoso com outros homens.

Tudo flui de forma muito natural nesta narrativa, prendendo-nos na vida cheia de pequenas vitórias e derrotas deste povo, que reprensentam um país inteiro. Todos temos estas simplicidades dentro de nós e este livro ajuda-nos a descobri-las. A escrita de João Rebocho Pais é uma bela surpresa que nos entra por todos os poros para de lá nunca mais sair. Desarma-nos e deixa-nos sem defesa para o que aí vem. Totalmente recomendado.

O Intrínseco de Manolo
De: João Rebocho Pais
Editora: Teorema
Ano: 2012
Editora: 176

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
E prefiro ficar com os meus mais de 100 livros por ano! 😃

:)


Mais do que tudo, o mais recente livro de Ken Follett é um documento histórico de um rigor extraordinário, que em quase 800 páginas nos transporta para o período entre 1558 e 1620, na Europa. As divergências religiosas entre católicos acérrimos e protestantes são o centro da trama, que acompanha o antes, durante e depois do reinado de Isabel I.

A rainha inglesa, protestante, tentou ao máximo, durante décadas, parar as mortes decorrentes das diferenças religiosas, dando liberdade de escolha ao povo para praticar a religião como bem entendesse. Isto foi uma mudança radical e inaceitável para muita gente, inclusivé para os povos dos outros países da Europa, que gerou tumultos, guerras, conspirações, atentados, que acabaram por resultar, na mesma, em muitas mortes.

No centro da acção está Ned Willard, que acompanhamos desde o tempo em que era um jovem com um amor impossível, até se tornar no homem mais importante a trabalhar para a rainha Isabel. Simpatizamos imediatamente com este homem cujo sentimento de justiça é dos mais nobres que iremos encontrar na literatura.

Por falar nas personagens, como devem imaginar, num épico desta dimensão, são centenas. Tantas, que o autor até decidiu colocar um glossário de personagens logo à partida da narrativa para não perdermos o fio à meada. Apesar da imensidão, cada uma é construída de forma exemplar e nada é deixado ao acaso.

As descrições dos cenários, das cidades, das viagens, das batalhas, são exímias. Ken Follett é perito em manter-nos presos à narrativa e esta não é excepção. Não é dos livros mais brilhantes que já lhe li - talvez pelo rigor histórico que não deixa muita margem para nos deixarmos levar pela imaginação - mas é uma leitura super aconselhada, especialmente pelos apaixonados por História.

Uma Coluna de Fogo
De: Ken Follett
Ano: 2017
Editora: Editorial Presença
Páginas: 768

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.



Livro da pesada: este grande exemplar qualifica-se para a categoria de Livros da Pesada. E como tal, usaria-o muito bem para atirar à cabeça aqueles que odeiam, que olham de lado, que recriminam, quem tem uma religião diferente. Como podem ver, é uma luta que dura há demasiado tempo. E não faz sentido. As religiões são como as opiniões e como os cus - cada um tem o seu. Respeitem o cu alheio!
Para entendedores do inglês :D