Esta é "uma história de amor", assim se descreve este pequeno conto sobre um gato e uma andorinha. Um amor impossível entre dois animais que encarnam, em muito do seu amor, o que nós temos de mais humano: a nossa fé no impossível quando amamos alguém mais do que a nós mesmos.
Jorge Amado escreveu esta bela história para o seu filho, João Jorge, quem sabe se para o ensinar desde criança a amar, amar acima de tudo, sem olhar a quem, e sempre em pleno; se para nos ensinar a nós, leitores, que nunca se é demasiado velho para acreditar no amor.
O livro chega-nos ilustrado por Carybé, pintor que nos transporta com a inocência colorida dos seus traços como que num embalo, brindando o leitor com cores que transmitem emoções e imagens que adoçam a leitura.
O Gato Malhado é um bicho rezingão, com humores irritáveis e temido por todos. A Andorinha Sinhá, fiel à sua espécie, tem a curiosidade e a altivez natural de quem é livre de voar por aí. Entre estes dois nasce uma amizade profunda e um amor improvável.
Condenados pelo julgamento alheio, donos de um amor que ninguém aprova ou compreende, Gato e Andorinha vão lutar, mas será que o amor vai vencer?
Uma fábula fantástica e uma leitura recomendada para todos. Numa época cheia de virtualidades e cinismos, sabe bem ler um livro que se manteve pelas décadas como uma homenagem à pureza, mesmo quando o resto do mundo parece estar num jogo contra a felicidade.

Não importa como termina a nossa história, amar por amar deve bastar para que essa história seja memoravelmente eterna e aqui, neste pequeno conto, amar é mais que bastante.
O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá
De: Jorge Amado
Ano: 1978 (1ª Edição) 2010 ( Edição pela BIS)
Editora: BIS
A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook e com 10% desconto neste momento.
Depois de ter lido, e gostado, de O Cego de Sevilha, voltei a ler o mesmo autor, num livro que continua a acompanhar as investigações de Javier Falcón.
Neste, acontece um homicídio seguido de suicídio num bairro respeitável de Sevilha, mas contornos duvidosos rodeiam o acontecimento. Será que se tudo se passou como parece ou é um encobrimento de algo com contornos muito maiores?
Jávier Falcon está encarregue da investigação, e as suas perguntas e persistência vão irritar muita gente e despoletar mais acontecimentos macabros naquele bairro sevilhano. Mortes, mentiras e muitos outros temas, como loucura, fama e pedofilia, são abordados e tidos em conta na investigação.
Um livro misterioso com uma trama que dá muitas voltas, que nos deixa colados e a querer saber o que acontece de seguida. Peca um pouco pela quantidade muito grande de personagens que tornam a acção algo confusa e que por vezes obrigam a uma segunda leitura. Este autor também tem o hábito de ser muito geográfico, expandido-se em pormenores desse tipo, tornando a leitura mais longa e densa. No entanto, gostei, é um bom policial.
As Mãos Desaparecidas
De: Robert Wilson
Ano: 2006
Editora: Dom Quixote
Páginas: 448
A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Neste, acontece um homicídio seguido de suicídio num bairro respeitável de Sevilha, mas contornos duvidosos rodeiam o acontecimento. Será que se tudo se passou como parece ou é um encobrimento de algo com contornos muito maiores?
Jávier Falcon está encarregue da investigação, e as suas perguntas e persistência vão irritar muita gente e despoletar mais acontecimentos macabros naquele bairro sevilhano. Mortes, mentiras e muitos outros temas, como loucura, fama e pedofilia, são abordados e tidos em conta na investigação.
Um livro misterioso com uma trama que dá muitas voltas, que nos deixa colados e a querer saber o que acontece de seguida. Peca um pouco pela quantidade muito grande de personagens que tornam a acção algo confusa e que por vezes obrigam a uma segunda leitura. Este autor também tem o hábito de ser muito geográfico, expandido-se em pormenores desse tipo, tornando a leitura mais longa e densa. No entanto, gostei, é um bom policial.
As Mãos Desaparecidas
De: Robert Wilson
Ano: 2006
Editora: Dom Quixote
Páginas: 448
A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Esteva ao ponto de fechar devido a problemas financeiros, causa comum que está a deixar de portas fechadas muitas livrarias, mas não foi o que aconteceu. José Pinho, dono da Ler Devagar, apaixonou-se pela livraria Ferin, que considera a mais bela de Lisboa, em especial depois de vislumbrar duas fabulosas salas abobadadas na cave, que faziam parte de um antigo convento, que não estavam abertas ao público.
Esta parte será reservada para livros raros e antigos, e a oferta no andar de cima será um misto entre edições portuguesas e estrangeiras, já que a localização turística na Rua Nova do Almada proporcionará muitas visitas de viajantes internacionais. Muitas mais acções irão ter lugar, incluindo declamações de poesia, música ou teatro.
Uma vida nova, e bem-vinda, para a segunda livraria mais antiga de Lisboa.
Via Rádio Renascença.
Esta parte será reservada para livros raros e antigos, e a oferta no andar de cima será um misto entre edições portuguesas e estrangeiras, já que a localização turística na Rua Nova do Almada proporcionará muitas visitas de viajantes internacionais. Muitas mais acções irão ter lugar, incluindo declamações de poesia, música ou teatro.
Uma vida nova, e bem-vinda, para a segunda livraria mais antiga de Lisboa.
Via Rádio Renascença.
Fernando Ribeiro não é só o líder dos Moonspell, um dos maiores estandartes musicais em Portugal e fora de portas, como também é um "bicho das letras" como nós, completamente viciado na leitura e, ele próprio, autor.
Pelas suas mãos, e juntamente com Pedro Vindeirinho (Rastilho) e o o designer João Diogo Pereira acabou de nascer o projecto Alma Mater Books que promete lançar dois livros este ano e muitos mais nos vindouros. As expectativas estão altas, o desafio está lançado, e agora vamos aguardar os lançamentos, sob o nome da música mais icónica da banda de Fernando Ribeiro.
Pelas suas mãos, e juntamente com Pedro Vindeirinho (Rastilho) e o o designer João Diogo Pereira acabou de nascer o projecto Alma Mater Books que promete lançar dois livros este ano e muitos mais nos vindouros. As expectativas estão altas, o desafio está lançado, e agora vamos aguardar os lançamentos, sob o nome da música mais icónica da banda de Fernando Ribeiro.
Este livro chegou até mim através da coleção da Visão que já antes aqui referimos e como uma agradável surpresa. Nesta pequena narrativa conta-se a história de Buck, um cão cruzado de São Bernardo com Collie, com grande porte e ainda maior esperteza, que vive calma e ordeiramente numa quinta californiana.
Certo dia a sua vida muda drasticamente e a sua força será grandemente testada. Traído e contra vontade é levado para longe e obrigado a trabalhar a puxar trenós na neve do Canadá. Sujeito a violência e condições extremas, Buck encontra em si o apelo selvagem dos animais, dos lobos e da natureza e assim supera as adversidades ganhando em força e espírito o que antes tinha perdido em conforto e adormecimento da fera.
Mais tarde, Buck é salvo da morte certa por Thornton, um homem que vai conquistar o coração indomável do feroz cão. Mas será este novo amor, nascido da sobrevivência, mais forte do que o uivo de liberdade que ecoa pela floresta?
"O Apelo da Selva" é um fantástico livro que serve de homenagem à nobreza dos animais no seu estado selvagem, ao mesmo tempo que exemplifica em Buck a luta entre a civilização adormecida e o selvagem de onde todos somos originários. Quem ganhará esta luta, o conforto apego do doméstico ou a ferocidade do primitivo?
Emocionante, intenso, e uma leitura para todos.
O Apelo da Selva
De: Jack London
Ano: 1903 (1ª Publicação) 2014 (Última edição)
A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook . Mais sobre este título da coleção da Visão "Ler Faz Bem" no site do projecto.
Peguei neste livro da biblioteca olhando para o apelido - Murakami - pensando no outro, e só depois vi que se tratava de outro autor. Trouxe-o, curiosa, e ainda bem.
Esta é a história de Kenji, um jovem japonês que ganha a vida como guia nocturno em Tóquio, especialmente focado no negócio sexual. Procurado por muitos estrangeiros, desta vez calha-lhe em "sorte" o americano Frank. E as aspas pretendem mesmo dar outro sentido, porque sorte foi mesmo o que não teve.
Cedo percebeu que algo não batia certo em Frank - qualquer coisa na sua expressão, na maneira de falar, que o deixou de pé atrás. Mas foi tentando colocar essa sensação em segundo plano enquanto lhe mostrava os bares de engate, os melhores motéis e locais imperdíveis na noite ardente da cidade.
Na segunda noite como guia do americano, Kenji já não consegue pensar noutra coisa - aquele feeling de que o americano tem segredos sujos escondidos torna-se evidente conforme pequenas coisas vão acontecendo e coincidências deixam de o ser. E tudo o resto é uma corrida de acontecimentos tenebrosos que vão culminar num cenário impensável, demasiado perverso e inesperado para se resumir e, sobretudo, spoilar.
É um thriller muito bem conseguido, dos melhores que li nos últimos tempos, daqueles que não nos deixam respirar. Isto, associado ao tipo de escrita característico dos japoneses e a um certo nível de gore, tornam-no num livro único e diferente, não aconselhado a cardíacos e a mentes mais sensíveis. É também um retrato do isolamento e solidão típicos do Oriente, numa sociedade conspurcada.
Na Sopa de Miso
De: Ryu Murakami
Ano: 2006
Editora: Casa das Letras
Páginas: 202
A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.












