As muito esperadas (e muito históricas) tertúlias no Martinho da Arcada regressam em 2017, e isso por si só já é motivo de festejo! Por lá irão passar nomes importantes da nossa cultura, começando em Eunice Muñoz já no próximo dia 20 de Janeiro e terminando, em grande, com o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa no dia 4 de Abril.

Por 20 euros, mediante reserva que se recomenda seja feita rapidamente, podemos jantar com figuras de relevo e que, garanto, vale bem a pena ouvir. As tertúlias do Martinho da Arcada criam sempre um fantástico ambiente de conversa e debate e de abertura de ideias e mentalidades.

Um regresso desejado e que promete tudo de bom! Não é todos os dias que podemos jantar onde jantou Pessoa enquanto ouvimos falar o Presidente!

Saibam mais sobre as datas e presenças no Diário de Notícias. A não perder!



O pior é que muitas vezes estes bichanos ficam a olhar para nós exactamente assim!
Malandros!

Os inspectores da PJ Ernesto e Mauzinho enfrentam um caso difícil - Sofia Olsten, uma actriz e modelo, bonita, elegante e socialite, presença diária nas telenovelas e revistas cor de rosa, foi brutalmente agredida e roubada à saída do ginásio que frequentava. Há também a suspeita de que foi violada e muitos mistérios giram à volta do caso, que tomou proporções exageradas devido à fama de Sofia.

Os talentosos inspectores vão meter-se por caminhos perigosos que os vão levar a outros crimes violentos e enfrentar gente que normalmente não gosta de ser confrontada para chegar ao cerne da questão. Por fim, deparam-se com algo muito maior do que estavam à espera e que envolve nomes muito importantes e intocáveis.

É um policial com alguns toques de humor no meio de uma trama que se poderia ter passado à nossa porta. Gostei bastante, embora a história não seja surpreendente. A linguagem é leve mas inteligente e acutilante, as personagens são muitíssimo bem retratadas e sentimos imediatamente uma intimidade com elas, e a forma como está escrito, apresentando a perspectiva de cada uma em cada capítulo, dá uma certa velocidade e novidade à acção.

Este foi o primeiro romance de Ricardo Dias Felner, nascido em Maputo, mais conhecido como jornalista.

Herói no Vermelho
De: Ricardo Dias Felner
Ano: 2011
Editora: Quetzal
Páginas: 272

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
As estantes estão caras e há formas mais criativas e, sobretudo, baratas, para organizarmos os nossos livros. Aqui ficam algumas ideias - vejam como umas ripas de madeira, gavetas ou bocados de couro são suficientes para desempenhar o papel, de forma original e poupada!








Com o Alentejo como pano de fundo, são-nos apresentados os habitantes de uma terreola. Lá, os hábitos são antigos e as pessoas também. Antónia é uma das mais antigas e, apesar de já não andar e pouco ver e ouvir, tem o sonho de visitar a Terra Santa para poder morrer descansada. 

A sua neta Rosa, moça simples de parcos sonhos e buço avantajado, move mundos e os fundos que não tem para manter viva a avó e a ela própria. Mesmo na pobreza e na timidez, a rapariga desperta amores. É o Professor, homem graúdo mas apaixonado pela jovem, que tem a ideia de trazer Jerusalém até ao Alentejo, arrastando consigo toda a gente da aldeia na elaboração da benéfica farsa que fará da velha feliz e de Rosa eternamente agradecida.

Foi um livro que custou a arrancar. As personagens são mais que muitas e cada uma delas tem muitas histórias dentro de si, e não pareciam interligar-se. Foi confuso, ao início. Quando tudo começou a fazer sentido a narrativa fluiu e acabei por adorar o livro. Dentro de cada um dos habitantes mora uma rede complexa de experiências de vida e emoções que torna tudo belo e entrelaçado como uma unidade maior. A leitura flui leve mas marcante e poderosa como um rio. Afonso Cruz é já um dos autores portugueses contemporâneos que mais aprecio e este livro só o confirma mais veementemente.

Jesus Cristo Bebia Cerveja
De: Afonso Cruz
Ano: 2012
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 252

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.


O humorista Ricardo Araújo Pereira (RAP), que todos nós conhecemos de outras e muitas paragens, escreve este livro quase em tom de manual para quem quer fazer humor. Mas é mais do que isso. É um pequeno documento histórico onde nos são apresentados vários exemplos do que de melhor se fez no humor ao longo dos séculos.

Desde Chaplin, passando por Woody Allen, Tarantino, Seinfeld e até pel'Os Maias, entre muitos outros, vamos compreendendo melhor o humor e como certas nuances nos podem ter passado despercebidas em obras que conhecemos, ou pensávamos conhecer, bem.

Dividido em 'técnicas' de fazer humor (como "aumentar uma coisa" ou "imitar uma coisa"), este pequeno livro denota acima de tudo a inteligência de RAP e o seu querer partilhar bons momentos e algumas gargalhadas e, neste caso, História e conhecimento.

A doença, o sofrimento e a morte entram num bar 
De: Ricardo Araújo Pereira
Ano: 2016
Editora: Tinta da China
Páginas: 112

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.


Este é o primeiro romance da jovem escritora californiana Emma Cline, que aos 27 faz a sua estreia no mundo literário.

Trata-se da história de Evie que, nos anos 60, é uma adolescente reservada até que um dia encontra umas raparigas que vivem em conjunto num rancho e que lhe chamam a atenção - são como que desprendidas do mundo, como se não quisessem saber das consequências das suas ações, das opiniões dos outros e do mundo. Uma delas em especial - Suzanne - desperta em Evie qualquer coisa mais. O seu olhar selvagem e despreocupado torna-a num ídolo para Evie, que nunca a esquece.

E quis o destino que se voltassem a ver. Evie idolatra Suzanne e tudo o que ela faz parece ser o correcto; todos de quem ela gosta Evie passa a gostar também; as acções que Suzanne tem, Evie imita. E aos poucos a adolescente reservada vai mudando conforme vai entrando mais no mundo de Suzanne e adoptando o seu estilo de vida.

Quando está totalmente embrenhada na nova amiga e a segue como um cordeiro para todo o lado, o desprendimento da sua antiga vida vai tomando grandes proporções - quase se esquece que um dia já teve outras amigas, que dormia sempre no seu quarto de adolescente, que tem pais que se preocupam com ela, que andava na escola e tinha sonhos de menina. E tudo se desmorona. Como tudo o que é demais, torna-se perigoso. Um acontecimento vai mudar a vida de Evie para sempre. Será que valeu a pena ter deixado tudo para trás?

A ação vai alternando entre o tempo presente e o passado. Vemos o olhar inocente de Evie com 14 anos, e seguimo-la também em adulta, analisando tudo o que se passou com a frieza da distância e da maturidade. Apesar de se passar nos anos 60, reflecte um grande problema dos nossos dias e de todos os tempos - a necessidade, muitas vezes perigosa, que os adolescentes têm de seguir alguém e de se armarem aos cucos, com acessos de rebeldia injustificável.

Apesar da relativa normalidade do enredo, é um livro muito bem escrito, e se não soubesse nunca diria que é o primeiro romance de alguém. Há que dar os parabéns a Emma e esperar pelas próximas aventuras nas letras.

As Raparigas
De: Emma Cline
Ano: 2016
Editora: Porto Editora
Páginas: 272

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook
E começamos o ano com um balanço do que melhor se fez em termos de capas de livros. São daqueles casos raros em que podemos julgar o livro pela capa! As escolhas são do Buzzfeed e podem consultá-las todas aqui. Das escolhidas, este é o meu top 5. Boas leituras para 2017!






Ah, pois é :)

O leitor que nunca snifou os seus livros que atire a primeira pedra!