Tommy Wilhelm está na casa dos 40 e a sua vida está a ir por água abaixo. Tudo por sua culpa. Deixou a mulher e os dois filhos, e envia-lhes dinheiro, quando o tem. Deixou o emprego, e não aceita outro qualquer, preferindo falar sobre a sua má sorte. Gastou as suas poupanças a apostar na banca em produtos duvidosos, aconselhado por um homem de má fama. Vive num hotel e não tem como pagar a conta. O seu pai, rico, não cede aos seus pedidos de dinheiro e manda-o trabalhar, constantemente.
Outrora um homem vistoso, agora Wilhelm não é mais do que um preguiçoso descuidado que passa a vida a queixar-se, uma sombra do homem forte e arrojado que outrora foi, um garoto preso no corpo de um adulto, cheio de medos e hesitações. Assistimos a algumas horas da sua existência, aos seus diálogos e amarguras, enquanto ele tenta descortinar, sem sucesso, um caminho para sair da pasmaceira.
É um livro interessante, mas algo demorado nos diálogos e nas acções. O background do personagem principal é bem elaborado, e chegamos a sentir uma espécie de pena, mas acusatória, por ele. Por vezes a narrativa perde-se nas histórias dentro das histórias, e o leitor perde um pouco a empatia e o interesse. Mas, no geral, é um livro aceitável, com uma boa dose de drama e de humor.
Agarra o Dia
De: Saul Bellow
Ano: 1956
Editora: Relógio D'Água
Páginas: 136
A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Saiu no mês passado a biografia de Jack White, da autoria de Nick Hasted. Chama-se "Jack White: How He Built an Empire From the Blue" e é uma fabulosa prenda de Natal para aquele familiar que realmente aprecia boa música. Ou prenda de anos. Ou prenda espontânea. Que fique assente: é uma boa prenda e pronto.
Ele é uma rock star importantíssima e incontornável, tanto pelo seu trabalho em grupos como os "White Stripes" ou a solo, e pelas suas colaborações de peso com, por exemplo, Bob Dylan ou Tom Jones. É uma das figuras do rock mais competentes e influentes dos últimos tempos e quem não o conhece bem, não sabe o que perde.
Esta é uma oportunidade de redenção, com este livro baseado em entrevistas de várias figuras próximas ao artista, que inclui também fotografias.
Disponível na Amazon.
Ele é uma rock star importantíssima e incontornável, tanto pelo seu trabalho em grupos como os "White Stripes" ou a solo, e pelas suas colaborações de peso com, por exemplo, Bob Dylan ou Tom Jones. É uma das figuras do rock mais competentes e influentes dos últimos tempos e quem não o conhece bem, não sabe o que perde.
Esta é uma oportunidade de redenção, com este livro baseado em entrevistas de várias figuras próximas ao artista, que inclui também fotografias.
Disponível na Amazon.
Ai, o stress. É o trabalho o ano inteiro, a correria das férias, coisas menos boas que vão acontecendo, discussões, percalços, e agora a stressante época das festas. Enfim, merecemos descanso. E de mandar 2016 ir dar uma volta ao bilhar grande.
E para isso... tchan tchan tchan... este livro de colorir é perfeito! Ele reúne palavrões de todo o mundo, e o português não podia ficar de fora, com um "cabrão" bem metido e a pedir para ser pintado ao estilo dos anos 80. Assim, são cumpridos três desejos - podem relaxar com a pintura, aprender palavrões noutras línguas, ao mesmo tempo que mandam os problemas de 2016 para trás das costas. Boa prenda de Natal!
Via Buzzfeed

E para isso... tchan tchan tchan... este livro de colorir é perfeito! Ele reúne palavrões de todo o mundo, e o português não podia ficar de fora, com um "cabrão" bem metido e a pedir para ser pintado ao estilo dos anos 80. Assim, são cumpridos três desejos - podem relaxar com a pintura, aprender palavrões noutras línguas, ao mesmo tempo que mandam os problemas de 2016 para trás das costas. Boa prenda de Natal!
Via Buzzfeed

Se ainda não decorou a árvore de Natal e é fã dessa tradição, porque não decorar de acordo com uma personagem ou saga que nos é querida? Foi isso que fez Kathryn Burnet, uma enorme fã de Harry Potter, responsável por esta árvore bem completa que podem ver em baixo.
Kathryn reuniu os adereços nas suas recorrentes viagens ao estúdio da Warner Bros., e já lá vão onze visitas. A este passo, poderá incluir um presépio no ano que vem... Não lhe falta nada, e até os famosos óculos tiveram lugar de destaque nesta árvore original.
Via Buzzfeed
Kathryn reuniu os adereços nas suas recorrentes viagens ao estúdio da Warner Bros., e já lá vão onze visitas. A este passo, poderá incluir um presépio no ano que vem... Não lhe falta nada, e até os famosos óculos tiveram lugar de destaque nesta árvore original.
Via Buzzfeed
Erik Gould é um brilhante pianista que a CIA pretende recrutar, em plena Guerra Fria, para o programa Jazz Ambassadors. Neste plano, o objectivo é captar a Juventude de Leste para a causa americana através da música, ou seja, passar ideias e conceitos através das notas musicais, talento pelo qual Erik é conhecido.
Nos entretantos, a mulher de Erik desaparece sem deixar rasto, aparece um misterioso homem de chapéu cinzento, e o curioso filho de Erik, Tristan, vê sentimentos em forma de pessoas em todo o lado.
O mais interessante, para mim, neste livro, foi exactamente Tristan. A maneira como a sua mente dá forma a todo o tipo de sentimentos é genial. Por exemplo, perto dele está sempre uma velhota, que só ele vê e que sente como sendo a morte que não o larga. Ele vê pessoas e seres vivos que representam o nojo, a dúvida, o desespero, a satisfação, e ver a manifestação dessa "doença", a sinestesia, é soberbo.
De resto, é um livro bastante interessante, mas não me senti tão próxima como nos outros livros de Afonso Cruz. Apesar do tema central - a música - ser descrita de forma apaixonante, considero que há algo de frio em toda a narrativa que não me permitiu criar grande empatia.
Nem Todas as Baleias Voam
De: Afonso Cruz
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2016
Páginas: 280
A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
O conceito já existia em Tokyo, e o sucesso foi tão grande que vai abrir um novo espaço, desta vez em Kyoto. A ideia é simples mas genial - um hotel onde os livros ocupam o papel principal. Uma pessoa sente-se imediatamente confortável só por olhar para aquelas lombadas antes de dormir, e há qualquer coisa de reconfortante estar rodeado de tantas palavras na hora de maior tranquilidade do dia.
São mais de 5000 livros no hotel de Tokyo, e as camas estão localizadas no meio das estantes, portanto, o sono surge mesmo no meio da ação. Adoro a ideia e, pelo menos para mim, seria mesmo confortável. Como se dormisse numa biblioteca intimista ou no quarto de adolescência dos meus sonhos.
Via Bored Panda.
São mais de 5000 livros no hotel de Tokyo, e as camas estão localizadas no meio das estantes, portanto, o sono surge mesmo no meio da ação. Adoro a ideia e, pelo menos para mim, seria mesmo confortável. Como se dormisse numa biblioteca intimista ou no quarto de adolescência dos meus sonhos.
Via Bored Panda.
Li "O Mar Por Cima", do mesmo autor, que me impressionou quando era adolescente, e só agora voltei a ler Possidónio Cachapa. Não devia ter feito um interregno tão grande, porque é dos melhores autores portugueses da actualidade. Este livro, "Eu Sou a Árvore", é daqueles que se lêem muito devagarinho para prolongar o prazer da leitura, e este sentimento, raro, sabe tão bem.
A história é sobre uma família, como tantas outras, com os seus problemas, as suas falhas de comunicação, os seus ramos, como os de uma árvore, estendidos para todas as direcções, separados, mas ligados por um tronco, cada vez mais fraco e fino, sujeito a intempéries e quase sempre em risco, tirando aqueles raros dias perfeitos onde tudo está calmo e o sol brilha. A mãe, pai, e três filhos são-nos expostos até às entranhas e temos o prazer de testemunhar a sua ascensão e queda, como quando finalmente a frondosa macieira deita fora os seus frutos.
Vamos alternando entre eventos do passado e do futuro, que se interligam, se completam e que fluem de modo perfeito. O autor tem uma sensibilidade muito aguçada, que nos agarra e nos entrelaça nas histórias daquelas personagens únicas. E, em tudo o que lemos, vemos uma correspondência bela e intrigante entre nós, humanos imperfeitos, e as árvores. Um dos melhores livros que li este ano.
Eu Sou a Árvore
De: Possidónio Cachapa
Ano: 2016
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 352
A nossa pontuação: ★★★★★
Disponível no site Wook.
A história é sobre uma família, como tantas outras, com os seus problemas, as suas falhas de comunicação, os seus ramos, como os de uma árvore, estendidos para todas as direcções, separados, mas ligados por um tronco, cada vez mais fraco e fino, sujeito a intempéries e quase sempre em risco, tirando aqueles raros dias perfeitos onde tudo está calmo e o sol brilha. A mãe, pai, e três filhos são-nos expostos até às entranhas e temos o prazer de testemunhar a sua ascensão e queda, como quando finalmente a frondosa macieira deita fora os seus frutos.
Vamos alternando entre eventos do passado e do futuro, que se interligam, se completam e que fluem de modo perfeito. O autor tem uma sensibilidade muito aguçada, que nos agarra e nos entrelaça nas histórias daquelas personagens únicas. E, em tudo o que lemos, vemos uma correspondência bela e intrigante entre nós, humanos imperfeitos, e as árvores. Um dos melhores livros que li este ano.
Eu Sou a Árvore
De: Possidónio Cachapa
Ano: 2016
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 352
A nossa pontuação: ★★★★★
Disponível no site Wook.

















