Librottiglia é um projecto italiano que faz acompanhar garrafas de vinho com pequenos contos, aliando assim dois prazeres: o vinho e a leitura.

Na era onde onde existem diversas formas de ler, esta é uma nova e inovadora forma de o fazer. Os leitores que gostam de vinho sabem bem como é bom fazer acompanhar uma história com um copo do néctar dos deuses. Actualmente existem três histórias disponíveis de autores italianos, que são atadas à volta da garrafa.

Estas garrafas não estão disponíveis em Portugal mas era uma óptima ideia para importar num país como o nosso, com uma história tão grande seja no sector vinícola ou no literário. E todos temos aquele amigo que bebe muito e lê pouco... seria uma óptima prenda de Natal ;)

Via P3.




No séc. XIX, o narrador é alguém que se levantou de manhã, sobressaltado por acordar num local desconhecido, mas ao mesmo tempo familiar... Encontra vários objectos estranhos naquela casa onde se encontra. Será que lhe pertencem? Na sua exploração, encontra umas notas escritas que o fazem duvidar do seu estado mental. Parece que foram escritas por si e, ao que tudo indica, anda com uns desacertos de memória.

Decide, então, pôr no papel tudo o que se lembra, a ver se desbloqueia a mente e se lembra de quem é e o que fazem aqueles acessórios estranhos no seu espaço - sotainas, bigodes e barbas falsas, e outros apetrechos que não lhe dizem nada. Às vezes, porém, outra personalidade dentro de si sobressai e acorda como outra pessoa, ficando perplexo com aquelas notas que parecem de outro alguém que deve andar a invadir a casa.

Ficamos a saber, nestas histórias partilhadas que se entrelaçam, o modo como o narrador participou activamente em eventos históricos e em complexas tramas e conspirações. E é aqui que o livro peca. Apesar de ser brilhantemente escrito (Eco não o sabia fazer de outra forma), o livro é um puzzle difícil de completar. Temos de estar muito atentos, ler e reler para não perder pitada e, vejam bem, existem milhares de pitadas. Por isso, é algo cansativo e exige uma concentração total.

Não é que a complexidade seja negativa, mas quando gira em torno de várias centenas de personagens ao longo de quase 600 páginas, é obra. É imenso, é denso e exigente. Mesmo com as fantásticas gravuras ao longo do livro e que nos permitem respirar um bocado. Leva-nos a muitos locais, dá-nos a conhecer a História, a gastronomia, a religião, enfim, é um documento riquíssimo. Talvez um dia o volte a ler, com outro estado de espírito, com mais tempo, menos stress, mas por enquanto, foi uma leitura difícil que não me agarrou.
 

O Cemitério de Praga
De: Umberco Eco
Ano: 2010
Editora: Gradiva
Páginas: 576

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.



Livro da pesada: ah, já agora, as 576 páginas deste livro classificam-no de Livro da Pesada. Um calhamaço ideal para atirar à mona de quem nunca leu Umberto Eco. Mas, se são virgens no autor, comecem pelo O Nome da Rosa ou pelo Número Zero. Coisas mais soft. Boa sorte!

Nicolas Otero é o autor do romance gráfico que conta a vida do falecido músico Kurt Cobain, até ao momento em que resolveu tirar a própria vida. A história é narrada de forma única, na voz do seu melhor amigo "Boddah", que era mesmo o amigo imaginário do artista na sua infância, e a quem ele dedicou a carta que escreveu antes de se suicidar.

Centrado no estado mental do músico, o livro tenta explorar as razões que levaram ao seu suicídio. Os desenhos parecem ser super interessantes e é um livro que até trailer tem. Já pode ser adquirido aqui.


Um grupo de rapazes vai parar a uma ilha deserta após um desastre aéreo. Ao início, tudo é um mar de rosas - sem a presença de adultos, a perspectiva de tomarem conta de si próprios até serem salvos é aliciante. E brincam, tomam banhos, vão à descoberta. Ralph, um dos rapazes mais velhos, cedo toma as rédeas da situação. Insiste na necessidade de construírem abrigos, procurar comida e, sobretudo, manter uma fogueira acesa para que o fumo se veja ao longe e possam ser salvos.

Com o apoio de "Piggy", o gordinho asmático e de óculos com sentido de responsabilidade, Ralph tenta incutir as tarefas a todos mas, enfim, estas depressa se revelam "uma seca" para os mais pequenos e para os mais ariscos ao trabalho.

Tudo começa a correr mal quando as animosidades entre os rapazes aumentam. Um dos mais velhos, Jack, faz frente a Ralph e o grupo divide-se. Jack insiste que o mais importante, até mesmo mais importante do que manter o fogo, é caçar. E dando largas ao espírito selvagem de cada um deles, pintam-se e dançam como selvagens e percorrem a ilha em busca da morte, da provocação da dor e do esvair da vida dos olhos de um animal, já viciados nessas sensações e adrenalina.

Quando se levanta a dúvida se haverá algum monstro com eles na ilha, questão levantada pelos mais novos, tudo descamba, visto que o medo é o pior aliado de quem não tem sentido de responsabilidade e já contém em si o bichinho da destruição... Há mesmo um momento específico no livro em que se nos corta a respiração e o coração pára durante uns segundos, tal é o inesperado e o chocante da situação. Mas tem muita força, e podem crer que é inesquecível.

É um livro genial e o Nobel atribuído ao autor é perfeitamente merecido. Não é apenas uma história de rapazes que tentam sobreviver numa ilha deserta - é o retrato perfeito da sociedade. São as dificuldades para manter a ordem e fazer ouvir as vozes da razão; são as figuras do contra que dispendem energia a mostrar como os outros estão errados; são os instintos primitivos a vir ao de cima em situações extremas; é o negrume que cada um de nós tem dentro a sair, tão facilmente, em situações de superioridade social; é o desrespeito por quem é diferente; é a impotência, a selvajaria, o animal que temos dentro à espera de um estímulo para mostrar a sua força. A civilização espelhada numa praia do Pacífico.

É um clássico que inspirou outras obras e autores e influenciou outras áreas. Há, por exemplo, várias músicas que têm "O Deus das Moscas" como inspiração. Falha minha não ter visto ainda nenhum dos filmes, mas existem dois baseados na obra, um de 1963 e outro de 1990. Irei colmatar esta falha rapidamente.

O Deus das Moscas
De: William Golding
Ano: 1954 (reedição de 2011)
Editora: BIS
Páginas: 256

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

Já se sabe que adoramos eventos literários! É sempre bom ver os leitores curiosos a folhear os livros, ávidos de novidade ou à procura daquele clássico que tanto buscavam. Assim, hoje o assunto desta publicação vem directamente da terra de Viriato: o Festival Literário de Viseu "Tinto no Branco".

De 02 a 04 de Dezembro (mesmo a tempo para as compras de Natal!) este fantástico evento vai juntar o melhor da literatura ao melhor dos vinhos. Numa parceria entre a Câmara Municipal de Viseu e a Comissão Vitivinícola Regional do Dão, este evento homenageia este ano a obra de Camilo Castelo Branco "Amor de Perdição".

Vão ser dias apaixonantes, aquecidos pelas narrativas e pelos bons vinhos da região: uma ligação perfeita.

Saibam mais na página oficial do evento.

A não perder! 

Alguns são simples e directos ao assunto, outros são mais rebuscados, mas todos têm o sentido de humor aguçado nestas letras e imagens que levantam em protesto contra o recém eleito Presidente dos Estados Unidos. Até há quem meta "A Guerra dos Tronos" ao barulho... ;)

Vejam todos no Buzzfeed.



















Mas é que é tal e qual!
Volvida uma semana da morte de Leonard Cohen, vale a pena reforçar que este homem, mais conhecido pela veia musical em toda a sua vertente, desde a sua voz profunda e inconfundível até às composições e letras geniais, também era escritor.

Escreveu romances e livros de poesia antes de se dedicar à música, e escusado será dizer que se nota à légua. Tinha o dom da palavra e todo o seu controlo em tudo o que fazia. Era outro dos da laia do Dylan que merecia o Nobel.

Deixou-nos tanta, tanta coisa. Mas, como bichos das letras que somos, vamos destacar as edições portuguesas dos seus livros, que pode encontrar aqui. É a forma de recordar um talento eterno, que escreveu, e foi poético, até ao último suspiro.



Agora deixamos aqui um pouco de amor e romance, na escrita de um dos mais reconhecíveis escritores do momento : Nicholas Sparks. O autor tem um novo livro para aquecer os corações e promete com este título, Só Nós Dois, fazer vibrar os cordelinhos românticos de muita gente, mas desta vez através do olhar de uma personagem masculina.

Todos os leitores, das duas uma, ou já viram um filme inspirado na obra de Sparks ou já leram um livro do autor. No meu caso ambas as situações de verificam: li o Diário da Nossa Paixão e o Palavras Que Nunca Te Direi, e filmes...bem...já vi imensos inspirados na obra.

Talvez não possamos dizer que são os livros mais surpreendentes, mas são livros doces e românticos, quem sabe até capazes de fazer soltar um ou outro suspiro. São também livros que fazem acreditar na paixão e nos sentimentos, e isto é dizer muito numa época em que o cinismo impera em tantos aspectos da nossa vida.

Aqui vos deixamos um excerto da sinopse disponível na Wook onde o novo livro está com desconto de lançamento:

"Por vezes, basta um segundo para mudar a nossa vida. E nesse instante avassalador, tudo aquilo que pensamos saber - e possuir - perde o seu valor. Russell Green tem trinta e dois anos, é casado com Vivian, uma mulher lindíssima e dedicada; tem uma filha encantadora e uma carreira de sucesso. Dir-se-ia que a sua vida é de sonho. Mas o sonho vai dar lugar a um pesadelo… De um momento para o outro, Russ perde a mulher e o emprego e fica a sós com a filha de seis anos, London. Pela primeira vez, percebe que não pode entregar-se à sua própria dor pois London depende agora unicamente dele. Russ vai ter de se superar, de desbravar caminho, começar de novo… "

Vamos apostar no amor? :)

Boas leituras!
São mais de 70 anos de idade e mais de 50 anos de carreira - é muito para contar, e uma parte desta longa e rica vida já está disponível em livro. "O Programa Segue Dentro de Momentos" é a biografia de Júlio Isidro, um dos rostos mais importantes e conhecidos da nossa televisão e rádio. O nome do livro é alusivo à forma como se despedia nos velhinhos programas a preto e branco na RTP e deixa também claro que isto é apenas uma parte daquilo que tem para contar... Quem sabe se não terá uma continuação?

O livro contém muito humor e várias histórias, principalmente sobre os artistas com quem o apresentador se cruzou durante todos estes anos, assim como fotografias que o farão viajar no tempo.

A apresentação em Lisboa já ocorreu, mas ainda vai a tempo de estar presente no Porto - dia 19 de novembro, na FNAC do NorteShopping às 18h00, com apresentação de Álvaro Costa.

Disponível no site Wook.