Este livro tem duas vertentes - uma mais leviana e uma bem mais séria. A primeira está mais ligada ao uso da palavra "vagina" e suas semelhantes, significados e calão. Dá para soltar umas gargalhadas com as histórias de vergonha, ou da falta dela, ligadas à parte mais secreta da mulher.

Já a parte séria é um abre-olhos gigante, com relatos chocantes sobre mulheres que sofreram maus tratos e todos os tipos de violência - mutilações genitais, violações, violência e abusos de toda a ordem. São histórias reais contadas por mulheres reais, embora pareçam ter saído de um filme. São relatos que nos atingem, esmagam e sentimos imediatamente que temos de fazer algo para mudar o mundo.

O livro é uma peça que foi interpretada pela autora durante muitos anos e tornou-se um sucesso mundial, tanto que actrizes como Meryl Streep ou Jane Fonda já deram voz a estes monólogos e Portugal também já os viu interpretados. Para os escrever, a autora entrevistou centenas de mulheres de todas as idades e proveniências. Graças a esta exposição e a este sucesso mundiais, deu-se origem a um movimento, o V-Day, que visa angariar fundos para ajudar mulheres pelo mundo inteiro. E hoje, passados quase 20 anos, continua a ser um movimento muito relevante na causa.

Não é um livro complexo ou profundo. Não tem grande mestria, figuras de estilo ou uma linguagem exemplar. Lê-se muito rápido (fi-lo em pouco mais de uma hora) e é mais uma mensagem, uma passagem de conhecimento e um choque eléctrico que nos desperta do que outra coisa. Vale por isso, e já é muito.

Os Monólogos da Vagina
De: Eve Ensler
Ano: 1996
Editora: Publicações Europa-América
Páginas: 192

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
Para todos menos para o hamster...

Su Blackwell é uma artista inglesa que faz esculturas fantásticas a partir de livros velhos. Ela encontra-os em lojas de segunda mão e a partir de uma página constrói um mundo maravilhoso e misterioso em três dimensões.

São cenários completos e parecem ter saído de um sonho. Não me importava nada de ter algumas destas peças como decoração, fazem um belo efeito e são lindíssimas, com pormenores deliciosos, e aqueles jogos de luz são muito bem pensados. Um trabalho de mestre.

Via Bored Panda











A Wook está com uma fantástica promoção em romances. 50% de desconto e portes grátis em 50 livros de fazer bater mais forte o coração e de suspirar pelas aventuras!

Recomendamos alguns títulos a não perder:

O Exótico Hotel Marigold - Deborah Moggach presenteia-nos com um romance sobre o amor, a solidão, a esperança e a força de cumprir os nossos sonhos

Miramar - de Naguib Mahfouz e na minha lista de próximas leituras, porque tudo o que ele escreve é tão intenso e genial que é sempre um investimento garantido (já canta no carrinho de compras da promoção!)

Já Não se Escrevem Cartas de Amor - outro que já consta na lista das minhas aquisições e de Mário Zambujal, um romance na boémia Lisboa dos anos 50

Os Vagabundos do Dharma - Um clássico incontornável de Kerouac, mais uma viagem que nasce de dentro para fora, uma geração que marcou a literatura para sempre


Aproveitem e boas leituras!
Uma ameaça horrível para os amantes dos livros!

Fazal Elahi devia ter percebido, quando se apaixonou e se casou com aquela mulher, que o destino não iria ser promissor. Ela, com os seus cabelos soltos e esvoaçantes como pássaros, com as suas roupas ocidentais revelando mais do que ele gostaria, com as suas músicas pop em inglês, essa língua dos infiéis, não era considerada a mulher modesta e ideal. Ela quis sempre mais, dar nas vistas, ser mulher; ele queria passar despercebido e invisível no meio da multidão - era uma relação condenada.

Mesmo assim, ele nunca lhe guardou rancor, mesmo quando ela tomou uma atitude que lhe deixou a vida de pernas para o ar. Foi no seio da família que encontrou consolo - no seu primo Badini, mudo, mas que diz as frases mais belas com gestos de poeta; e na sua irmã Aminah, que secretamente deseja casar com um muçulmano rico que lhe ofereça sapatos de salto alto e que tenha olhos azuis. No meio de toda a confusão que rodeia a vida destas almas, uma pergunta se impõe - para onde vão os guarda-chuvas? Se estão sempre a perder-se e a desaparecer, mas nunca ninguém encontra nenhum. Estarão no paraíso dos guarda-chuvas? Será que os nossos entes queridos que já partiram nos esperam de guarda-chuva aberto?

Este é um dos melhores livros que já li. Tem absolutamente tudo - é emocionante; carrega em si uma profundidade e um ensinamento a cada virar de página; tem personagens ricas e com um coração tão grande que conseguimos senti-lo; tem suspense, ação, coisas sempre a acontecer. É uma narrativa que nos abre os horizontes, que nos ensina e nos educa, que nos apresenta cenários que pensávamos impossíveis na mente de alguém. É dos livros onde mais empatia criei com as personagens - comovi-me, ri-me, aprendi com elas. Nunca as esquecerei.

Para além disso, não é um livro linear - vamos vendo algumas imagens que comparam a vida do Sr. Elahi a um tabuleiro de xadrez (comparação feita com grande mestria) e outros elementos bem fora do normal que tornam este livro um autêntico tesouro. É o segundo livro que leio do Afonso Cruz e estou completamente rendida ao autor. É genial. Por favor, leiam.

Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas
De: Afonso Cruz
Ano: 2013
Páginas: 624
Editora: Companhia das Letras

A nossa pontuação: ★★★★★
Disponível no site Wook.
Neve lá fora? Check. Quentinho lá dentro? Check. Muitos, muitos livros disponíveis? Completamente checked! Este retiro mimoso existe mesmo e é o sonho de todos os leitores. É uma cabana chamada Hemmelig Rom ("quarto secreto em norueguês") , fica no estado de Nova Iorque e pode ser alugada para umas férias que me parecem ser espectaculares.

Recatada, fora do mundo modermo, confortável, parece-me uma ideia excelente para importar por cá.

Via Mashable





O livro "A Lua de Joana" marcou uma geração. Muitos foram os jovens que leram este livro sobre a toxicodependência que conta a história de Joana, uma jovem que perde a melhor amiga e que desde então inicia uma luta interior entre os sentimentos de perda e desespero.

O final trágico deste livro educou muitos jovens sobre os perigos das drogas, de como é importante aprender a dizer "não" e lutar contra a tentação de adormecer a dor com o vício. Além disso, o livro teve um importante papel no diálogo silencioso entre os pais e os filhos : os pais usavam o livro para falar (sem o fazer) sobre as drogas, um tabu cerrado na altura, e os filhos percebiam a mensagem porque se identificavam com as personagens.

Esta semana a revista Time Out oferece na sua promoção de 2por1 um bilhete duplo para a nova encenação da peça de teatro inspirada neste livro de Maria Teresa Maia Gonzalez. A peça estreia dia 29 de Setembro no Teatro Turim. É de aproveitar a oportunidade de conhecer ou relembrar uma obra literária que tanto fez para agitar as mentalidades com a sua brutal e duramente sincera simplicidade.

Saibam mais na página do Teatro Turim. A revista Time Out pode ser adquirida em qualquer papelaria ou quiosque.

Longe vão os tempos onde, nos cafés, leitores se juntavam. Uns trocavam ideias, outros mergulhavam na leitura, ainda havia os que estudavam, mas, eram os livros e a convivência, e não a televisão ou os telemóveis, o centro de tudo.

Mas ainda é possível fazê-lo. Há locais onde essa boa tradição se mantém e onde o papel principal continua a ser o dos livros, mas onde podemos confraternizar e beber o café ou chá, ou comer um petisco, tranquilamente na companhia das letras, das lombadas e das capas dos nossos melhores amigos. O site New in Town propõe 11 locais - a consultar aqui (curiosamente já falámos em vários deles por outras ocasiões) - e deixo três destaques em baixo. Um mimo.

Pois, Café (Lisboa, junto à Sé)
O mais interessante deste espaço (para além de parecer super confortável), é que pode lá ir deixar um livro e trazer outro. Os livros nunca se esgotam e pode aproveitar o brunch diário.



Manifesto (Porto, Mercado de Matosinhos)
Um local que é livraria, galeria de arte, agência de viagens de aventura e que ainda oferece opções deliciosas, como bolo de red velvet ou de chocolate e avelãs.



Chiado Clube Literário (Lisboa e Porto)
Primeiro lançado em Lisboa e depois no Porto, é o sítio da moda onde pode ler, comer uma sandes ou uma tosta, beber o seu café, assistir a tertúlias, participar em workshops e muito mais.


"_Ficam pretos, os dentes, como se anoitecessem e depois caíssem de maduros, como o dedo mindinho do meu primo. Com licença, que mundo é este em que tudo cai, em que os pentes ficam cheios da nossa morte, da nossa cabeleira? Para onde vai a nossa juventude, querida Bibi? Escorrega-nos pelas pernas abaixo, ficamos todos pendurados, os olhos descaídos, a alma descaída, o sexo adormece a apontar para o chão. Nada aponta para cima quando envelhecemos."

in Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas, de Afonso Cruz (2013)

Já dizia o outro... "gravity always wins".