Para todos menos para o hamster...

Su Blackwell é uma artista inglesa que faz esculturas fantásticas a partir de livros velhos. Ela encontra-os em lojas de segunda mão e a partir de uma página constrói um mundo maravilhoso e misterioso em três dimensões.

São cenários completos e parecem ter saído de um sonho. Não me importava nada de ter algumas destas peças como decoração, fazem um belo efeito e são lindíssimas, com pormenores deliciosos, e aqueles jogos de luz são muito bem pensados. Um trabalho de mestre.

Via Bored Panda











A Wook está com uma fantástica promoção em romances. 50% de desconto e portes grátis em 50 livros de fazer bater mais forte o coração e de suspirar pelas aventuras!

Recomendamos alguns títulos a não perder:

O Exótico Hotel Marigold - Deborah Moggach presenteia-nos com um romance sobre o amor, a solidão, a esperança e a força de cumprir os nossos sonhos

Miramar - de Naguib Mahfouz e na minha lista de próximas leituras, porque tudo o que ele escreve é tão intenso e genial que é sempre um investimento garantido (já canta no carrinho de compras da promoção!)

Já Não se Escrevem Cartas de Amor - outro que já consta na lista das minhas aquisições e de Mário Zambujal, um romance na boémia Lisboa dos anos 50

Os Vagabundos do Dharma - Um clássico incontornável de Kerouac, mais uma viagem que nasce de dentro para fora, uma geração que marcou a literatura para sempre


Aproveitem e boas leituras!
Uma ameaça horrível para os amantes dos livros!

Fazal Elahi devia ter percebido, quando se apaixonou e se casou com aquela mulher, que o destino não iria ser promissor. Ela, com os seus cabelos soltos e esvoaçantes como pássaros, com as suas roupas ocidentais revelando mais do que ele gostaria, com as suas músicas pop em inglês, essa língua dos infiéis, não era considerada a mulher modesta e ideal. Ela quis sempre mais, dar nas vistas, ser mulher; ele queria passar despercebido e invisível no meio da multidão - era uma relação condenada.

Mesmo assim, ele nunca lhe guardou rancor, mesmo quando ela tomou uma atitude que lhe deixou a vida de pernas para o ar. Foi no seio da família que encontrou consolo - no seu primo Badini, mudo, mas que diz as frases mais belas com gestos de poeta; e na sua irmã Aminah, que secretamente deseja casar com um muçulmano rico que lhe ofereça sapatos de salto alto e que tenha olhos azuis. No meio de toda a confusão que rodeia a vida destas almas, uma pergunta se impõe - para onde vão os guarda-chuvas? Se estão sempre a perder-se e a desaparecer, mas nunca ninguém encontra nenhum. Estarão no paraíso dos guarda-chuvas? Será que os nossos entes queridos que já partiram nos esperam de guarda-chuva aberto?

Este é um dos melhores livros que já li. Tem absolutamente tudo - é emocionante; carrega em si uma profundidade e um ensinamento a cada virar de página; tem personagens ricas e com um coração tão grande que conseguimos senti-lo; tem suspense, ação, coisas sempre a acontecer. É uma narrativa que nos abre os horizontes, que nos ensina e nos educa, que nos apresenta cenários que pensávamos impossíveis na mente de alguém. É dos livros onde mais empatia criei com as personagens - comovi-me, ri-me, aprendi com elas. Nunca as esquecerei.

Para além disso, não é um livro linear - vamos vendo algumas imagens que comparam a vida do Sr. Elahi a um tabuleiro de xadrez (comparação feita com grande mestria) e outros elementos bem fora do normal que tornam este livro um autêntico tesouro. É o segundo livro que leio do Afonso Cruz e estou completamente rendida ao autor. É genial. Por favor, leiam.

Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas
De: Afonso Cruz
Ano: 2013
Páginas: 624
Editora: Companhia das Letras

A nossa pontuação: ★★★★★
Disponível no site Wook.
Neve lá fora? Check. Quentinho lá dentro? Check. Muitos, muitos livros disponíveis? Completamente checked! Este retiro mimoso existe mesmo e é o sonho de todos os leitores. É uma cabana chamada Hemmelig Rom ("quarto secreto em norueguês") , fica no estado de Nova Iorque e pode ser alugada para umas férias que me parecem ser espectaculares.

Recatada, fora do mundo modermo, confortável, parece-me uma ideia excelente para importar por cá.

Via Mashable





O livro "A Lua de Joana" marcou uma geração. Muitos foram os jovens que leram este livro sobre a toxicodependência que conta a história de Joana, uma jovem que perde a melhor amiga e que desde então inicia uma luta interior entre os sentimentos de perda e desespero.

O final trágico deste livro educou muitos jovens sobre os perigos das drogas, de como é importante aprender a dizer "não" e lutar contra a tentação de adormecer a dor com o vício. Além disso, o livro teve um importante papel no diálogo silencioso entre os pais e os filhos : os pais usavam o livro para falar (sem o fazer) sobre as drogas, um tabu cerrado na altura, e os filhos percebiam a mensagem porque se identificavam com as personagens.

Esta semana a revista Time Out oferece na sua promoção de 2por1 um bilhete duplo para a nova encenação da peça de teatro inspirada neste livro de Maria Teresa Maia Gonzalez. A peça estreia dia 29 de Setembro no Teatro Turim. É de aproveitar a oportunidade de conhecer ou relembrar uma obra literária que tanto fez para agitar as mentalidades com a sua brutal e duramente sincera simplicidade.

Saibam mais na página do Teatro Turim. A revista Time Out pode ser adquirida em qualquer papelaria ou quiosque.

Longe vão os tempos onde, nos cafés, leitores se juntavam. Uns trocavam ideias, outros mergulhavam na leitura, ainda havia os que estudavam, mas, eram os livros e a convivência, e não a televisão ou os telemóveis, o centro de tudo.

Mas ainda é possível fazê-lo. Há locais onde essa boa tradição se mantém e onde o papel principal continua a ser o dos livros, mas onde podemos confraternizar e beber o café ou chá, ou comer um petisco, tranquilamente na companhia das letras, das lombadas e das capas dos nossos melhores amigos. O site New in Town propõe 11 locais - a consultar aqui (curiosamente já falámos em vários deles por outras ocasiões) - e deixo três destaques em baixo. Um mimo.

Pois, Café (Lisboa, junto à Sé)
O mais interessante deste espaço (para além de parecer super confortável), é que pode lá ir deixar um livro e trazer outro. Os livros nunca se esgotam e pode aproveitar o brunch diário.



Manifesto (Porto, Mercado de Matosinhos)
Um local que é livraria, galeria de arte, agência de viagens de aventura e que ainda oferece opções deliciosas, como bolo de red velvet ou de chocolate e avelãs.



Chiado Clube Literário (Lisboa e Porto)
Primeiro lançado em Lisboa e depois no Porto, é o sítio da moda onde pode ler, comer uma sandes ou uma tosta, beber o seu café, assistir a tertúlias, participar em workshops e muito mais.


"_Ficam pretos, os dentes, como se anoitecessem e depois caíssem de maduros, como o dedo mindinho do meu primo. Com licença, que mundo é este em que tudo cai, em que os pentes ficam cheios da nossa morte, da nossa cabeleira? Para onde vai a nossa juventude, querida Bibi? Escorrega-nos pelas pernas abaixo, ficamos todos pendurados, os olhos descaídos, a alma descaída, o sexo adormece a apontar para o chão. Nada aponta para cima quando envelhecemos."

in Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas, de Afonso Cruz (2013)

Já dizia o outro... "gravity always wins".


Tudo começou com um rato morto. O Dr. Rieux viu um ao subir para o seu apartamento, mas não pensou muito no assunto. Só quando começaram a aparecer outros, dias após dia, até se tornarem milhares, o alerta foi dado. Quando as primeiras mortes humanas se deram, a palavra "peste" custou a ser proferida e aceite, mas lá teve de ser. Era mesmo a peste, e em força.

A cidade foi fechada - ninguém podia entrar nem sair. Famílias, pais e filhos, amigos, amantes e namorados ficaram separados e incontactáveis. Os casos multiplicaram-se e as mortes tornaram-se sucessivas. Edifícios públicos tornaram-se hospitais improvisados e locais de quarentena. Os recursos tiveram de ser poupados e não havia, por exemplo, electricidade nas ruas, ou gasolina disponível. A comida começou a escassear e elevou-se o contrabando. O desespero e a saudade dos entes queridos levou a actos loucos para furar os muros da cidade. A rotina dos dias sempre iguais desgastou toda a população.

E no meio de tudo isto, o Dr. Rieux e os seus amigos concidadãos tentam manter o sangue frio no meio da desgraça, apelar à calma e fazer de tudo para deixar os doentes confortáveis e para combater a doença que parece ter vindo para ficar, ao mesmo tempo que assistem à degradação, quase nem nada poder fazer, à morte de pessoas tão estimadas e necessárias à comunidade.

Albert Camus apresenta-nos um cenário calamitoso, mas fá-lo através de uma narrativa positiva e com uma rápida cadência, onde a solidariedade e a empatia pelo próximo assumem grande protagonismo. Através de uma meia dúzia de personagens-chave, assistimos ao companheirismo e a uma amizade entre cavalheiros muito nobre, só possível devido à desgraça que sobre eles caiu e que os faz entender, mais do que nunca, que morremos sozinhos. Pensamentos sobre a condição humana e o destino estão constantemente a assolar estes amigos que o caos juntou.

Muitas mais questões são levantadas e objecto de crítica pelo autor, como a liberdade de expressão ou a alegoria clara à questão da ocupação nazi (note-se que o livro foi escrito durante a Segunda Grande Guerra). É um livro apaixonante e que nos prende até à última gota. Imperdível.

A Peste
De: Albert Camus
Ano: 1947 (reedição de 2016)
Editora: Livros do Brasil
Páginas: 264

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.