Neve lá fora? Check. Quentinho lá dentro? Check. Muitos, muitos livros disponíveis? Completamente checked! Este retiro mimoso existe mesmo e é o sonho de todos os leitores. É uma cabana chamada Hemmelig Rom ("quarto secreto em norueguês") , fica no estado de Nova Iorque e pode ser alugada para umas férias que me parecem ser espectaculares.

Recatada, fora do mundo modermo, confortável, parece-me uma ideia excelente para importar por cá.

Via Mashable





O livro "A Lua de Joana" marcou uma geração. Muitos foram os jovens que leram este livro sobre a toxicodependência que conta a história de Joana, uma jovem que perde a melhor amiga e que desde então inicia uma luta interior entre os sentimentos de perda e desespero.

O final trágico deste livro educou muitos jovens sobre os perigos das drogas, de como é importante aprender a dizer "não" e lutar contra a tentação de adormecer a dor com o vício. Além disso, o livro teve um importante papel no diálogo silencioso entre os pais e os filhos : os pais usavam o livro para falar (sem o fazer) sobre as drogas, um tabu cerrado na altura, e os filhos percebiam a mensagem porque se identificavam com as personagens.

Esta semana a revista Time Out oferece na sua promoção de 2por1 um bilhete duplo para a nova encenação da peça de teatro inspirada neste livro de Maria Teresa Maia Gonzalez. A peça estreia dia 29 de Setembro no Teatro Turim. É de aproveitar a oportunidade de conhecer ou relembrar uma obra literária que tanto fez para agitar as mentalidades com a sua brutal e duramente sincera simplicidade.

Saibam mais na página do Teatro Turim. A revista Time Out pode ser adquirida em qualquer papelaria ou quiosque.

Longe vão os tempos onde, nos cafés, leitores se juntavam. Uns trocavam ideias, outros mergulhavam na leitura, ainda havia os que estudavam, mas, eram os livros e a convivência, e não a televisão ou os telemóveis, o centro de tudo.

Mas ainda é possível fazê-lo. Há locais onde essa boa tradição se mantém e onde o papel principal continua a ser o dos livros, mas onde podemos confraternizar e beber o café ou chá, ou comer um petisco, tranquilamente na companhia das letras, das lombadas e das capas dos nossos melhores amigos. O site New in Town propõe 11 locais - a consultar aqui (curiosamente já falámos em vários deles por outras ocasiões) - e deixo três destaques em baixo. Um mimo.

Pois, Café (Lisboa, junto à Sé)
O mais interessante deste espaço (para além de parecer super confortável), é que pode lá ir deixar um livro e trazer outro. Os livros nunca se esgotam e pode aproveitar o brunch diário.



Manifesto (Porto, Mercado de Matosinhos)
Um local que é livraria, galeria de arte, agência de viagens de aventura e que ainda oferece opções deliciosas, como bolo de red velvet ou de chocolate e avelãs.



Chiado Clube Literário (Lisboa e Porto)
Primeiro lançado em Lisboa e depois no Porto, é o sítio da moda onde pode ler, comer uma sandes ou uma tosta, beber o seu café, assistir a tertúlias, participar em workshops e muito mais.


"_Ficam pretos, os dentes, como se anoitecessem e depois caíssem de maduros, como o dedo mindinho do meu primo. Com licença, que mundo é este em que tudo cai, em que os pentes ficam cheios da nossa morte, da nossa cabeleira? Para onde vai a nossa juventude, querida Bibi? Escorrega-nos pelas pernas abaixo, ficamos todos pendurados, os olhos descaídos, a alma descaída, o sexo adormece a apontar para o chão. Nada aponta para cima quando envelhecemos."

in Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas, de Afonso Cruz (2013)

Já dizia o outro... "gravity always wins".


Tudo começou com um rato morto. O Dr. Rieux viu um ao subir para o seu apartamento, mas não pensou muito no assunto. Só quando começaram a aparecer outros, dias após dia, até se tornarem milhares, o alerta foi dado. Quando as primeiras mortes humanas se deram, a palavra "peste" custou a ser proferida e aceite, mas lá teve de ser. Era mesmo a peste, e em força.

A cidade foi fechada - ninguém podia entrar nem sair. Famílias, pais e filhos, amigos, amantes e namorados ficaram separados e incontactáveis. Os casos multiplicaram-se e as mortes tornaram-se sucessivas. Edifícios públicos tornaram-se hospitais improvisados e locais de quarentena. Os recursos tiveram de ser poupados e não havia, por exemplo, electricidade nas ruas, ou gasolina disponível. A comida começou a escassear e elevou-se o contrabando. O desespero e a saudade dos entes queridos levou a actos loucos para furar os muros da cidade. A rotina dos dias sempre iguais desgastou toda a população.

E no meio de tudo isto, o Dr. Rieux e os seus amigos concidadãos tentam manter o sangue frio no meio da desgraça, apelar à calma e fazer de tudo para deixar os doentes confortáveis e para combater a doença que parece ter vindo para ficar, ao mesmo tempo que assistem à degradação, quase nem nada poder fazer, à morte de pessoas tão estimadas e necessárias à comunidade.

Albert Camus apresenta-nos um cenário calamitoso, mas fá-lo através de uma narrativa positiva e com uma rápida cadência, onde a solidariedade e a empatia pelo próximo assumem grande protagonismo. Através de uma meia dúzia de personagens-chave, assistimos ao companheirismo e a uma amizade entre cavalheiros muito nobre, só possível devido à desgraça que sobre eles caiu e que os faz entender, mais do que nunca, que morremos sozinhos. Pensamentos sobre a condição humana e o destino estão constantemente a assolar estes amigos que o caos juntou.

Muitas mais questões são levantadas e objecto de crítica pelo autor, como a liberdade de expressão ou a alegoria clara à questão da ocupação nazi (note-se que o livro foi escrito durante a Segunda Grande Guerra). É um livro apaixonante e que nos prende até à última gota. Imperdível.

A Peste
De: Albert Camus
Ano: 1947 (reedição de 2016)
Editora: Livros do Brasil
Páginas: 264

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Os "Directioners" (os super fãs da banda One Direction) podem pular de alegria porque o ex-membro, Zayn Malik, que provocou um enorme alvoroço no coração das miúdas do mundo inteiro ao sair da banda, vai lançar uma biografia.

E o que pode um miúdo de 23 anos ter assim tão importante para contar? - perguntam vocês. Bem, para além de ter feito parte de uma das bandas mais populares dos últimos anos e de ter feito milhares de adolescentes chorar em todo o mundo (há até relatos de tentativas de suicídio e de mutilações), o livro vai também incluir desenhos feitos pela super estrela, bem como pensamentos e fotografias da sua autoria.

A verdade é que nenhum de nós imagina o que é passar do anonimato para um dos rostos mais cobiçados, mais vistos, fotografados e perseguidos no mundo inteiro. Poucos sabem a pressão a que estes miúdos, saídos dos programas onde se fabricam talentos, são submetidos e nem todos são talhados para isso, ou nem sempre essa vida corresponde à ideia que fizeram. Zayn acusou a pressão e optou pela porta de saída, apesar do escândalo. E ainda está mentalmente a recuperar.

Recentemente, Selena Gomez também cancelou toda a sua tour, incluindo a passagem por Portugal, por motivos de depressão. Enfim, não é fácil e quase não pensamos em quem está do outro lado, muitas vezes jovens que quase abdicaram da sua adolescência para serem estrelas. Com a biografia de Zayn vamos descobrir, decerto, um dos lados negros da coisa.

Via Independent.



Pois é, efectivamente alguém se deu ao trabalho de analisar profundamente as vestimentas usadas na New York Fashion Week e a arranjar-lhes um par literário. São roupas que fazem um pandã perfeito com capas de livros, e se não soubesse que não estão relacionadas não acreditava. Foi um belo trabalho de pesquisa, e isto de usar vestes inspiradas em livros está-me a parecer muito bem.

Vejam todas as sugestões e os estilistas das roupitas no site Buzzfeed.








Quando a Alemanha nazi invade a Polónia, a vida de Aron e da família muda radicalmente. As dificuldades aumentaram de dia para dia e souberam o que era a fome, a doença, o desespero e a violência sem limites. Crianças judias como Aron vêm os seus pais e avós serem espancados e humilhados em público e levados para nunca mais voltarem. São grupos de crianças que já viveram e viram de tudo e que se tornaram mais frias e insensíveis, que roubam como sustento, enganam e contrabandeiam em prol da sua sobrevivência e das suas famílias.

Aron é o narrador e através dos seus olhos é-nos contado um pedaço da terrível história do Holocausto. Ele erra pelas ruas com o seu grupo de amigos, enquanto o medo domina as ruas, a morte paira ao virar da esquina, há familiares que desaparecem, as condições de higiene são degradantes e o tifo impera.

Estes ingredientes tinham tudo para dar certo. No entanto, a visão de Aron é tão fria, tão desprendida, que a narrativa mais parece um relatar dos acontecimentos, sem qualquer tipo de emoção. Compreendo a existência do desprendimento - Aron e os amigos são um grupo de miúdos que se tornaram alheios à realidade quase como um mecanismo de defesa e isso deveria ser deveras simbólico -, mas acho que o autor terá exagerado. Este afastamento tão marcado resulta também num afastamento por parte do leitor, que não se sente agarrado ou emocionado.

Não senti qualquer apego pelas personagens ou pela história e custa-me sentir assim num livro sobre o Holocausto. Decerto muitos leitores irão adorar, mas não é o meu caso.

O Livro de Aron
De: Jim Shepard
Ano: 2015 (edição de 2016)
Páginas: 176
Editora: Editorial Presença

A nossa pontuação: ★★☆☆☆
Disponível no site Wook.
Jungho Lee é um artista coreano que faz estas maravilhosas ilustrações surrealistas tendo os livros como ponto de partida. São pintadas à mão e depois digitalizadas. Para além da destreza manual e talento do artista, todos estes desenhos têm mensagens poderosas. Ao vê-los, depressa percebemos que, por exemplo, um livro pode ser um farol em dias escuros ou um meio que nos permite viajar para todo o lado.

Parabéns a Jungho Lee, por colocar no papel e nos nossos ecrãs aquilo que todos nós, leitores, sentimos.

Via Bored Panda.















Quem lê, tem sempre uma palavra mais adequada a dizer, ideias e opiniões para partilhar, uma imaginação que vai mais além... no fundo, uma elegância na maneira de estar que nenhum guarda-roupa pode igualar...