Jared Hoffman criou um livro de colorir para um público bem específico e particular. "The Stoner’s Coloring Book", tal como o nome indica, é endereçado aos 'mocados', enfim, a quem gosta de viajar um pouco fora da mente através de uma ou outra substância. Estes desenhos psicadélicos prontos a receber todas as cores do universo podem ser uma óptima forma de 'curtir' a 'trip' enquanto se estimula a imaginação e a criatividade.

O livro tem 44 ilustrações feitas por 9 artistas de todo o mundo. Eu cá acho os desenhos muito interessantes, com ou sem o requisito da moca!

Disponível na Amazon.










A Kalandraka finalmente editou em Portugal o controverso livro infantil "Três com Tango",  de Justin Richardson e Peter Parnell, que aborda o tema da adopção por casais homossexuais, através da história de dois pinguins do mesmo sexo que decidem cuidar de uma cria, juntos e com todo o amor do mundo.

Este pequeno livro premiado é a prova de que a literatura infantil é uma poderosa arma na criação de adultos mais conscientes de si mesmos e do mundo que os rodeia. Apesar das críticas, naturais porque muitos continuam a querer ver o mundo a preto e branco, a verdade é que é com estes pequenos passos em direcção a uma educação mais universal e tolerante que vamos no bom sentido. 

Curiosidade: este livro nasceu de uma história verídica que ocorreu no zoológico de Central Park. 

Saibam mais no site da Kalandraka.

E franceses, espanhóis, italianos, e o diabo a sete. Esta livraria anda pelas ruas de Lisboa a dar a conhecer os nossos autores aos turistas, embora chame a atenção de toda a gente. Chama-se Tell a Story e é uma carrinha cheia de estilo (uma Renault Estafette, de 1975) e cheia de talento, com autores como José Saramago, José Luís Peixoto, Eça de Queiroz, Sophia de Mello Breyner, Miguel Torga ou Miguel Sousa Tavares traduzidos em várias línguas.

Como curiosidade, fiquem a saber que na língua inglesa o líder de vendas é "O Livro do Desassossego" (The Book of Disquiet), e, em francês o campeão é "Os Cus de Judas" (Le Cul de Judas), de António Lobo Antunes. Se virem esta carrinha no Príncipe Real, Belém ou Cais do Sodré, entre outros locais, não estranhem, encantem-se e dêem uma espreitadela, porque divulgar os nossos autores merece o polegar espetado para cima, e não é para pedir boleia!

Conheçam aqui a história da Tell a Story.


Elie Wiesel, que já referimos aqui, Prémio Nobel da Paz, deu voz aos seus traumas, transformando a dor em educação e a lembrança em lição.

Prisioneiro dos campos de concentração, sobrevivente de um massacre inexplicável (como o são todos!) transformou a sua voz numa mensagem que levou aos cantos do mundo : nunca mais.

Obrigada Elie. Por mostrares ao mundo que podemos escolher ser vítimas do nosso passado, perdidos na escuridão dos medos e fantasmas; ou heróis a lutar por um futuro melhor, levando a luz da esperança a quem mais precisa dela.

Saibam um pouco mais sobre a sua vida e obra em Publico.pt.
Este livro de 1939 é uma colecção de pequenas histórias que valeram o Prémio Nobel a Jean-Paul Sartre em 1964. São marcadas pelo existencialismo e pela profundidade do Eu. Em todas elas muros são erguidos, sejam físicos ou não, em redor dos protagonistas. Muros aparentemente intransponíveis e inultrapassáveis que não são mais do que amarras invisíveis que os prendem, que lhes atrasam os movimentos, o pensamento, que os impedem de prosseguir.

Sartre é mestre em transmitir-nos os terríveis conflitos interiores, nem sempre levados a bom porto, que as personagens enfrentam. Usa e abusa da ironia, do choque, do sexo, da fraqueza do corpo e da mente, da fragilidade das relações. Abre-nos a porta para mentes deturpadas e para dúvidas existenciais que nos afligem. Descreve os cenários, os sentimentos, até as ruas e os cenários, como ninguém. Apresenta-nos pessoas comuns mas extraordinárias, diálogos surreais e situações inusitadas.

Há que destacar a primeira história, "O Muro", que dá nome ao livro, na qual acompanhamos três prisioneiros marcados para morrer. O passar do tempo, dos minutos e dos segundos, as mudanças na luz e no ar, no rosto de todos eles, nos cheiros, é uma delícia de acompanhar. Seguimos o protagonista, Pablo, enquanto se debate, observa, ouve, vê, analisa e age à medida que a manhã da morte se aproxima. É soberbo.

Um autor e filósofo corajoso e polémico, muito à frente do seu tempo.


O Muro
De: Jean-Paul Sartre
Ano: 1939
Editora: Bibliotex
Páginas: 160

A nossa pontuação:      

Tyler Fugett, de 9 anos, sempre viu o padrasto a entrar e a sair da cadeia constantemente, e surgiu-lhe uma ideia. Ele não queria que os reclusos pensassem em coisas erradas enquanto lá estivessem. Queria incutir-lhes coisas boas, bons pensamentos, boas ideias. O que fez? Guardou a mesada e usou-a para comprar mais de 100 livros para doar ao estabelecimento prisional de Montgomery County.

Os presos estão autorizados a ler três livros a cada duas semanas mas dependem inteiramente de livros doados pela comunidade. O investimento de Tyler foi visto então com bons olhos e o rapaz pretende agora fazer doações também a outras instituições.

É uma atitude nobre e podemos aprender muito com ela. Normalmente temos preconceitos para com reclusos e ex-reclusos, mas raramente se pensa em dar uma mão amiga ou tentar mudar alguma coisa. Tyler tentou-o, e quem sabe não conseguirá mudar o mundo de alguém. Os livros têm esse poder, nós sabemo-lo.


Mais informação aqui.
Histórias são magia e descoberta de novos mundos. Ler é uma aventura que começa quando somos crianças, aventura que nunca deverá ser descurada e que bem regada dará frutos para toda a vida. E estas secções para crianças em bibliotecas oferecem um mundo tão imersivo que elas não vão querer sair de lá.

É importante estimular a leitura junto dos mais novos numa era em que a tecnologia lhes rouba toda a atenção e onde o velho e bom hábito de ler se vai perdendo, infelizmente. Estas bibliotecas fazem um óptimo trabalho em captar e manter novos leitores e 'só' por isso estão de parabéns e que sejam fonte de inspiração!

Saibam mais sobre elas no site Goodreads.







Hoje é dia de Momentos Wook! 

Não só é aplicado o desconto de 25% em livros, como ainda temos direito a portes grátis!

É aproveitar! Vamos lá! Depois contem o que compraram :)

Saibam mais em Wook.pt
É em tom cómico e acutilante que começa a narrativa. Esbarramos numa linguagem diferente de tudo o que já lemos, como se se tratasse de uma conversa informal, sincera e sem necessidade de artifícios. É-nos apresentado Joel Strosse como protagonista de uma história que dá muitas voltas e muitas alfinetadas aqui e ali.

Joel meteu na cabeça, aos 50 anos, ser militante do PCP. O destino põe-lhe à frente Jorge, amigo de uma juventude há muito ida, professor, ele próprio ligado à política. Joel, enfiado numa vida algo enfadonha e sem propósito, vê no partido a oportunidade tardia de sentir pertença e camaradagem. Quer tanto, que desespera, todo o livro, por uma resposta às suas preces. Entre Lisboa e a Caparica, seguimos as vidas de Joel, da esposa, as suas desesperanças no trabalho, as suas aspirações políticas, a relação com Jorge, e Eduarda Galvão, jovem jornalista que se vai impondo na vida de toda a gente.

Quem já leu Mário de Carvalho sabe reconhecer a sua escrita em qualquer lado e é um prazer ler o autor. Se há alguém que domina a língua portuguesa, é ele. E ensina-nos tanto, como quem não quer a coisa, durante a trama, que damos por nós a aprender enquanto desfrutamos de uma divertidíssima história. O autor fala constantemente com o leitor, puxa-o, rouba-lhe a atenção, faz piadas, goza com as situações e consigo próprio num discurso crítico, inteligente e único.

Tenho grande orgulho de ter tido Mário de Carvalho como professor na Escola Superior de Comunicação Social. Aprendi à séria, e as coisas por ele transmitidas têm perdurado ao longo dos anos. Nunca me esqueci. Para além disso, tem uma história de vida impressionante que eu na altura desconhecia. Lutou contra o fascismo, foi preso pela polícia política, sofreu privação do sono durante 11 dias e foi exilado na França e Suécia. Um escritor que carrega consigo uma bagagem como poucos e com quem tive o prazer de trocar algumas ideias sobre os assuntos.

Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto
De: Mário de Carvalho
Ano: 1995 (reedição de 2014)
Editora: Porto Editora

A nossa pontuação: ★★★★☆

Disponível no site Wook.
A Câmara Municipal de Guimarães está de parabéns por esta iniciativa tão original - dez passadeiras foram decoradas com frases de escritores para celebrar os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, escritor que viveu na freguesia de Nespereira. A efeméride assinala-se em 2017 e até lá vão ser várias as iniciativas para a assinalar.

Este projecto em particular chama-se "Guimarães Passo a Passo" e esta passadeira em baixo foi a primeira a ser inscrita. No total são dez, de vários escritores, com especial enfoque em Raul Brandão. Acho fantástico o destaque que está a ser dado ao escritor e este projecto específico, que é de tão simples implementação, é um excelente tributo e um meio eficaz de suscitar a curiosidade de todos os transeuntes.

Mais informação no site da C. M. de Guimarães.