1940. Lisboa. Em plena Segunda Guerra Mundial, a cidade é um porto de abrigo repleta de refugiados que chegam e partem para vários locais do mundo, especialmente para a América. É este o destino dos dois casais protagonistas desta história.

Peter e Julia Winters são expatriados americanos que antes viviam em Paris. Iris e Edward Freleng, também americanos, são escritores boémios que já viveram um pouco por todo o lado. O primeiro contacto entre os casais dá-se na pastelaria Suíça, que passa a ser um dos palcos das conversas e dos encontros dos quatro, que descobrem estar à espera do mesmo barco rumo à América. Pese embora as diferenças que separam o seu estilo de vida, cedo criam laços e exploram juntos as ruas da Baixa Lisboeta, o Rossio, o Castelo, o Cais do Sodré os restaurantes e bares, descritos de forma pitoresca.

Conforme o tempo passa vamos conhecendo, através da voz de Peter, o narrador, as peculiaridades de todas as marcantes personagens. A sua mulher, Julia, judia, vive uma existência triste e enfadada onde nada a entusiasma. Iris é uma mulher aparentemente forte e destemida que parece carregar o mundo, e os outros, às costas. Edward é como uma super estrela, deambulando numa cidade há dois dias como se lá morasse há anos, conhecendo toda a gente e fazendo contactos.

Toda a dinâmica entre os casais muda quando Peter e Edward fazem um passeio sozinhos ao Estoril e inesperadamente e surpreendentemente sucumbem a uma atracção mútua que os ligava nos últimos dias. A ligação e admiração que sentiam um pelo outro transforma-se em algo físico e sexual e dá-se início a algo com que Peter não sabe como lidar. Assistimos à sua luta interior para se compreender a si e a Edward, para conjugar a sua vida com a mulher e para seguir a sua vida depois de descobrir que se sentia atraído por outro homem.

A primeira razão pela qual adorei este livro prende-se com o facto de ser algo surreal ler as descrições que o autor faz de Lisboa. É do outro mundo saber o que um estrangeiro tem a dizer da nossa capital e de forma tão pormenorizada. Aqui, o autor fez um trabalho de casa excelente. É conhecer todo um novo olhar sobre algo que pensamos conhecer bem e é uma lufada de ar fresco. Há pormenores deliciosos de ler, como a primeira vez em que o narrador sobe ao Elevador de Santa Justa ou como descreve Sintra. Para além disso, fiquei a conhecer antros, becos, segredos que desconhecia e é fantástico.

Depois, é uma trama espectacular que nunca nos cansa e onde há surpresas ao virar de cada página. É uma leitura que se faz num instante, alimentada por quatro personagens principais muito bem construídas e alicerçada por um romance sórdido e inesperado entre dois homens casados. Portanto, é um livro que me fez redescobrir Lisboa e as relações humanas.

Dois Hotéis em Lisboa
De: David Leavitt
Ano: 2013 (reedição de 2014)
Editora: Quetzal
Páginas: 296

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Burak Doğan é um designer industrial de Istambul que faz estas estantes inspiradas nos símbolos dos super-heróis, e são um mimo. Embora não caibam lá muitos livros - são mais estilosas do que espaçosas - são fantásticas para o quarto dos miúdos os dos graúdos fãs da banda desenhada. A da Wonder Woman ia ficar tão bem no meu quarto...

Já nos deve ter passado pela cabeça a todos nós, leitores, quando vemos algumas capas de livros, em como ficavam perfeitamente enquadradas numa situação real... Pois bem, estes leitores deram-se ao trabalho de tirar a foto absolutamente perfeita, e os resultados são divertidíssimos! Alguns até parecem saídos da fotografia de capa original. Ora vejam:














Era muito mais proveitoso! 
Das minhas formas de ignorar as outras pessoas, ler continua a ser a minha preferida :)


Se nasceu nos anos 80 ou nas décadas anteriores é provável que, como eu, tenha visto o filme "Tubarão" dezenas de vezes. Era dos meus filmes preferidos quando era miúda e ainda hoje o considero um grande marco do cinema. Em 1975 Steven Spielberg realizou este filme icónico que marcou e continua a marcar gerações, com efeitos avançados para a altura e com uma banda sonora que há-de permanecer para sempre - estou a falar em particular daquele som que surge cada vez que o tubarão se aproxima, reconhecível em todo o mundo.

Finalmente li o livro que inspirou um dos maiores blockbusters de sempre. Foi escrito em 1974 por Peter Benchley e não esperava que fosse tão diferente do filme. Fez-me dar ainda mais valor ao trabalho feito por Spielberg porque transformou a história em algo melhor. Não é que o livro seja mau - até há mais mortes, o que é óptimo - mas o realizador conseguiu focar-se no que é importante e dar um carácter às personagens que o livro não dá.

No livro, há mais personagens e histórias paralelas que vão influenciando a forma como se lida com a situação do tubarão, o que faz com que se demore algum tempo até às tomadas de decisão acerca do animal. Passa-se muito tempo, por exemplo, em torno da questão do fecho ou abertura das praias. As personagens não são assim tão "simpáticas" como são retratadas no filme. Até o chefe da polícia Brody não nos inspira grande confiança. É um homem algo amargurado e violento, embora se preocupe com o bem-estar da população. Hooper, o oceanógrafo, que no filme apenas está preocupado com o tubarão, no livro acaba por ter um caso com a mulher de Brody, o que traz muita animosidade e desconfiança inexistentes no filme. É também dado um grande ênfase a Ellen, a mulher de Brody, e ao que ela sente morando numa pequena vila depois de ter largado a sua vida de luxo na cidade.

Enfim, um dos problemas de ler o livro que inspirou um filme que já se viu imensas vezes é que se está constantemente a estabelecer comparações, e temo não estar a ser muito imparcial. O que é certo é que foi um dos melhores bestsellers de sempre e despertou o interesse do público para os tubarões e para a vida marinha em geral. Tem muitos pontos a favor - há sempre alguma coisa a acontecer, novas personagens a surgir, muita acção, e um aspecto central tão bem construído (o tubarão) que até torcemos por ele. Na minha opinião, o autor dispersa-se demasiado deste aspecto central pelo menos nos dois primeiros terços do livro. O melhor de tudo é que inspirou um dos maiores sucessos cinematográficos de sempre.


Tubarão
De: Peter Benchley
Ano: 1974
(tenho a edição brasileira da editora Ulisseia)

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Afinal, por aqui somos uns atletas natos :)


Se gosta de ler, e gosta de ir à praia, apostamos que ler no areal à sombra do guarda-sol a ouvir as ondas é daqueles prazeres imprescindíveis... eu adoro! Mas depois de um certo tempo, torna-se desconfortável. Se estou deitada de barriga para baixo, dói o pescoço, se estou de barriga para cima doem os braços, se estou sentada fico com o rabo dormente e com dores nas costas...

E agora dei de caras com esta maravilha. Tudo nesta espreguiçadeira parece tão confortável... desde aquelas almofadas até à plataforma que tapa o sol. Mais parece uma mesa de massagens feita para nos levar aos prazeres da leitura. Até aquela bolsinha de lado é conveniente! Se fosse mais barata, pensava nisso...


Que idade bonita! Uma das maiores instituições culturais do país faz anos e estamos todos convidados a comemorar e a participar numa série de eventos especiais que fazem parte da festa chamada"Jardim de Verão". A partir de 23 de junho visitem a Fundação Calouste Gulbenkian e podem contar com várias acções, como sessões de leitura, workshops, filmes, dança, concertos, e outros eventos, que terão lugar tanto nos auditórios, salas e galerias, como no belíssimo jardim. Consultem toda a programação aqui.

Como somos bichos das letras, não podemos de deixar de sugerir uma leitura. Esta - "No Melhor Texto Cai a NÓDOA", feita em jeito de piquenique no roseiral, parece-nos muito bem. Vai realizar-se no domingo 3 de julho às 15h00 e conta com os NÓDOA, um projecto que alia a leitura de grandes textos à música. Não sejam tímidos, a entrada é livre!

Feliz aniversário, Gulbenkian!




... que nos protege da ignorância!

 

Para mim a Simone de Oliveira, em si, é um poema. Tive o prazer de a ver ao vivo, com a sua voz rouca e única e fiquei apaixonada pela grandeza da sua pessoa.

Nesta música, letra do genial Ary dos Santos, fala-se de amor: amor por um país, que é mulher e homem, e nação, povo forte, terreno, uno e que se quer livre.

A voz da Simone, a sua presença em palco, transforma esta canção em mais do que um poema a Portugal, mas um hino, que todos reconhecemos e cantamos, com uma liberdade que lutámos por ter e um país que temos de fazer por honrar.

Na extensão da sua letra, escolho o refrão para ser cantado a plenos pulmões e o final que tanto vem a calhar hoje em dia. Devíamos cantar mais e melhor Portugal.

Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.
(...)
Oh minha terra
minha aventura
casca de noz
desamparada.
Oh minha terra
minha lonjura
por mim perdida
por mim achada.