Enquanto deambulava pela Amazon em busca de um livro que me gritasse aos olhos a dizer "lê-me", deparei-me com esta autora: Olivia Laing. Ela escreve sobre solidão, que é para mim o maior dos males da sociedade actual, não pela solidão em sim, mas pelas escolhas que ela nos leva a fazer.

No entanto ela não escreve sobre solidão num sentido desesperado, escreve sim num sentido de independência, de como colher os frutos de uma sociedade que tem tanto de virtualmente próxima como de socialmente isolada. Como se se tratasse de uma dor de crescimento com a qual temos de aprender a lidar.

Escreveu o livro "The Lonely City", uma homenagem à sobrevivência a esta condição solitária, que tantos consideram um holocausto social, mas que na realidade talvez seja um grito por liberdade e a verdadeira emancipação do Ser Humano. Não há nada mais importante do que sermos por nós próprios, e os outros serem, por si próprios, uma alegria nas experiências que levamos desta novela (tantas vezes dramatizada por nós) que é a vida.

Aqui vos deixo um ensaio que Olivia Laing escreveu sobre um momento da sua vida: o seu aniversário e como a solidão a pontapeou em direcção à auto-descoberta. Sei que muitos que nos lêem se vão identificar: The Hungriness of the Human Heart.


Uma misteriosa conta no Twitter chamada "Paperback Paradise" está a pegar em capas de livros infantis antigas e a dar-lhes uma "nova vida". Com simples alterações no texto as capas ganham todo um novo tom humorístico e o resultado é hilariante.

As novas mensagens contêm tendências modernas, comentários políticos, ou simplesmente reflectem um grande sentido de oportunidade...

Ora vejam:






"Daphne" relata a verdadeira história da escritora inglesa Daphne du Maurier no fim da década de 50. Aos 50 anos, Daphne vive um período negativo. Apesar de ter escrito alguns bestsellers, sente que não é devidamente reconhecida e que é vista apenas como uma escritora de romances de cordel. Passa o tempo assombrada por Rebecca, uma das personagens mais icónicas que criou. Na vida pessoal, o seu marido passa por uma depressão e a vida dos dois como casal deteriora-se, ainda para mais quando descobre a que é traída. A juntar a tudo isto, durante a maior parte do tempo sente-se sozinha numa casa enorme.

Para combater o negrume em que a sua vida está afundada, Daphne lança-se na missão de escrever a biografia de Branwell Brontë, cuja vida está envolta em mistérios literários, que envolvem manuscritos roubados, assinaturas forjadas e muitas dúvidas sobre a autoria de algumas obras da família. A autora pede a ajuda de Symington, um especialista em Brontë que está na ruína, mas a "ajuda" depressa se torna uma dor de cabeça e adensa ainda mais a teia dramática.

A narrativa é contada na 3ª pessoa enquanto Daphne e Symington vivem as suas vidas e se correspondem, e é entrelaçada com momentos do presente contados na 1ª pessoa, pela voz de uma personagem ficcional que é estudante. Esta é fã de Daphne e quer escrever uma tese sobre ela, e depara-se com toda a obsessão da escritora por Brontë e com as cartas trocadas com Symington, e entende que fez um achado capaz de abalar a cultura literária.

É incrível a pesquisa que Justine Picardie teve de fazer para escrever este livro, que podia ser muito denso e difícil de ler. Mas vermos, alternadamente, as visões de três personagens diferentes, dá uma dinâmica que efectivamente resulta. Aprendi imenso, há muitas referências curiosas, alguns momentos de humor e uma intriga crescente que nos prende.

Daphne
De: Justine Picardie
Ano: 2006 (edição de 2010)
Editora: Dom Quixote
A nossa pontuação: ★★★☆☆

Disponível em wook.pt.
Contra factos não há argumentos!

O primeiro manager dos Ramones, Danny Fields, vai lançar um livro com fotografias nunca antes vistas da banda. Estas serão acompanhadas pelas suas notas e comentários, que darão uma nova perspectiva sobre uma das bandas mais conhecidas de sempre.

Danny Fields conheceu os Ramones num concerto e disse-lhes que queria ser o seu manager. Teve de os subornar com 3.000 dólares (que a banda precisava para comprar uma bateria nova) e fotografou-os bem de perto durante 2 anos. As mais de 250 fotografias, tiradas do seu próprio arquivo, remontam ao período entre 1975 e 1977 e incluem imagens dos bastidores, os momentos da tour, actuações ao vivo, encontros com fãs e muito mais.

O livro, em edição de capa dura, será lançado a 27 de abril e já pode ser encomendado.

© Danny Fields

Fonte: Arte Sonora
Se vai dar o nó e é viciado em livros, acessórios inspirados nestes podem ser uma boa solução para tornar o casamento ainda mais pessoal e especial.

Centros de mesa, convites, talheres, marcadores de mesa, brindes, elementos decorativos, bolo, e até sapatos e brincos são algumas das sugestões que os noivos que partilhem o bicho das letras podem seguir.

Ora vejam as sugestões, é uma ideia bem original que dá uma temática singular.











Um ano após a morte do poeta Herberto Helder, o seu arquivo foi digitalizado e vai estar disponível para consulta na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

A iniciativa partiu do seu amigo e ensaísta Arnaldo Saraiva, que teve o apoio da Gulbenkian para custear a operação de digitalização, que, diz, vai contar com mais de 2.000 imagens de trabalhos do autor. Herberto Helder não era homem de guardar rascunhos ou arquivos mas ainda assim deixou alguns cadernos com inéditos, um livro de poemas em prosa e uma antologia de quadras populares. Há ainda a hipótese de a biblioteca do poeta vir a ser depositada na mesma Faculdade.

Deste modo estes trabalhos do autor ficarão preservados, não correndo o risco de perda ou acidente, mantendo e enriquecendo o espólio nacional de obras de autores relevantes, neste caso do considerado por muitos o maior poeta nacional da segunda metade do séc. XX.



Mais no site do Público.


Há uns anos atrás comecei por sentir dormência num braço, depois a minha visão começou a ficar afectada, e tudo isto era posteriormente acompanhado por uma valente enxaqueca, impeditiva e violenta.

Entre distorções visuais, em que o alto parecia baixo, o perto parecia longe, e tudo era um túnel, decidi ir ao neurologista. Diagnóstico : enxaqueca com aura. E agora vocês perguntam, mas afinal o que tem isto a ver com livros? Pois, minha boa gente, então não é que um dos meus autores de eleição sofria de enxaqueca com aura? Quem, perguntam? O Lewis Carroll!

A sensação de queda da Alice, a ansiedade do Coelho, as cores, a distorção de tamanhos e espaço e distâncias...tudo isso são sintomas de enxaqueca com aura, patologia que afecta cerca de 10% das pessoas que sofrem de enxaqueca, o que quer dizer que somos poucos mas bons. Parece que o autor, no meio das suas crises, usava a escrita como medicamento e a criatividade como profilaxia.

Impressionante como a literatura consegue transformar até as mais estranhas patologias em obras de arte. Confesso que saber que partilhava um pedaço de uma neurologia distinta com um autor que me fascinava foi uma lufada de ar tão fresca que quase (quase!) me minorou as dores.

Por isso, já sabem, da próxima vez que pensarem no País das Maravilhas, pensem que aqui, deste lado, está uma Chapeleira Louca Neurológica, ou então, da próxima vez que tiverem uma enxaqueca, pensem que no fundo isso é apenas uma manifestação da vossa genialidade.


Ah! E o Van Gogh também sofria desta maleita. Aqui vos deixo um quadro que se diz ter sido inspirado numa das suas crises.

Enxaqueca : o mal dos génios :)

Os curiosos pelo assunto, podem ler mais aqui.
Não há fã de Metallica que não conheça a música "For Whom The Bell Tolls", segundo single do álbum "Ride the Lightning", de 1985. O que alguns não sabem é que esta canção lendária lançada no ano em que nasci é inspirada num livro.

"For Whom the Bell Toll" (lançado em português com o título "Para Quem Os Sinos Dobram") é um romance de Ernest Hemingway de 1940 e tem como protagonista Robert Jordan, um jovem americano que combate na Guerra Civil Espanhola. Encarregue dos explosivos, é-lhe ordenado que faça explodir uma ponte na cidade de Segovia, um ponto estratégico para travar a ofensiva inimiga. O romance é inspirado na sua própria experiência, pois Hemingway testemunhou esta guerra de perto como jornalista.

Todo o livro é uma crítica ao absurdo da violência mas trata sobretudo dos mistérios da condição humana que nos une e ao mesmo tempo nos separa e nos coloca em lados opostos. Estes valores estão bem patentes na música dos Metallica, que tantos anos depois transformaram em música um dos autores mais celebrados de sempre. Fica um cheirinho:


Make his fight on the hill in the early day 
Constant chill deep inside 
Shooting gun, on they run through the endless grey 
On they fight, for the right, yes, but who's to say? 
For a hill men would kill, why? They do not know 
Suffered wounds test their pride 
Men of five, still alive through the raging glow 
Gone insane from the pain that they surely know

Imre Kertész, escritor húngaro de origem judaica agraciado com o Nobel da Literatura em 2002, que sofria de Parkinson desde há alguns anos, faleceu hoje aos 86 anos.

A obra mais marcante do escritor, e que lhe terá valido o prémio, é o livro "Sem Destino", lançado em 1975. Neste, descreve o quotidiano de Auschwitz vivido por um rapaz de 14 anos, num relato autobiográfico impressionante que não foi muito bem aceite na Hungria comunista. Imre tinha essa idade quando foi deportado para Auschwitz e aí ficou até à libertação do campo em 1945, uma experiência que o terá marcado para sempre e definido o seu rumo literário.

Demorou 14 anos a escrever o livro, e publicá-lo não foi fácil - foi recusado por uma editora estatal e acabou por lançá-lo numa pequena chancela. Felizmente, veio a ter o destaque e a dimensão que merecia. O livro veio a ser adaptado para o cinema em 2005.

As condolências à família e amigos do escritor, cuja experiência de vida e aquilo que passou é apenas algo que podemos imaginar.