Imre Kertész, escritor húngaro de origem judaica agraciado com o Nobel da Literatura em 2002, que sofria de Parkinson desde há alguns anos, faleceu hoje aos 86 anos.

A obra mais marcante do escritor, e que lhe terá valido o prémio, é o livro "Sem Destino", lançado em 1975. Neste, descreve o quotidiano de Auschwitz vivido por um rapaz de 14 anos, num relato autobiográfico impressionante que não foi muito bem aceite na Hungria comunista. Imre tinha essa idade quando foi deportado para Auschwitz e aí ficou até à libertação do campo em 1945, uma experiência que o terá marcado para sempre e definido o seu rumo literário.

Demorou 14 anos a escrever o livro, e publicá-lo não foi fácil - foi recusado por uma editora estatal e acabou por lançá-lo numa pequena chancela. Felizmente, veio a ter o destaque e a dimensão que merecia. O livro veio a ser adaptado para o cinema em 2005.

As condolências à família e amigos do escritor, cuja experiência de vida e aquilo que passou é apenas algo que podemos imaginar.


Os livros podem não só ficar marcados profundamente na nossa memória como também perdurar para sempre gravados na pele. Alguns acérrimos fãs da leitura e de tatuagens decerto já pensaram em transpor a paixão pelos livros para o corpo, e por isso ficam aqui alguns belos exemplos de tatuagens com livros para que possam servir de inspiração.

A cores, a preto e branco, mais minimalistas ou complexas, os exemplos são imensos e para todos os gostos. Cada um terá a sua forma de manifestar o amor à leitura e de colocar também um pouco de si  nesta representação da paixão bem marcada a tinta.

Há também imensas tatuagens com personagens de livros, com citações ou frases específicas, mas isso ficará para outras núpcias!

















A Porto Editora anunciou que o livro "A desumanização" de Valter Hugo Mãe está em primeiro lugar no principal top de vendas da Islândia, à frente de Michel Houllebeccq (em segundo), de "O Principezinho" (em terceiro) e de Elena Ferrante (em quarto).

O romance foi apresentado na quarta-feira passada no Teatro Harpa e saltou directamente para o top de vendas com 35.000 exemplares vendidos. Gudlaug Run Margeirsdòttir, que vive em Portugal, foi a tradutora do livro que em islandês tem o título "Afmennskun".

Valter Hugo Mãe é um dos maiores escritores portugueses da literatura moderna e desejamos-lhe os parabéns por esta conquista além-fronteiras, inteiramente merecida!

Robert A. Heinlein por Frank Kelly Freas

Jim e Frank são adolescentes que vivem em Marte. O planeta vermelho há algum tempo que está a ser colonizado pelos humanos, que vivem em colónias controladas, onde o ar é pressurizado dentro dos edifícios para conseguirem respirar. Fora de portas, têm de usar fatos especiais e máscaras para sobreviver.

De tempos a tempos, os humanos têm de migrar para outras zonas do planeta, uma vez que a temperatura atinge as centenas de graus negativos e têm de partir para zonas mais quentes. Os marcianos não se metem na vida dos humanos e vice-versa. A co-existência é pacífica e desde que estes respeitem o espaço dos habitantes originais está tudo bem.

Está na altura de Jim e Frank irem estudar para a Academia de Syrtis Minor e despedem-se da família. Jim leva consigo Willis, um pequeno marciano "saltitão" em forma de bola com o qual estabeleceu uma relação de amizade. Willis tem a capacidade de memorizar todos os sons que ouve e é assim que os rapazes, já estabelecidos na Academia, descobrem os planos maquiavélicos dos responsáveis da escola. Começa então uma aventura fantástica no planeta vermelho.

Este livro é de 1949. Impressionante. Se fosse escrito hoje ainda seria um livro futurista - ter em conta que já tem quase 70 anos é simplesmente fantástico. Os ambientes, a descrição dos marcianos e as suas capacidades e o modo de vida adaptado dos colonos saíram de uma mente cheia de imaginação como poucas. Robert A. Heinlein imaginou e passou para o papel toda uma vida noutro planeta e, ao lermos, tomamos o cenário como bem possível e mergulhamos nele, e isso é de uma competência técnica inigualável.

Sendo um livro que, na altura, foi escrito para adolescentes, dá 10 a 0 aos que hoje em dia são escritos para essa faixa etária. Foi adaptado para uma mini-série de animação pela FOX Kids em 1994.


O Planeta Vermelho
De: Robert A. Heinlein
Ano: 1949
Editora: Publicações Europa-América
A nossa pontuação: ★★★☆☆

Disponível em Wook.pt.
Mais uma iniciativa de destaque para os amantes dos livros: a "Ler em todo lado" pretende estimular o hábito de leitura e isso é também estimular o pensamento criativo, a liberdade cultural e, num mundo crescentemente virtual, ler e o gosto pela leitura, funciona também como uma ponte entre gerações e pessoas.

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros junta-se à Câmara Municipal de Lisboa, unindo livrarias e bibliotecas para criar, em Abril, todo um mês repleto de actividades a não perder: descontos em livrarias, exposições, horas do conto, lançamentos... Tudo e tanto para quem escolhe os livros como companheiros.

Aproveitem! Vejam a programação em Leremtodolado.pt

:)

Eu sou uma mistura dos dois... Coloco sempre um marcador, mas quando encontro uma citação que quero guardar, ou me deparo com algo importante, ou alguma palavra que não sei o significado, e não tenho nada à mão dobro a página. E sinto-me mal de todas as vezes... Eu sei, eu sei, sou uma monstra!

Que tipo são vocês?

Ainda falta para chegar a data oficial do FOLIO, terá lugar entre 22 de Setembro e 2 de Outubro, mas já podemos ansiar uma segunda edição fantástica.

Prémios Nobel, Fernando Pessoa, Utopias, Miguel Sousa Tavares, Literatura, Folia, Camané, José Gil... tudo num fantástico evento como há muito que se merecia por estas terras.

Já se pode antever uma programação rica, variada, este ano inspirada nas utopias: outros mundos criados por autores que expressam em palavras a esperança e a desilusão, o fantástico e o real.

Um evento a colocar já na agenda!

Vejam um dos vídeos de apresentação: 2015 foi fantástico, 2016 promete!
    Saibam mais em Foliofestival.com
Bem, mais vale tarde do que nunca, certo? James Phillips era um estudante na Universidade de Dayton, no Ohio, e levou para casa um exemplar do livro "História das Cruzadas". Só que pouco tempo depois deixou a Universidade para se juntar aos US Marines. Um colega enviou os seus pertences para a casa dos pais de James, incluindo o livro.

Este permaneceu lá por casa esquecido junto às recordações da Universidade, e depois de os pais falecerem os pertences foram enviados desta vez ao irmão de James. Ao reavê-los, deparou-se com o livro e descobriu que estava 49 anos atrasado na sua entrega. E decidiu devolvê-lo.

Enviou-o para a biblioteca juntamente com um bilhete que dizia:

"Por favor aceitem as minhas desculpas pelo atraso na entrega do livro "História das Cruzadas". Ao que parece consultei-o no primeiro ano de faculdade e de algum modo ficou esquecido todos estes anos."

Os responsáveis da biblioteca ficaram agradavelmente surpreendidos, não só porque James se deu ao trabalho de devolver o livro, mas também porque ainda trazia o cartão de empréstimo de 1967, com o carimbo dessa data, e no fundo foi como receber uma relíquia do passado, intocável pela tecnologia. Ficaram tão agradados que até perdoaram a multa de 350 dólares.











Fonte: Independent
E Shakespeare continua em grande :)



Há mais de 100 anos Fernando Pessoa escrevia, sob o heterónimo Álvaro de Campos, o poema "Opiário", que constou no primeiro número da revista Orpheu.

Em 1996 os Moonspell, a banda que é estandarte do heavy metal nacional, lançaram o álbum "Irreligious" e dele fazia parte "Opium", inspirado no poema. Não é só a letra da música que tem inspiração em Fernando Pessoa - o videoclip também, e nele podemos ver uma interpretação do escritor e dos seus hábitos, enquanto é rodeado pela banda.

Faz parte da música, mesmo no fim, uma parte integral do poema:

Por isso eu tomo ópio. É um remédio 
Sou um convalescente do Momento. 
Moro no rés-do-chão do pensamento 
E ver passar a Vida faz-me tédio. 

"Opiário" é um dos poemas mais conhecidos de Fernando Pessoa, assim como"Opium" é um dos temas com mais sucesso dos Moonspell. É uma combinação perfeita, embora por princípio inesperada (para aqueles que não estão familiarizados com a  banda) e mostra bem como a literatura tem influência numa infinidade de áreas, inclusivé no heavy metal.