Numa quinta no interior do País de Gales, Daniel tenta superar a morte da sua mulher. Ambos comandavam os destinos da quinta, até que ela sofre uma morte violenta. Daniel fica encarregue da quinta e dos animais, tentando superar a presença constante da sua mulher, que sente nas coisas e nas situações que vão acontecendo. Torna-se um solitário, transportando nas costas o peso da ausência dela e de fazer sozinho as coisas que antes faziam juntos.

Ao mesmo tempo, outro homem, grande e solitário também, ganha a vida a capturar texugos, espécie protegida, e vende-os com o fim de promover lutas ilegais entre estes animais e cães. O destino dos dois homens seguem em paralelo e vai acabar por se juntar.

Esperava muito mais, tanto pelos prémios que o livro ganhou, como pelos comentários positivos que fui lendo. A narrativa é algo repetitiva - os mesmos termos estão sempre a ser utilizados, assim como a construção das frases se repete, e também as situações que vão acontecendo, que são também desinteressantes e não carregam em si nenhuma moral em especial. Há algumas descrições chocantes (principalmente relativas à crueldade para com os animais) e ideias interessantes aqui e ali, mas no geral considero-o um livro monótono, daqueles raros casos em que quero chegar ao fim pelas piores razões.


As histórias destes homens são tão distintas e tão emocionalmente desligadas uma da outra, que acho que preferia que a narrativa girasse apenas em torno de um deles. O livro carrega um peso emocional muito forte, que podia ter sido aproveitado doutra forma.

A Cova
De: Cynan Jones
Ano: 2014
Editora: Cavalo de Ferro
A nossa pontuação: ★★☆☆☆

Disponível em Wook.pt

O que mais se temia aconteceu novamente, desta vez em Bruxelas. O terrorismo voltou a ganhar, por enquanto, mas queremos acreditar, temos de acreditar, que "os maus" não vão ganhar uma guerra que alguns não querem crer que já começou. Os nossos sentimentos e coração estão com aqueles que hoje perderam alguém às mãos de quem não dá o certo valor à vida.

Sejamos destemidos e corajosos como o Tintin, personagem nascida e criada na Bélgica por Hergé. Mas até ele, por momentos, se vai abaixo.

Toby Little tem 7 anos e há algum tempo atrás empreendeu uma tarefa hercúlea: escrever para todos os países do mundo. Tinha 5 anos quando leu o livro "Letter to New Zealand" e perguntou à mãe, inspirado pela leitura, se podia enviar uma carta à Nova Zelândia. A mãe anuiu, mas pouco tempo depois Toby mudou de ideias e decidiu escrever para todos os países do mundo. Queria conhecer outras realidades, saber as dificuldades dos outros e o que mais gostavam de fazer.


A mãe apoiou a ideia e fez um apelo nas redes sociais para encontrar possíveis correspondentes para o filho, de todos os lugares do mundo. A palavra espalhou-se e a resposta foi imensa. O interesse foi tal que até à data Toby já enviou mais de 680 cartas e o número não pára de aumentar. Fica fascinado com a tarefa de escolher o próximo país para onde vai escrever e de receber notícias do mundo inteiro, de gente de todas as etnias, religiões, idades e ocupações.

Toby diz ainda que este projecto o fez perceber que o mundo não é assim tão grande, podemos partir e visitá-lo quando quisermos, e que por isso o planeta é um sítio óptimo para se viver. As várias respostas que obteve de todo o mundo fazem agora parte de um livro chamado "Dear World, How Are You?".

Este pequeno empreendedor e a sua mãe, que apoia esta grande e nobre tarefa, estão de parabéns por tanta coisa - por se importarem com o resto do mundo, por quererem conhecer outras realidades, por preservarem a extinta tradição da correspondência, resumindo, por despertarem o bicho das letras no mundo inteiro.




Fonte: The Telegraph
No Reino Unido, em 1866, surgiu a primeira edição oficial do livro "Alice no País das Maravilhas". Assim, desde há 150 anos que o mundo ganhou um novo colorido com as aventuras de uma menina curiosa, de um coelho apressado, um gato falante, uma lagarta fumante e um chapeleiro genial.

Desde então, este livro que se pensava para crianças, tem sido fruto de análises nas mais variadas áreas: sociologia, psicologia, linguística, psicanálise e, quem diria, até na matemática!

Lewis Carrol era professor de matemática e segundo Melanie Bayley, investigadora que conduz o estudo, o seu livro, entre o absurdo e a criatividade, desenvolve em certos episódios uma crítica à evolução do estudo da disciplina.

É sempre maravilhoso ver como na cultura tudo se cruza, desde que haja vontade de ir mais além do que as palavras e somar mais do que números.

Vejam mais sobre este estudo nesta publicação do Público .

Cecilia Levy era encadernadora e agora enveredou por uma profissão onde faz precisamente o oposto. Ela pega em livros e bandas desenhadas velhas e transforma-as em chávenas, pires, bules, taças e outras peças de decoração.

A artista sueca faz verdadeiras obras de arte em papel e estes livros passam a ter assim uma vida nova e diferente. A muitos de nós pode parecer 'sacrilégio' dar este uso aos livros, mas o resultado final é tão apelativo que temos de admitir que ficariam bem em qualquer lar e que são um belo tributo à literatura.

Algumas das nossas peças preferidas:











Fonte: Bored Panda
Com o título original (e muito mais bonito) "A Walk In The Woods", este livro conta a aventura do autor ao percorrer o Trilho dos Apalaches nos Estados Unidos, o maior trilho do mundo, com cerca de 3.500 quilómetros. O trilho atravessa 14 Estados e são precisos muitos meses para o percorrer por inteiro, mas a verdade é que apenas uma percentagem irrisória de caminhantes o consegue fazer.

O livro tem um tom humorístico muito apurado e não raras vezes dei por mim a gargalhar sozinha. Para além da história desta grande aventura, aprendi imenso sobre a exploração da natureza nos Estados Unidos, dados históricos sobre a construção do trilho, histórias fantásticas sobre antigos caminhantes que conseguiram proezas incríveis, e também outras mais tristes, de aventuras que resultaram em morte.

O autor partiu para o trilho com o seu amigo Katz e assim que se fizeram ao caminho descobriram que estavam em péssima forma física. Já não iam para novos e o excesso de peso não ajudava... No entanto, tudo melhorou com o tempo. Juntos passaram por muitas peripécias, como descobertas de animais selvagens curiosos, condições atmosféricas muito adversas, ou encontros com outros caminhantes muito difíceis de aturar.

A dinâmica entre Bill e Katz é fabulosa, divertida e comovente. Ler este livro é ser também transportado para a natureza selvagem, para onde não há vivalma, onde o estado puro das coisas nos toca o coração. Mostra-nos que fomos feitos para caminhar - não para andar de rabo tremido de carro -, para nos levarmos ao limite, para estarmos em harmonia com o mundo. O autor e o amigo, depois de andarem meses na floresta, quase já não sabiam andar em estradas e onde quer a civilização tivesse chegado. Quase que sentiram medo. E dá que pensar sobre que raio estamos a fazer com as nossas vidas.

Este relato fantástico deu um filme lançado no ano passado e teve como protagonistas os grandes Robert Redford e Nick Nolte. Estes dois dinossauros do cinema deram uma grande dimensão ao filme e mostraram na perfeição a amizade real que une os protagonistas do livro. O filme e o livro são bastante diferentes, já que este último está também cheio de factos, datas e acontecimentos relevantes, e o filme é mais centrado na amizade e o que andar na natureza pode fazer por ela. Eu adorei os dois, e ambos me deram uma grande vontade de largar tudo e ir caminhar sem destino pelas florestas adentro.


Por Aqui e Por Ali
De: Bill Bryson
Ano: 1998 (edição de 2015)
Editora: Bertrand
A nossa pontuação: ★★★★☆

Mais no site Wook.pt.
A Bertrand está com promoções para todos os gostos: Páscoa, Dia do Pai, Dia Mundial da Poesia.

É aproveitar, poupar e pensar já nos livros que vamos comprar depois!

Saibam mais em Bertrand.pt
Faz este ano 400 anos que Shakespeare morreu e Romeu e Julieta é uma das suas obras com mais visibilidade e impacto. Desde então que adaptações de todos os tipos foram feitas, seja no teatro, na televisão, na música, na poesia, no cinema, na inspiração de outras obras literárias - se fizéssemos uma lista seria infindável.

As homenagens por todo o mundo pelo aniversário da sua morte não se vão fazer esperar, e por aqui também começamos com uma homenagem singela no mundo musical. As hipóteses são imensas, mas seleccionei uma bem especial, dos Dire Straits, uma banda que acompanhou o meu crescimento e marcou o modo como oiço e sinto música.

Uma história de amor tornada ainda mais bonita pela mítica banda que conheceu o sucesso máximo nos anos 80. Digamos que a voz e a guitarra de Mark Knopfler tornam tudo melhor (até a tragédia...). Uma das músicas mais bonitas que já se fez, para ouvir com o som no máximo e coração aberto.

Este dia 19 que se aproxima é um dia muito importante para mim, por mais que um motivo, mas acima de tudo porque é oficialmente a homenagem a um homem que faço por honrar todos os dias: O Meu Pai. E sim, ele merece capitalização porque é o Maior.

Isto dito, aqui vos deixo umas dicas para ofertas para os vossos Pais Capitais, porque sei que não há amor como o de mãe, mas olhem que o de pai é bom, sabe a ternura e amor infinitos. Ah, e para todos os bolsos! Para não terem de ir pedir dinheiro ao vosso pai para lhe comprar a prenda.

Pai "Eu cá digo o que penso e sinto o que digo!" : 

"Algumas Crónicas" - António Lobo Antunes  

Uma selecção de crónicas de um dos mais relevantes autores portugueses, controverso, mas sem dúvida com toques (que não são poucos) de genialidade. Perfeito para quem gosta de livros pequenos e sumarentos. Digamos que funciona como uma perfeita iniciação ao autor que lhe deu vida.

Pai "Quando era jovem fartava-me de passear!":

"Fronteiras Perdidas" - José Eduardo Agualusa 

O livro perfeito para sair e viajar com a mente. Composto, mais do que por contos, por imagens, cheiros, sons, histórias de vida que se sentem à flor da pele e nos transportam até ao sonho. Curto, poderoso, fantástico. Perfeito para quem quer, em pouco tempo, libertar-se do Mundo ao mesmo tempo que o conhece.

Pai "Ah no meu tempo é que era a loucura!":

"Trainspotting" - Irvine Welsh 

O vício, a loucura, a descoberta, ficar perdido, encontrar-se, perder os outros, ficar sóbrio, a sobriedade doer, o humor, a escuridão, a regressão, o transtorno, o sonho, o pesadelo, a esperança... Basta escolher, está aqui tudo. Uma obra prima de Welsh.

Pai " Os desenhos animados de antigamente eram muito melhores!"

"As Aventuras de Tom Sawyer" - Mark Twain

Um livro que desde sempre pretende despertar a criança rebelde que temos em nós. Uma prova real de como o humor ensina e de como, por muito que cresçamos, continuamos a querer, mais ou menos secretamente, andar descalços por aí, livres, flutuando numa jangada.

Aproveitem os vossos pais.

Pai, adoro-te.
Num mundo cada vez mais digital, ainda há muito boa gente apegada aos velhotes livros (como eu) e que ainda fica boquiaberta com grandes colecções, majestosas bibliotecas, livros raros, mas também com estantes lindíssimas e originais.

No fundo, são formas menos clássicas de arrumarmos os nossos clássicos companheiros. Aqui ficam alguns exemplos de móveis geniais criados por designers talentosos, mas atenção: por mais que goste destas peças a maior parte não está disponível para venda ou têm preços exorbitantes. Bem, sonhar não custa!


Infinito - desenhada por Job Koelewij. Presente na Galerie Fons Welters. 

Árvore da Sabedoria - criada por Jordi Mila.

































Ponto de interrogação - criado por Tembolat Gugkaev.


À primeira vista parece um labirinto, mas são letras. Aqui, "read your bookcase". Criada por Saporiti.


Cubos - pelo designer Alejandro Gomez


"Puckman Bookcase", desenhada pelo Studio GinePro - disponível por encomenda.

Feita à mão, parece saída de um quadro de Dalí. 

































Circular - criada pelo estúdio David Garcia


"MYDNA", criada por Joel Scalona. Aceita encomendas.























Árvores - autor desconhecido