Um autor fantástico, uma personalidade marcante no panorama cultural angolano, um dos meus autores de eleição em literatura de viagens, pela forma como nos transporta, com palavras, até novos mundos.

Este ano Agualusa encontra-se nomeado para o prémio internacional The Man Booker 2016 pela obra "Teoria Geral do Esquecimento". Uma merecida nomeação para um genial autor de língua portuguesa.

Saibam mais sobre José Eduardo Agualusa, a sua obra e a sua vida, em Agualusa.pt.

Ao ler este livro só me vinha à cabeça a música "Mulheres" de Martinho da Vila: "já tive mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores"... São assim as protagonistas das oito histórias de "Fugas". Mulheres únicas de várias gerações que têm em comum o facto de terem fugido - de e para o amor, ao encontro da amizade ou de sonhos.

Mas também mulheres iludidas, fartas do que se tornaram, arrependidas do que fizeram, presas ao passado e ansiando por um melhor futuro. Mulheres que não sabem o que querem, outras cheias de certezas, outras ainda com medo ou com terríveis segredos guardados. Mulheres mães, irmãs, filhas e amigas. Mulheres que correm mundo, que voltam atrás, que arriscam ou se deixam ficar.

Histórias tão próximas que podiam ser as nossas. Complexas, tangíveis. Fazemos parte do mundo destas mulheres, somos estas mulheres. Todos as conhecemos.

Este é o universo do livro de Alice Munro, a autora canadiana de 84 anos galardoada com o Prémio Nobel da Literatura em 2013.

Fugas
Autora: Alice Munro
Ano: 2007
Editora: Relógio D'Água
A nossa pontuação: ★★★☆☆

Mais informação no site Wook.
mArt é o nome da nova publicação online escrita em inglês, a "língua do consenso" que melhor dará a conhecer o projecto. Mas os autores são bem portugueses. Sofia, Luciana e Sérgio são duas jornalistas e um webdesigner que assentaram arraiais em Macau.

No site encontramos novos conteúdos diários sobre várias áreas da cultura do país, que incluem entrevistas, notícias, sugestões, e em breve contará também com galerias de artistas que se disponibilizam para mostrar as suas obras online.

O site tem ainda uma área denominada "From Lisbon", com as mais recentes notícias e projectos vindos de Lisboa. E porquê a nossa capital? Os autores justificam com a óbvia ligação histórica entre Lisboa e Macau, e pretendem também que as cidades sejam vistas pelos leitores, respectivamente, como portas para a Europa e para a Ásia.

Os três sócios partilham a paixão pela cultura e querem fazer a diferença, aproximar as pessoas e as comunidades. Só por isso e por serem empreendedores já merecem todo o apoio e os nossos parabéns.

Vejam o site aqui.




Fonte: Ponto Final Macau
Um grande poema, de uma grande mulher, para todas as mulheres. Que o Dia da Mulher seja mais que flores e chocolates, que seja verdadeiramente uma homenagem à luta pelos direitos, pela igualdade, pela diversidade, pela sensualidade, pela sexualidade e por tudo que faz parte desta coisa maravilhosa que é ser Mulher.


Maya Angelou, Still I Rise

"Does my haughtiness offend you?
Don’t you take it awful hard
‘Cause I laugh like I’ve got gold mines
Diggin’ in my own backyard.

You may shoot me with your words,
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I’ll rise.

Does my sexiness upset you?
Does it come as a surprise
That I dance like I’ve got diamonds
At the meeting of my thighs?"

No vídeo, a liberdade poética das suas palavras e a força do seu sorriso
Há uma nova moda no Twitter - pegar nos nomes das bandas e dos seus grandes êxitos e transportá-los para possíveis capas de livros.

Foi o designer Christophe Gowans quem lançou a moda mas muitos outros aproveitaram o Dia Mundial do Livro para fazer as suas próprias capas, divulgadas no Twitter através da hashtag #AlbumsAsBookCovers.

Deixamos algumas das nossas capas preferidas, vejam uma colecção mais completa no site Arte Sonora.








Amanhã é Dia da Mulher e, para mim, não há quem a cante como Pablo Neruda.

Neruda é o poeta da sensualidade feminina, das curvas, do poder, da força. É também o poeta da Natureza, da perda, do amor abandonado. É o poeta que honra o corpo e o espírito da Mulher, como se fosse uma deusa.

Neste pequeno livro estão precisamente vinte belos poemas de Amor e uma tormentosa canção desesperada. Em cada palavra um sentimento, um ritmo amoroso e delicioso que nos leva a suspirar.

Não só é bom de ler, como será ainda melhor para oferecer àquela Mulher, capital, única e especial das vossas vidas. Aqui fica a dica, vá, espalhem o amor! Deixo-vos um pequeno excerto:

"As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do universo.
Vou trazer-te das montanhas flores alegres «copihues»,
avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.
Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras. "

Título: Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada
Autor: Pablo Neruda
Editora: Dom Quixote (também disponível edição da Relógio D'Água)

A nossa pontuação: ★★★★☆ 
Mais no site wook.pt



"Born To Run" - assim se chama a biografia que Bruce Springsteen lançará em setembro deste ano. O rocker de 66 anos vai deixar um cheirinho dos seus mais de 50 anos de carreira em livro, e não deve ter pouco para contar.

Vão ser passados em revista vários momentos cruciais da vida de "The Boss", desde o seu crescimento em New Jersey, passando pelo momento em que viu Elvis Presley ao vivo, e revisitando vários sucessos de uma carreira sempre a esgotar concertos em todo o mundo.

Recorde-se que o artista vai passar pelo Rock in Rio Lisboa deste ano, quem sabe mais um marco para futuros livros de memórias...


Citações

"(...) entendi finalmente que o tempo é a única coisa que acontece a todos, desmorona-se sobre nós e dissolvemo-nos nele, revolve-nos as fundações como se fôssemos uma casa de madeira seca e não é que afinal de contas somos mesmo uma casa de maneira seca, apodrecemos-lhe aos pés e apesar de não consentirmos e procurarmos evitar o tempo entretém-se connosco e faz-nos pedinchar e suplicar e implorar e depois tanto se lhe dá como se lhe deu, dissipa-nos e desvanece-nos e oblitera-nos (...)"

in "Bem-vindos a Esta Noite Branca", de Gonçalo Naves (2015)

Quadro de Salvador Dali

Este é um dos raros casos em que me diverti tanto com o filme como com o livro - são ambos fantásticos. A história passa-se nos anos 60 e acompanha a vida de um grupo de governantas negras que trabalham e tomam conta das crianças de famílias brancas. Numa época em que a segregação racial é imensa, elas avançam com um projecto inédito e arrojado - decidem escrever um livro a contar como se dedicam tanto a uma família e a criar os seus filhos, e sentem-se apenas usadas como objectos devido à cor da pele. Para isso contam com a ajuda de uma dessas crianças, agora adulta, que as vê de maneira diferente e as quer ajudar.

É uma história de grande beleza, e falo por mim ao dizer que é um grande choque perceber que na segunda metade do século em que nasci se ligava tanto à cor da pele. Para tudo. Nos restaurantes, nos transportes, na vida profissional, em todo o lado. Quem era negro, tinha de ser metido no seu lugar. Ainda bem que as coisas mudaram (pelo menos para a maioria de nós).

De qualquer modo uma das protagonistas arranjou uma forma brilhante de se "vingar", a sua pequena grande vingança pessoal, e digamos que é deliciosa. Vale a pena descobrir. O livro e o filme estão repletos de momentos cómicos, mas também muito sérios. Para além da desigualdade racial, a importância da amizade, o companheirismo, a religião, são temas também presentes. É, ao mesmo tempo, uma história de partir o coração e de esperança.

O filme é de 2011 e ganhou o Oscar (bem merecido) de Melhor Actriz Secundária para Octavia Spencer (à esquerda na foto). Esteve também nomeado para Melhor Filme e Melhor Atriz Principal. O livro, de 2009, é da autoria de Kathryn Stockett e valeu-lhe o título de Bestseller pela New York Times e entrou no top dos melhores livros do ano da Amazon.

Acabei há pouco de ler este livro e ainda estou embasbacada. Há muito tempo que não lia algo tão belo. Este livro tirou-me o sono, fez-me adiar as horas de ir dormir, fez-me quase perder os transportes para o trabalho e desejar ter dias de férias para o ler todo de seguidinha.

Tudo é belo aqui, a começar pelas personagens, únicas e distintas, tão simples nas suas necessidades e pretensões. Temos Crisóstomo, que só queria ser pai, e Camilo, que queria ser filho, e o mar encarregou-se de os juntar. Temos Isaura, mulher feia e magra, já não virgem, que se fechou para o mundo por achar que o mundo já não a queria. Há a Maria, mãe de Isaura, que de repente acordou com sotaque francês e custava-lhe ouvir a própria voz, até se calar. O Antonino, o maricas de desejos incompreendidos, odiado e desprezado por todos, olhado com malícia até pela própria mãe. E temos muitas mais vozes, tão características e tão diferentes que só podiam ter saído de uma mente sensível como a de Valter Hugo Mãe.

Estas personagens cruzam-se e fazem tudo fazer sentido. As suas relações são de uma beleza cheia de ensinamentos, e de entre os mais importantes destaca-se a importância da família, não a que provém do sangue, mas sim da partilha da solidão e da compreensão mútua. A família que se gera entre desconhecidos porque precisamos uns dos outros, não porque laços nos obrigam. Porque gostamos uns dos outros.

O filho de mil homens
Autor: Valter Hugo Mãe
Ano: 2011
Editora: Alfaguara
A nossa pontuação: ★★★★★
Disponível no site Wook.