A Bia e a Juju são duas irmãs gémeas brasileiras, de 7 anos, e têm já, com esta idade, uma grande paixão pelos nossos amigos livros, que resolveram partilhar com o mundo. Elas criaram um canal no Youtube onde dão sugestões e comentam livros infantis, fazem leituras, resumos, e acima de tudo, divertem-se à grande enquanto aprendem e partilham.

Elas são muito engraçadas, estão mesmo à vontade em frente à câmara, e com a ajuda da mãe desenvolveram este passatempo saudável do qual se vão certamente orgulhar daqui a muitos anos. Para ver aqui.


Adoro o cheiro a livro novo e a textura das folhas. Aquele som de uma lombada a estrear, com as suas primeiras rugas de uso. Escrevinhar nos cantos das folhas que me marcaram e até as orelhas feitas ao acaso ou por vontade. Vícios de estudante. Por tudo isto, muitas vezes jurei que não iria adaptar-me aos eBooks e à frieza dos ecrãs modernos.

Estava enganada.

Experimentei e vai que gostei, a verdade é essa. Hoje não vivo sem o meu Kindle. Passo horas a ver na Amazon o que há de novo e gratuito. Transporto neste pequenino companheiro desde "Os Maias" até Daniel Goleman. Tenho até excertos do "Cinquenta Sombras de Grey", confesso! E outros tantos livros de autores que nem sei nomear, mas que optei por downloadar apenas porque gostei da descrição e das avaliações dos leitores.

Ganhei toda uma nova liberdade literária: ter uma biblioteca à minha medida e mais leve que uma qualquer edição de bolso e com menos custos. Sabiam que grande parte dos chamados Clássicos da literatura mundial estão disponíveis online, gratuitamente? São definitivamente património da Humanidade e ao alcance de todos num simples click.

Se tem desvantagens? Algumas. Muitas das obras que procuramos estão em inglês, o que para mim não é problema visto que opto sempre por ler os originais se forem nessa língua. Temos também de ter em atenção que nem todos os ficheiros são compatíveis com todos os dispositivos (mas hoje em dia já há um conversor porreiro para tudo!).

Mas as vantagens são mais que muitas. Não só é do mais portátil possível como também nunca mais sofremos dos olhitos quando estamos a ler na praia porque imitam, sem reflectir a luz,a tonalidade do papel; podemos aceder aos pdfs de trabalho em qualquer lugar e receber os livros directamente no dispositivo sem ter de usar cabos...todo um universo de possibilidades.

Adoro o meu Kindle. Tenho dito. Modernices? Talvez. Mas quando passaram das cantilenas da literatura oral para o papel alguém também deve ter dito "opah, vai ser o fim das cantigas, bom bom é ouvir!", depois tornou-se universal, e olhem agora para nós, aqui, a ler a palavra escrita de tantas formas e maneiras. Evolução: essa coisa maravilhosa de poder escolher entre o clássico e o moderno ou ambos se nos der na real gana. Fantástico.


Quem não conhece (ou pelo menos ouviu falar) do grande clássico do cinema "A Laranja Mecânica"? Foi realizado em 1971 por Stanley Kubrick, que também dirigiu pérolas como "The Shining" e "2001: Odisseia no Espaço".

O que muitos não sabem é que a violenta e chocante história do filme é baseada num livro, escrito por Anthony Burgess em 1962. Há uma catrefada de anos, portanto.

O livro não é fácil de começar. O narrador é um problemático adolescente de 15 anos que fala com um dialecto da rua, próprio das gangues, da idade, e das classes mais desfavorecidas. É utilizado vocabulário completamente fora daquilo que conhecemos, tanto que o livro é acompanhado de um glossário*. Mas conforme se avança na leitura e nos familiarizamos com os termos, tudo se torna mais fácil, e até é engraçada a forma como nos habituamos rapidamente a usar novas palavras para aquilo que tão bem conhecemos.

O autor conta a história de um futuro imaginário e deparamo-nos com cenários e situações de pura maldade, violentas, de uma crueldade infinita. O modo como tudo se desenrola é genial e vão ter de ler para saber mais. Não vale ver só o filme. O livro é muito mais, como quase sempre acontece.

O veco tirou os zúmbios da roca e foi horroróico, druco! (uma frase que só os que leram vão compreender...)


* Na primeira edição, que foi a que li.
Como é que estas coisas aconteceram? Não faço ideia. Nem num cenário de completa bebedeira, ou pior, consigo justificar como é que alguém achou que estas imagens eram inocentes ao ponto de figurarem em livros infantis. Deixo alguns exemplos deliciosos, podem ver todas as imagens aqui.







Estava eu na Decathlon à procura de uma mala de campismo para carregar este livro, enquanto fazia uma marcação no reumatologista para tratar do síndrome de túnel cárpico que o peso desta obra me anda a provocar, quando me lembrei de como seria interessante utilizar a dita como arma de arremesso.

Atenção! É um belo naco de literatura, lê-se bem, mas no entanto eu sou a favor da ideia de livro como objeto de arte e haverá maior arte do que arremessar algo contra alguém que esteja nitidamente a pedi-las?

Assim se cria uma nova etiqueta neste blog: Livros da Pesada, totalmente dedicada àquelas grandes (literalmente) obras da literatura que tanto servem para cultivar a alma como para cascar em quem nos provoque maleitas.

Aqui vai.

Livro da Pesada: A Divina Comédia
Autor: Dante Alighieri / Vasco Graça Moura*
Editora: Bertrand
Ano: 2006

Peso: quase 1,400 kg de pura beleza literária bilingue
Altura da lombada: 5 cm
Páginas: 894
Ideal para: arremessar contra o senhor(a) do café que nos atendeu mal ao pequeno-almoço porque postar uma foto no facebook da noitada passada no LUX era muito mais importante, para além de nos ter bonificado com um cabelito enterrado na manteiga da sandes.


* Esta é a versão em Português e Italiano, traduzida e genialmente anotada pelo Vasco Graça Moura. Perdoem os marcadores de página, isto já é uma releitura. Ou melhor, não perdoem nada, que o livro é meu, faço o que eu quiser. Pimbas! Considerem-se arremessados.

Quem pensou em algo mais que um aumentativo da palavra "arcas" é um ovo podre (e malandreco).

Num habia nexexidadze dze!






IIIIIITTTTTCLIFFFFFFFFFF ITES MIIIII ÓÓÓÓÓ KATIIIII AIVE COME OUMEEEEEEEEE NAUUUU

(ler aos gritos enquanto se abanam psicoticamente os braços e a cabeça e se tenta esticar a perna como se fossemos o Jean Claude)

Vá, atire a primeira pedra quem não desfez já completamente a letra da Wuthering Heights da Kate Bush, esganiçando a voz até os golfinhos alí da Comporta saltarem de susto, ao mesmo que tempo que esfanica a letra porque não percebe nada do que ela diz! Vá, atire a primeira pedra! Vá!

Eu já.

A questão é que eu li o livro "Wuthering Heights", da Emily Brontë, traduzido para "O Monte dos Vendavais", e por isso sei o porquê dos gritos e dos uivos, porque só quem leu o livro sente dentro de si um tamanho arrepio quando a Kate vira Cathy Earnshaw e bate à janela do torturado enamorado Heathcliff que ela assombra para toda a eternidade que durará o seu amor violentamente arrebatador, porque não há outra maneira de ser e existir sem ser através desse mesmo amor que se transfigura nos ventos uivantes e nos ramos que estilhaçam janelas e corações, enquanto se rasgam almas amaldiçoadas numa casa que é também uma personagem, numa noite que dura para sempre, e uma chuva que é premonição de lágrimas e em tempestades que são ódios imortais e vinganças que não se servem frias, servem-se fervilhantes. (pausa para respirar)

Esta música foi inspirada neste livro. Caso o parágrafo interminável acima não tenha sido o suficiente para mostrar, é o MEU LIVRO ROMÂNTICO DE ELEIÇÃO. Brevemente falarei com mais detalhe sobre ele.

Agora aproveitem a Kate. Maluca mas genial.









Keri Smith é uma artista e tenta neste livro (que não é?!) despertar em nós o tanto que temos de Picasso como o tanto que temos de Vasco da Gama, numa viagem entre as nossas próprias obras de arte, as nossas vergonhas e pudores, destruindo enquanto recria a nossa ideia de livro.
Este não é apenas um livro que se lê, é um livro que se faz e um livro em que se É. O leitor arma-se de tesoura para cortar páginas, transfigura-se com bigodes picotados, viaja em barquinhos de papel que cria das folhas que arranca, partilha-se entre páginas que saltam de mão em mão.
É 'pró menino e 'prá menina. É para o adulto sisudo e para o criativo. É para quem procura algo diferente, algo inédito, algo que desperte o artista que guardámos na gaveta das memórias da infância e de quem todos sentimos, na sociedade parametrizada de hoje em dia, uma imensa saudade.

Vamos lá então matar a saudade.

Isto Não é um Livro
Autor: Keri Smith
Ano: 2015
Editora: Editorial Planeta

A nossa pontuação: ★★★★

Sinopse: O presente perfeito para quem adora livros ( Se isto não é um livro, então o que será?). Nas palavras da autora, no livro:
" 1 - Confia na tua imaginação, ela é a fonte de todas as verdadeiras viagens; 2- As coisas não são sempre o que parecem; 3- Tudo pode acontecer".
Ler mais no site Wook.




Não somos nós que o dizemos, que a falta de experiência não nos permite! :) Divulgamos aqui os conselhos do site maquinadeescrever.org com os melhores livros de 2015 destinados a crianças até aos 10 anos. Boas leituras para a pequenada!