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E o primeiro estreia já a 17 de novembro nas salas de cinema. "Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los" é um livro publicado em 2001 por J. K. Rowling e está a ser adaptado para cinema em 5 filmes. Trata-se da prequela de Harry Potter e relata os acontecimentos antes do aparecimento do famoso feiticeiro.

J. K. Rowling estreia-se como argumentista neste filme que conta com o oscarizado Eddie Redmayne no principal papel. Outros talentos como Colin Farrell ou Jon Voight também estão no elenco. Os acontecimentos relatados começam em 1926, onde Newt Scamandar (Eddie) é um investigador de figuras mágicas e durante uma escala em Nova Iorque as coisas começam a descambar...

Os fãs da autora e de Harry Potter podem assim matar algumas das saudades que já sentem e apaixonar-se por esta nova (ou velha...) trama.

A história é narrada pelo melhor amigo e assistente do doutor Herbert West desde os tempos da faculdade. West tem a teoria de que o corpo pode ser reiniciado depois de morto e dedica a sua pesquisa académica a tentar prová-lo. Depressa a teoria passa à prática e o médico começa a fazer experiências em animais. Mas ele quer mais. Quer ressuscitar seres humanos e para isso precisa de corpos frescos e sem danos, que vai conseguindo através de meios nem sempre honestos...

O narrador assiste a tudo isto, com uma curiosidade mórbida crescente, que se vai transformando em medo à medida que as experiências vão fugindo ao controlo. Com a quantidade de experiências falhadas e corpos a crescer, a pergunta impõe-se: o que acontecerá quando a experiência correr bem? Qual será a reacção de um corpo ao ser trazido de novo à vida? Quando Herbert West acaba por desaparecer, o narrador dá-nos as respostas.

É um livro muito curto mas muito sumarento. É muito avançado para a época e foi uma das primeiras referências aos zombies tal como os conhecemos hoje em dia - mortos-vivos. É bastante gráfico e apenas aconselhável aos que gostam de se impressionar com cenários de terror (como é o meu caso). H. P. Lovecraft é um mito nesta área e muito do cinema, da televisão e literatura de terror que se faz hoje em dia é baseada nas suas ideias. Aliás, influenciou decisivamente o trabalho de autores como Hitchcock ou Stephen King. É muito injusto ter tido apenas reconhecimento póstumo e ter morrido na pobreza.

Este livro deu um filme em 1985 com Jeffrey Combs no papel do macabro doutor Herbert West.

Herbert West: Reanimator

De: H. P. Lovecraft
Ano: 1922
Páginas: 92 (na edição Quasi Edições)


A nossa pontuação: ★★★☆☆
" Fahrenheit 451 - a temperatura a que um livro se inflama e consome..." e assim começa um livro inesquecível.

Esta fantástica obra de Bradbury conta-nos a história de Guy Montag, um bombeiro de um mundo futuro e distópico em que a sua profissão consiste em queimar todos os livros que constituem o espólio literário da nossa humanidade.

Enquanto lia o livro percebia que desde que foi escrito, nos anos 50, nos aproximamos a passos largos do abismo futurista que o autor criou, e que este como que antecipou uma cultura obscenamente virtual como é a nossa hoje em dia.

Neste futuro sem livros, sem memória e sem cultura outra que a televisiva, nesta realidade exposta pelo "Fahrenheit 451", espelhamos o nosso agora. Esperemos que o nosso amanhã renasça do fogo e seja diferente, mais feito de livros, de conhecimento e acima de tudo de mais .



Fahrenheit 451
De: Ray Bradbury
Ano: 1956
Editora: Livros do Brasil (edição mais recente pela Europa-América)

A nossa pontuação: 

Mais no site Wook.



P.S. - E quem é que já viu o filme?
Em plena Grande Depressão, acompanhamos a família Lester, que vive na Georgia rural. Jeeter Lester, o patriarca, teve 17 filhos. Alguns dos que não morreram, fugiram de casa para trabalhar nas fábricas das cidades próximas. Com ele moram dois filhos - Dude, de 16 anos, que deve muito à inteligência, e Ellie May, de 18, que nenhum homem lhe pega porque tem o lábio rasgado de nascença - a mulher, Ada, e a avó Lester (que não abre a boca para falar há anos).

Apesar da fome que os atormenta todos os dias, Jeeter é apegado à terra e é lá que quer morrer. Insiste nesse ponto até ao fim, mesmo havendo dias em que não tem o que comer. Todos os dias olha para os campos vazios e lamenta não ter dinheiro para sementes ou uma mula para lavrar, e todos os dias toma a resolução de ir pedir fiado e uma mula emprestada, ou cortar madeira para vender. E todos os dias adia para o dia seguinte, só por preguiça. Ano após ano. Existe sempre algo melhor para fazer, como ficar a olhar para as ripas velhas de madeira da casa caírem ou sonhar acordado com um automóvel novo. No meio disto tudo arranja esquemas para arranjar dinheiro, como roubar ou vender coisas que não são dele.

Este livro de 1932 é riquíssimo e tem em si o retrato de uma época marcante. Oferece uma perspectiva única sobre tantos temas como a religião, o racismo, o valor da família, a pobreza, ou o egoísmo cego. Tudo isto envolto numa aura de humor negro bem característica. É uma escrita de mestre, onde o narrador, após cada capítulo, segue a personagem com a qual o anterior terminou. Usa as repetições frequentemente mas de modo eficaz e extremamente engraçado. As personagens são tão marcantes e com características tão próprias que depressa nos apaixonamos por todos, apesar de serem uns calões, cada um com a sua grande pancada.

É um livro fantástico, considerado um dos melhores clássicos americanos. Foi adaptado para a Broadway em 1933, e ainda hoje é o segundo espectáculo que por lá ficou mais tempo. Foi também adaptado para o cinema em 1941 por John Ford. Ainda não vi o filme mas quero muito ver, apesar de as críticas o considerarem demasiado afastado das ideias do livro. Veremos. Entretanto, se puderem dar uma espreitadela nesta grande obra, não deixem de o fazer.

A Estrada do Tabaco
De: Erskine Caldwell
Ano: 1932 (reedição de 2014)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 208

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.


Devem conhecer Irvine Welsh como o autor de "Trainspotting". Este livro, "Porno", é a sua sequela e relata os eventos que se passaram 10 anos depois.

Até começar a ler o livro não tinha noção que era a continuação do mítico livro que deu origem ao filme que marcou uma geração. Como tal, também não sabia que é a partir deste livro que está a ser feita a sequela do "Trainspotting". Algo que não posso perder, por respeito ao primeiro e porque esta história é um arraso total.

Simon, ou Sick Boy, estava emigrado em Londres e volta para Leith, onde se torna proprietário do pub da tia. Ele tem paleio, conversa, lábia, e convence todos à sua volta a alinharem nos seus esquemas e ideias mirabolantes. A cocaína é a sua melhor amiga e não prescinde de uma boa snifadela, seja qual for a ocasião. É interesseiro, mesquinho, só estabelece contactos que acha que o vão beneficiar e atravessa-se no seu caminho uma oportunidade imperdível: ser produtor de filmes pornográficos.

Usando o andar de cima do pub, cria um quartel-general da depravação, que serve de sala de reunião para a equipa do filme e claro, para filmar as inevitáveis cenas de sexo daquele que espera ser um dos mais revolucionários e inovadores filmes do género.

No seu caminho aparece Nikki, que lhe dá a volta com o seu "cu perfeito" e "mamas de pedra"; Curtis, que tem o maior pénis que ele já viu na vida; Melanie, uma miúda sexy que alinha em tudo; Juice Terry, o maior fodilhão do planeta; e a antiga crew, cujos membros continuam perversos mas alguns estão efectivamente mudados. Spud continua um agarrado; Franco um bruto fora-da-lei; já Renton parece que criou princípios, o que irrita profundamente Simon.

O livro é narrado a diferentes vozes, sendo cada uma das personagens principais um narrador. Este é um feito gigante, visto que passadas algumas páginas já conseguimos distinguir quem está a narrar pela maneira como fala, pelas manias, abreviaturas que usa, pelo tom. Confesso que no início é um bocado confuso entrar na onda, mas depois percebemos que é genial.

Como não podia deixar de ser devido ao tema, há muitas cenas "quentes" e detalhamente descritas. E é de mestre. E há muita violência, palavrões, a vida nas ruas, a droga, atitudes machistas, ódio, e é raro encontrar um livro com tanta coisa má e ser tão bom. Se estas personagens e situações fossem reais, nem me consigo decidir se ia querer manter as distâncias ou fazer parte do grupo.

A ação decorre sempre a um nível altíssimo e estou curiosa para ver o que vai sair do filme. Entretanto, aconselho vivamente a leitura da dupla "Trainspotting" e "Porno", duas viagens alucinantes para a mesma estação.

Porno
De: Irvine Welsh
Ano: 2002 (reedição de 2009)
Editora: Quetzal
Páginas: 576

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.

Um livro eterno. Um amor intenso e uma biografia que se cruza entre a história da autora e a da sua família enredando traumas que se subentendem e fantasmas que o tempo não apaga mas atenua, tornando banais as feridas mesmo que fiquem a doer para sempre.

Em "O Amante", sem pudores, conta-se a história de amor entre uma jovem de quinze anos e um homem de vinte sete. O que ela tem de pobre, compensa em vontade e erotismo, o que ele tem de rico, tem em paixão e inquietude. 

Este é um livro sobre a auto-descoberta, se bem que será que realmente descobrimos algo sobre nós mesmos ou será apenas auto-revelação? 

Um livro profundo. Breve, como são normalmente as maiores das paixões, mas marcante e memorável.

Mais em Fnac.pt.


O Amante
De: Marguerite Duras
Ano: 1984
Editora: Difel (nova edição pela Asa)
A nossa pontuação: ★★★☆



P.S. - Despertou-me a curiosidade em relação ao filme com o mesmo nome. Alguém que já o tenha visto?