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"Porque viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias."
in "Flores", de Afonso Cru

Os beijos já não sabem ao mesmo. A vida partilhada é mais solitária do que nunca. As coisas deixam de fazer sentido. Tudo o irrita. Promete que amanhã vai fazer as coisas de maneira diferente, mas arranja desculpas esfarrapadas para si próprio e continua tudo na mesma. É assim a vida do protagonista, mas tudo muda quando o senhor Ulme, que perdeu a memória, entra em cena. É ele a linha que une as pontas soltas de uma família, e a sua vida é um mistério que todos querem ver resolvido. No meio disto tudo entram as irmãs Flores, peças incontornáveis na vida de Ulme e que lhe vão dando fragmentos de vida, daquela vida que não se faz todos os dias.

Flores
Afonso Cruz
Ano: 2015
Editora: Companhia das Letras
A nossa pontuação: ★★★☆☆
Mais no site Wook.
"Ela retribuiu como pôde com os braços gordinhos a bater repetidamente nas ancas de Fried, como se este fosse um instrumento amigável de percussão, um instrumento que, quando se batia nele, nos abraçava; e a imagem estranha - outra pessoa diria bela, no entanto não o era, bem pelo contrário, analisada de modo frio era afinal terrível - era que Fried, tal como eu, parecia pedir-lhe desculpa por não ser como ela, por ser normal e por entender as coisas; com consciência plena de que poderíamos sair da nossa tristeza, qualquer que fosse a sua profundidade, mas ela não poderia sair da quantidade de incapacidades que tinha, como que cercada de mundo a mais - porque o mundo se mantém o mesmo para todos, mas a ela sobrava mundo e a nós por vezes faltava."

in "Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai", de Gonçalo M. Tavares (2014)

Ela, Hanna, tem trissomia 21. Apareceu repentinamente na vida de Marius, um dia, em plena rua, abordando-o sozinha, dizendo que está à procura do pai. Apesar da vida complicada, Marius decide empreender uma jornada para a ajudar a encontrá-lo. Nesta busca conhecem pessoas interessantes que lhes contam histórias mirabolantes. Algumas pessoas com quem se cruzam são boas, outras más, e no meio disto tudo, Hanna mal entende o que se passa à sua volta, vive no seu mundo e é impossível perceber o que lá se passa. Um livro que me ensinou bastante sobre esta condição e que me prendeu até ao fim à custa desta busca incessante cheia de personagens com muito para dar.

Título: Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai
Autor: Gonçalo M. Tavares
Editora: Porto Editora

A nossa pontuação: ★★★★☆
Mais no site fnac.pt.
"Todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente, do penoso trabalho de verificar. É com impressões fluídas que formamos as nossas maciças conclusões. Para julgar em Política o facto mais complexo, largamente nos contentamos com um boato, mal escutado a uma esquina, numa manhã de vento. Para apreciar em Literatura o livro mais profundo, atulhado de ideias novas, que o amor de extensos anos fortemente encadeou — apenas nos basta folhear aqui e além uma página, através do fumo escurecedor do charuto. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza é fulminante. Com que soberana facilidade declaramos — «Este é uma besta! Aquele é um maroto!» Para proclamar — «É um génio!» ou «É um santo!» oferecemos uma resistência mais considerada."

Eça de Queirós

Era válido no tempo de Eça e é válido agora. Julgamos tão rapidamente e, tantas vezes, erradamente. Apontar o dedo é fácil. Lançar boatos também, assim como acreditar em toda a informação que nos passam. Seja no boca a boca, nos noticiários, nos tablóides, 'papamos' tudo. Já quando é para dizer bem, o caso muda de figura. Aí, precisamos de mais factos e mais provas. Sejamos mais selectivos e independentes nas nossas críticas e opiniões, informemo-nos, pesquisemos, criemos a devida legitimidade para apontar o dedo.

Ver citação completa no site citador.pt.

eça de queirós