Mostrar mensagens com a etiqueta autores portugueses. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta autores portugueses. Mostrar todas as mensagens
Em cada capítulo, uma aventura sexual com uma mulher diferente. Somos avisados no início do livro que não é aconselhado a menores, mas discordo totalmente. Se há maneira de descrever o sexo de forma elegante e usando todos os recursos da língua portuguesa, ela encontra-se neste livro. E os jovens sempre podiam aprender alguma coisa, que as suas bocas estão cheias de palavreado pouco abonatório para o tema.

O narrador conta as suas histórias com várias mulheres e é com delicadeza que as descreve, as suas preferências, neuras, fetiches, a forma como encaram as relações sexuais com um desconhecido, ou quase. É um livro inteligente que nos entretém e nos faz sorrir e corar um bocadinho.

A escrita de Mário de Carvalho não é simples e directa, mas é bela e natural. É preciso saber saborear, e às vezes reler, para descobrir convenientemente o sentido do dito e do não dito. Arrisquem, lê-se em poucas horas.

Ronda das Mil Belas em Frol
De: Mário de Carvalho
Ano: 2016
Páginas: 104
Editora: Porto Editora

A nossa pontuação: ★★★★☆
Dsponível no site Wook.
Ela tem uma idade indefinida e segredos por descobrir. Ele chama-lhe Winnie, todos chamam, mas na verdade não sabe o seu nome verdadeiro. Agora, pesa-lhe na consciência não ter tido a curiosidade necessária para o saber.

Ele e Winnie viveram uma história, talvez de amor, talvez não, mas uma história. Com pormenores bonitos e alguma paixão, muitas recordações e um amadurecer, um crescer, que mais ninguém seria capaz de lhes proporcionar. A maturidade fez com que aceitassem o fim inevitável daquela história, e procuraram outras, inevitáveis.

Winnie marcou-o e intrigou-o como ninguém o havia feito. E vai surpreendê-lo até ao fim. Ele vai ter nas mãos as suas palavras e recordar os seus gestos e a sua linguagem inimitáveis, e recordar é amar, finalmente.

António Mega Ferreira apresenta-nos esta pequena novela que é autêntica poesia. Um pedaço de sensações e de amor espalhado nas breves, mas intensas, páginas. Uma leitura que se faz em horas mas que perdura por muito mais tempo.

Amor
De: António Mega Ferreira
Ano: 2002
Editora: Assírio & Alvim
Páginas: 80

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Lembro-me de ter lido este livro ainda não tinha 20 anitos. Lembro-me que o adorei, e as suas linhas gerais ficaram-me na memória todo este tempo. Tinha vontade de o reler há muito tempo, e foi agora. E a minha percepção agora é completamente diferente.

É engraçado como isto aconteceu, e também inexplicável, mas agora, mais madura e experiente, o livro foi muito mais difícil de ler. Não é um livro fácil - a alternância constante entre espaços temporais e as frases metidas dentro de outras frases obrigam a uma atenção suprema, e que mergulhemos a cem por cento na trama. O que é tarefa árdua - por vezes o narrador muda sem nos apercebermos e demoramos a mudar o chip; os tais pensamentos que interrompem outros pensamentos obrigam-nos a reler; mudamos de ano e de personagens e tudo é completamente diferente a cada virar de página.

A história centra-se num casal, em que a mulher padece de uma doença terminal. O livro são basicamente as memórias dela, e do marido; mas também do irmão do marido (também ele doente); dos pais do marido; das irmãs delas, dos seus esposos e filhos; enfim, assistimos ao caótico drama familiar contado sob diferentes perspectivas e em diferentes fases, desde o momento em que tudo era tranquilo e perfeito até tudo acabar numa casa vazia, quieta, onde o silêncio é a presença mais forte e indesejada.

É forte, especialmente quando nos apercebemos da solidão destas pessoas e em como são ilhas isoladas nas suas dores. É poético, subtil, mas lá está, é uma aventura difícil num tipo de escrita onde tão cedo não me aventurarei. Mas, lá está, os nossos pensamentos também não são lineares, e este livro aproxima-se bem dessa leitura.

A Casa Quieta
De: Rodrigo Guedes de Carvalho
Ano: 2005
Páginas: 264
Editora: Dom Quixote

A nossa pontuação: ★★★☆☆
Disponível no site Wook.
O senhor Silva viu-se, aos 84 anos, sem o amor da sua vida que o acompanhou durante décadas. De repente, teve de cair em si e perceber que nunca mais veria o sorriso de Laura nem sentiria a sua presença a encher os sítios. E perguntou-se como é que alguém, nesta fase da vida, encontra ânimo para alguma coisa sem o farol que o guiava todas as noites.

Foi metido num lar. Uma história lida e ouvida milhares de vezes. A filha, sem saber lidar com ele. Ele, sem saber lidar com ninguém, metido num amuo contendo uma tristeza que lhe corrompia tudo por dentro, qual cancro de saudade e incompreensão. E este é o mote para uma história tocante, que nos toca e tocará a todos, que nos aproxima da morte e nos coloca na pele daqueles que são postos a esperá-la a qualquer momento.

Valter Hugo Mãe, através de uma linguagem diferente onde se expressa sem parágrafos ou sequer maiúsculas, coloca-nos na pele do senhor Silva, dá-nos lamirés do seu passado e conta-nos o seu presente sempre com o sentimento à flor da pele. Damos a mão a este "velho" como se fosse o nosso pai, ou avô, e damos por nós completamente embrenhados e a querer o seu bem. Com alguns laivos de humor que nos arrancam gargalhadas e que logo de seguida se podem transformar em lágrimas (fica o aviso), esta é uma história comovente e tremendamente bem escrita que fala da amizade, do amor, da família, da desilusão, tristeza, impotência, e muito mais. Uma das pérolas da literatura portuguesa, completamente recomendado.

E assim está finalizada o trio de livros de Valter Hugo Mãe que li de seguida, e este é, definitivamente, o melhor.

A máquina de fazer espanhóis
De: Valter Hugo Mãe
Ano: 2010
Editora: Porto Editora
Páginas: 320

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.
Vaticanum, de José Rodrigues dos Santos. O romance editado em Outubro vendeu mais de 93.000 exemplares e liderou assim o top de vendas de Portugal no ano transacto.

O 16º livro do jornalista e escritor fala da corrupção no Vaticano, envolvendo o rapto do Papa. Traduzido em mais de 20 línguas e com um total de vendas que ultrapassa os três milhões de exemplares em todo o mundo, José Rodrigues dos Santos merece os nossos parabéns e um lugar de topo na literatura nacional e internacional.

Via Público


Este sim, um livro ao nível que esperava de Valter Hugo Mãe. Talvez por ser para todas as idades, estes contos têm uma linguagem um pouco mais simples e elucidativa, sem aquelas viagens mirabolantes e complicadas em cada frase como aconteceu em "A Desumanização".

São pequenas histórias tocantes, belas, comoventes, nas quais ficamos a pensar até muito depois de as termos lido. O livro físico, em si, também é especial, com todos os rebordos pintados a vermelho. Mas não é só de letras que ele se faz - antes de cada conto somos presentados com duas ilustrações de talentosos artistas.

É amoroso, emocionante, uma óptima leitura e uma belíssima prenda para alguém de quem gostemos muito.

Contos de cães e maus lobos
De: Valter Hugo Mãe
Ano: 2015
Editora: Porto Editora
Páginas: 160

A nossa pontuação: ★★★★☆
Disponível no site Wook.